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Chuva artificial é uma tecnologia utilizada para produzir chuva independente dos fenômenos naturais

A chuva artificial, conhecida cientificamente como bombardeamento ou semeadura de nuvens, é uma técnica utilizada com o objetivo de fazer com que as partículas de água das nuvens se juntem, formando gotas e levando às chuvas. Para que ocorra essa aglutinação, geralmente são usados sais de prata, como iodeto de prata. Isso acontece porque essas substâncias possuem geometria semelhante a de cristais de gelo. Outras possíveis substâncias que podem ser utilizadas são cloreto de sódio, dióxido de carbono sólido (gelo seco), água e carvão ativado.

Esses sais atuam como núcleos de condensação, agregando gotículas de água até que formem gotas mais pesadas, que se precipitam e geram a chuva. O bombardeamento pode ser feito tanto a partir do céu, como uso de aviões ou foguetes que dispersam as substâncias aglutinadoras no meio de uma nuvem, quanto usando canhões para dispará-las na direção das nuvens.

A chuva artificial não é uma técnica propriamente nova e já foi utilizada em situações bastante curiosas, como durante a Olimpíada de Pequim, em 2008, para fazer chover antes das competições e evitar que o clima afetasse as disputas.

Importância da chuva

Existem regiões do mundo em que ocorrem poucas chuvas. Nos desertos do Saara, Atacama e Arábia, por exemplo, o índice de umidade é baixíssimo. Isto dificulta a formação de nuvens e das chuvas.

Além de ser fundamental para a manutenção da vida na Terra, a água da chuva tem profunda importância no desenvolvimento de diversas atividades econômicas. Em relação à produção agrícola, a água pode representar até 90% da composição física das plantas. A falta de água em períodos de crescimento dos vegetais pode destruir lavouras e até ecossistemas. Na indústria, para se obter diversos produtos, as quantidades de água necessárias são muitas vezes superiores ao volume produzido de material.

Por isso, a chuva artificial já é uma tecnologia muito utilizada em diversos países, principalmente na China e na Índia.

Chuva artificial no Brasil

Chuva artificial
Imagem de reza shayestehpour no Unsplash

Em 1950, o Estado do Ceará começou seus primeiros experimentos de chuva artificial para tentar contornar a seca no Semiárido. O programa, criado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), durou décadas até ser encerrado no ano de 2000, por não demonstrar efeitos significativos nas precipitações.

Além do Ceará, o Estado da Bahia também coleciona uma história particular de indução de chuva artificial, mais recente e aparentemente mais bem sucedida. Em meio à seca de 2012, foi criado um projeto em conjunto entre as secretarias de Agricultura, Meio Ambiente, produtores baianos e a empresa ModClima para amenizar os estragos provocados pelas condições adversas do clima.

A ideia era estimular precipitação suficiente para garantir uma boa condição de solo e salvar a produção de abacaxi da região de Itaberaba. Foram realizados 17 voos de semeação usando água potável que geraram 14 chuvas, segundo a empresa. A empreitada custou aproximadamente R $200 mil, tirados de recursos próprios das secretarias de Agricultura e Meio Ambiente.

Segundo afirmações feitas pelo secretário estadual de Agricultura do período, Eduardo Salles, a chuva artificial salvou a lavoura daquele ano. Apesar dos resultados satisfatórios, o governo baiano não levou o projeto à frente como parte de uma estratégia de gestão maior.

O argumento oficial foi de que o alto custo – R $6 milhões ao ano – teria tornado a semeadura um projeto inviável para as pastas. Dessa maneira, a obra virou um plano B, “até porque não resolvia o principal problema, que são os baixos níveis de água nas barragens”, conforme afirmou o secretário de Agricultura na ocasião.

Efeitos da chuva artificial

Pesquisas sugerem que a chuva artificial pode causar diversos danos ao meio ambiente. Isso porque os produtos químicos utilizados como aglutinadores se misturam com a chuva provocada por eles, trazendo riscos a organismos vegetais e animais. O iodeto de prata, por exemplo, pode se acumular no meio ambiente. Em seres vivos, ele causa argiria, condição em que os olhos e a pele adquirem uma cor azulada.

Em micro-organismos, ele desencadeia queda da atividade anaeróbica, em que não é preciso oxigênio para respirar. Por último, a indução de chuvas artificiais pode afetar o clima de maneira indesejada e acabar causando desastres, como inundações.