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O termo ciência cidadã surgiu na década de 1990, tendo sua autoria atribuída ao cientista social Alan Irwin e ao ornitólogo Rick Booney, para descrever a participação da sociedade civil com a ciência.

Em seus trabalhos, Irwin utilizava o conceito de ciência cidadã para se referir à democratização da ciência, enfatizando a responsabilidade da área científica para com a comunidade. Bonney, por outro lado, falava em “ciência participativa”, descrevendo projetos com envolvimento ativo do público na investigação científica e na conservação do meio ambiente.

Por que a ciência cidadã é importante?

A ciência cidadã abrange uma gama de níveis de envolvimento: desde estar mais bem-informado sobre a ciência, até participar no próprio processo científico através da observação, recolha ou processamento de dados.

Ela também engloba aquela parte da Ciência Aberta na qual os cidadãos podem participar do processo de pesquisa científica de diferentes maneiras possíveis: como observadores, como financiadores, na identificação de imagens, na análise e no fornecimento de dados, entre outras ações. Isso permite a democratização da ciência e também se vincula ao engajamento das partes interessadas e à participação pública.

Dependendo de seu interesse pessoal, tempo e recursos tecnológicos, o cidadão decide como se envolver. Observar  pássaros, identificar galáxias ou descobrir como dobrar proteínas, fornecendo recursos emprestando tempo de computador ou financiamento direto, como no financiamento coletivo de projetos científicos.

Desde os anos 2000, as iniciativas de ciência cidadã têm crescido bastante no Brasil e no mundo, inicialmente centradas na expansão da coleta de dados científicos por acadêmicos, grupos comunitários e organizações não governamentais.

Segundo Mercedes Bustamante, professora titular da Universidade de Brasília e membra da da Academia Brasileira de Ciências, do INCT Mudanças Climáticas e da Coalizão Ciência e Sociedade, “quando adequadamente projetada, realizada e avaliada, a ciência cidadã pode não apenas gerar, de forma eficiente, sólido conhecimento e dados de alta qualidade e ajudar a resolver problemas, mas também contribuir para aumentar o engajamento do público nos desafios da conservação da biodiversidade e ecossistemas”.

Com isso, a ciência cidadã “pode aumentar a confiança na ciência e a consciência pública em relação ao meio ambiente e à saúde, influenciar políticas públicas e promover mudanças nas atitudes e comportamento dos indivíduos”.

Os desafios

Embora universidades de ponta, como a Universidade de São Paulo, incentive projetos de ciência cidadã, ainda é necessário superar a falta de financiamento, a parca disponibilidade de plataformas digitais e a pouca valorização dos cientistas e participantes dos projetos na sociedade, que representam barreiras para o êxito dos projetos no âmbito da pesquisa científica brasileira.

Segundo Débora Fior Chadi, em entrevista ao Jornal da USP, “a ciência cidadã é um dos principais braços da Ciência Aberta, que tem sido bastante discutida nesse período de compartilhamento de dados em decorrência da pandemia que vivemos. Ela é uma ação transformadora tanto para a ciência, que poderá ter a contribuição de inúmeros cidadãos, quanto para a sociedade, que pode ter mais rapidamente o retorno da ciência para melhorar sua qualidade de vida”.

Para participar, consulte o site da Universidade de São Paulo, que periodicamente abre inscrições para projetos, o portal do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira ou outra instituição de seu interesse que apoie iniciativas de ciência cidadã.