Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Eventos, efeitos e reações adversas a medicamentos podem parecer a mesma coisa, mas, na verdade, são conceitos diferentes utilizados principalmente na Farmacovigilância, um conjunto de procedimentos relacionados à detecção, avaliação, compreensão e prevenção de reações adversas a medicamentos ou outros problemas com fármacos. Quando há suspeita de eventos adversos, é preciso notificar a empresa farmacêutica ou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entenda cada um dos conceitos:

Eventos adversos dos medicamentos

Efeitos adversos se referem a um resultado negativo ou prejudicial que parece estar associado ao tratamento – isso inclui a ausência de efeitos.

Já os eventos adversos a medicamentos (EAM) se referem a qualquer ocorrência negativa prejudicial que ocorre durante ou após o tratamento, podendo estar associada ou não a um medicamento.

O conceito de eventos adversos é amplo e abarca diversas situações:

  • Suspeita de reações adversas a medicamentos;
  • Eventos adversos por desvios da qualidade de medicamentos;
  • Eventos adversos decorrentes do uso não aprovado de medicamentos;
  • Interações medicamentosas;
  • Inefetividade terapêutica, total ou parcial;
  • Intoxicações relacionadas a medicamentos;
  • Uso abusivo de medicamentos;
  • Erros de medicação, potenciais e reais.

Saiba mais sobre cada um desses eventos:

Reações adversas a medicamentos

As reações adversas a medicamentos (RAM) são tipos de efeitos adversos. Toda reação adversa é um evento adverso, mas nem todo evento adverso é uma reação adversa.

De acordo com o glossário de termos de farmacovigilância, reação adversa a medicamentos (RAM) é um efeito prejudicial suspeito de ser causado por um medicamento.

Esse problema tem consequências diversas. Estudos norte-americanos mostraram que as reações adversas estão entre as dez principais causas de morte nos Estados Unidos. Além disso, elas são responsáveis por uma elevada carga financeira dos sistemas de saúde.

Eventos adversos por desvios da qualidade de medicamentos

Os efeitos adversos podem ser causados pela qualidade do medicamento. Em algum momento, a eficácia pode não ser a mesma ou pode haver alguma alteração na fórmula. É preciso investigar e, ao passar por algum efeito adverso, comunicar à Anvisa.

A Anvisa valoriza fortemente a avaliação de medicamentos a partir de três pontos: segurança, eficácia e qualidade do produto. Por isso, é realizado o monitoramento de medicamentos para coletar informações e entender seus eventos adversos. No Portal da Anvisa, é possível acessar o Notivisa e relatar informações de alguma situação de efeitos dos medicamentos.

Eventos adversos decorrentes do uso não aprovado de medicamentos (off-label)

Quando o medicamento é utilizado em situações diferentes das que ele é indicado e que constam na bula, trata-se de um uso não aprovado do medicamento, também chamado de uso off-label. Isso traz riscos de ocorrência de efeitos adversos, bem como inefetividade.

Interações medicamentosas

Interação medicamentosa é um evento que pode ocorrer entre medicamentos e outros medicamentos, entre medicamentos e alimentos ou medicamentos e drogas (como álcool e cigarro).

Algumas substâncias, como os antiácidos, podem interagir com outros medicamentos e alterar as taxas de dissolução e absorção. Por isso, ao receber uma nova receita, é fundamental informar ao profissional se já estiver utilizando outro medicamento.

Inefetividade terapêutica, total ou parcial

A inefetividade terapêutica acontece quando os medicamentos não exercem os efeitos esperados. Isso pode acontecer por problemas com a síntese do fármaco ou mesmo pela administração do medicamento ao paciente. Como ela está relacionada à ausência ou diminuição de efeito, é considerada um efeito adverso.

Intoxicações relacionadas a medicamentos

A intoxicação por medicamentos é um grande problema no Brasil. Segundo pesquisa, entre os anos 2010 e 2017, foram notificados 565.271 casos de intoxicação, sendo que 298.976 – o equivalente a 52,8% – tiveram o medicamento como agente tóxico.

A intoxicação pode levar a diarreia, vômitos, tontura, mudança de comportamento e também pode ser letal. Dentre suas principais causas, está a automedicação, um costume presente entre os brasileiros que consiste em tomar remédios sem as orientações de um profissional especializado para isso.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês.

Outra pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação (ICTQ), em 2018, mostra que 68% das recomendações de medicação são de familiares, 41% de amigos, 27% de vizinhos e 48% de balconistas de farmácia.

Uso abusivo de medicamentos

O uso abusivo de medicamentos pode ter diversos efeitos negativos à saúde. No relatório anual de 2013, a Junta Internacional de Fiscalização a Entorpecentes (JIFE) divulgou um alerta sobre o uso de drogas, ressaltando que o abuso de medicamentos é uma grande ameaça à saúde pública.

Em 2019, o relatório incentivou os governos a colaborarem com as autoridades de saúde pública, farmacêuticos, médicos, fabricantes, distribuidores e associação de proteção ao consumidor a fim de conscientizar o público sobre os riscos associados aos medicamentos prescritos e adotar as medidas adequadas para reduzir seu uso indevido.

Uma classe de fármacos que merece atenção em relação ao uso abusivo são os antibióticos. Quando os antibióticos são usados inadequadamente, eles se tornam menos eficazes contra determinado tipo de bactéria, pois esta acaba melhorando suas defesas, resultando em uma superbactéria. Esse organismo resistente é preocupação de diversos especialistas e organizações, pois traz o risco de uma crise de resistência a medicamentos.

Erros de medicação, potenciais e reais

Erros de medicação, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são responsáveis por pelo menos uma morte por dia em todo o mundo. Eles estão relacionados à prática profissional e também a problemas com informação e comunicação, tais como:

  • Falta de informações detalhadas sobre o paciente;
  • Falta de informação atualizada sobre o medicamento;
  • Falhas de comunicação entre profissionais de saúde;
  • Instruções de uso do medicamento passadas ao paciente de forma inadequada ou pouco clara;
  • Problemas nos rótulos e embalagens.

Os erros podem estar relacionados, ainda, a fatores ambientais, como baixa luminosidade.

Diante disso, organizações e profissionais têm se esforçado para adotar procedimentos e minimizar esses erros. O National Coordinating Council for Medications Error Reporting and Prevention (NCCMERP) elaborou um instrumento que tem servido de base para estudar as causas dos erros de medicação em alguns países. É uma espécie de taxonomia de erros que permite que as unidades de saúde saibam avaliar, classificar e corrigir as falhas.

Junto às unidades de saúde, organizações e especialistas, os consumidores também precisam se empenhar. Cuidar da saúde é um passo importante, pois previne a necessidade do uso de medicamentos. Quando necessário, o uso deve ser feito sem exageros e automedicação, para evitar intoxicações e outros eventos adversos.

Além disso, em qualquer suspeita de eventos adversos, é preciso notificar a empresa farmacêutica ou a (Anvisa). Existe uma equipe de farmacovigilância que cuida especificamente desse assunto em cada indústria farmacêutica. Confira o vídeo abaixo sobre a importância da farmacovigilância.