Entenda os riscos do descarte de medicamentos e como evitar

O que acontece quando medicamentos são jogados no lixo ou vaso sanitário e o que fazer para minimizar os impactos ambientais do consumo deles

O Brasil é o sétimo país que mais consome medicamentos do mundo, mas existe pouca legislação referente ao correto descarte de medicamentos vencidos ou sem uso. Porém, devido aos grandes riscos à saúde humana e ao meio ambiente o descarte de medicamentos deve ser feito em pontos de coleta específicos para serem posteriormente encaminhados à destinação final ambientalmente correta. A logística reversa da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) abrange certos materiais que são prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente - mesmo tendo esse tipo de característica, os medicamentos ainda não entraram nessa lista. Entretanto, existe uma norma para regulamentar os procedimentos de logística reversa de medicamentos de uso humano vencidos e/ou em desuso. Trata-se da ABNT NBR 16457:2016.

O descarte de medicamentos é um problema que ocorre no mundo todo e é relativamente novo, e apresenta riscos a água, solo, animais e também à saúde pública. Nos Estados Unidos, a população recebe orientações para descartar alguns medicamentos na privada ou no lixo, pois eles dão prioridade a reduzir o risco de uso não intencional ou overdose.

Mas o risco ambiental emergente está presente nesse tipo de atitude, devido ao “micropoluentes”. Assim, os consumidores contribuem com uma quantidade pequena, mas que quando acumulados causam grandes consequências. E o pior é que grande parte das pessoas não sabe o mal que está fazendo ao realizar o descarte de medicamentos no lixo comum ou no vaso sanitário. Cerca de 20% de todos os medicamentos que utilizamos são descartados de forma irregular.

A contaminação ambiental ocorre pelo descarte inadequado e também pela parcela excretada na urina e fezes de produtos que tomamos. O uso de medicamentos veterinários também contribui; a criação de gado, peixes e animais domésticos utilizam antimicrobianos, antiprotozoários, hormônios, entre outros, e entram no meio ambiente da mesma forma, por descarte inadequado e excreções. Esses medicamentos vão parar em aterros, lixões, estações de tratamento de água/esgoto, corpos d’água ou solo.

Os fármacos que ingerimos são metabolizados e eliminados pelo nosso corpo indo parar nas redes de esgoto junto com aqueles que descartamos em pias e vasos sanitários. Ele percorre todo o caminho até uma estação de tratamento de esgoto onde também sofre metabolização, mas muitos não são totalmente degradados e se tornam imprevisíveis. As estações de tratamento não foram projetadas para eliminar fármacos - eles são apenas atenuados. Existem técnicas de remoção de fármacos como ultrafiltração, ozonização, oxidação avançada, mas os elevados custos não viabilizam sua implantação para o tratamento em larga escala de esgoto.

Existe também a perigosa parcela de descarte de medicamentos no lixo comum, geralmente sobras de medicamentos vencidos. Como eles não são metabolizados, podem chegar em sua forma original aos aterros que, caso não possuam impermeabilização adequada, podem percolar (atravessar alguns meios) e contaminar o solo e o lençol freático em concentrações até maiores que via esgoto.

Riscos

Os problemas causados pela presença dos compostos de medicamentos no ambiente ainda não são muito bem conhecidos. Sabe-se que os medicamentos diluídos em água podem interferir no metabolismo e no comportamento de organismos aquáticos; há fármacos que são persistentes e se acumulam no meio ambiente; além dos riscos de doenças na população e animais que podem encontrar medicamentos descartados no lixo e utilizá-los. Os antibióticos também são preocupantes, pois quando expostos ao meio ambiente, tornam as bactérias resistentes ao antibiótico em questão.

Outro problema se dá no âmbito da saúde pública. O armazenamento de medicamentos em casa aumenta o risco de intoxicação pelo uso indevido - cerca de 28% dos casos de intoxicações no Brasil são por medicamentos. As pessoas que manejam esses resíduos sem proteção, como catadores nos lixões, também são suscetíveis a eventos adversos e intoxicações caso achem o medicamento e o consumam.

Esse tipo de situação, que poderia ser controlado, deve-se em grande parte ao fato de a sociedade não ter informações quanto à forma correta do descarte de medicamentos e seus riscos. A maioria dos medicamentos descartados vem das sobras de remédios da nossa “farmácia caseira” - um hábito comum do brasileiro. Então o que podemos fazer para contribuir na diminuição do risco ambiental pelo descarte de medicamentos?

Formas de evitar contaminação ambiental de medicamentos

Uso racional de medicamentos:

Refere-se “à necessidade de o paciente receber o medicamento apropriado, na dose correta, por adequado período de tempo, a baixo custo para ele e a comunidade”. Use medicamento de forma racional, sem exageros, sem automedicação e não interrompa o tratamento por conta própria. Também exija do seu médico uma prescrição completa e coerente, sem desperdícios.

Evite desperdícios:

Ao comprar medicamentos sem critérios ou em grandes quantidades para deixar armazenado em casa é mais provável que parte passe da validade sem uso e tenha que ser descartado. Existe hoje a PL 33/2012 em tramitação no senado desde de 2012 sobre a obrigatoriedade de se vender medicamentos fracionados. Assim, o consumidor compraria apenas o necessário para seu tratamento, evitando desperdícios.

Espalhe informação:

Muitas pessoas descartam medicamentos no lixo ou nas redes de esgoto por falta de informação, não por falta de opção. Conte para amigos e familiares que existem pontos de coleta espalhados pela cidade para o descarte ambientalmente correto dos medicamentos vencidos ou postos de doação.

Descarte corretamente:

Se seu medicamento venceu e você só percebeu agora, não jogue no vaso sanitário ou no lixo! Agora que você sabe dos riscos que isso pode causar, leve os medicamentos até um ponto de coleta para o descarte ambientalmente adequado. Ache o ponto de entrega mais perto de você na nossa seção de postos de reciclagem.

E depois?

Ok, você descartou corretamente seus medicamentos vencidos em um ponto de coleta, e depois, o que acontece com eles? Os objetos como seringas e agulhas são primeiramente descontaminados em uma usina de tratamento, depois destinados a aterros sanitários como resíduos sólidos. Os medicamentos vencidos são tratados por processos térmicos, geralmente queimados em usinas de incineração diminuindo o volume dos resíduos e sua periculosidade.

É importante lembrar que a incineração também apresenta riscos para o meio ambiente e para a saúde, já que os gases emitidos pela queima e as cinzas produzidas podem conter substâncias tóxicas. Isso exige um extremo controle e equipamentos modernos com alta eficiência de filtração e lavagem de gases para diminuir os riscos. Por enquanto, é a melhor opção para destinação final dos resíduos de serviço de saúde (RSS) - método também usado amplamente no exterior.

Veja o vídeo sobre a questão de descarte de medicamentos e suas legislações.

Viu como é importante o descarte correto de medicamentos? Descubra o posto de coleta mais próximo de você na seção “postos de reciclagem”. É só colocar seu endereço abaixo:


Veja também:


Agora que você já sabe como descartar, a eCycle te ajuda! Clique aqui para visitar nossa página de Postos de Reciclagem e encontre o melhor destino possível para seu item.
Quer saber sobre outros materiais? Navegue pela seção Recicle Tudo.
 

Comentários  

 
+5 #1 2013-01-22 09:51
Obrigada! Há muito tempo tenho guardado uma sacola de remedios vencidos e não sabia onde descartar! Parabéns! Isto é fazer a diferença para o bem do planeta!!
Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail