Geoengenharia: a salvação do mundo?

eCycle

Tentativas de reduzir danos ambientais de modos artificiais parecem soluções simples para perpetuar modelo de consumo danoso

Estamos a um passo da solução de todos os problemas ambientais. Graças à geoengenharia, tudo pode ser resolvido de maneira simples e rápida. Mas antes de tudo, o que é geoengenharia?

De uma maneira simples, a geoengenharia é a ciência que utiliza conceitos da engenharia para resolver os problemas climáticos do planeta.  Isso se dá através de duas ideias: bloquear os raios solares, para reduzir o aquecimento global, e retirar o gás carbônico dos oceanos e da atmosfera.

Uma das propostas para resolver a questão da luz solar consiste no envio de espelhos para o espaço sideral para refletir os raios de volta para sua fonte. Outra ideia, inspirada em vulcões, seria lançar na atmosfera partículas de enxofre para simular o efeito de esfriamento que ocorre após cada erupção vulcânica (foto). Há ainda uma terceira possibilidade, que consiste em lançar milhões de litros de água do mar no ar para “aumentar” e “engrossar” a nuvens que, por sua vez, nos protegeriam.

Gás carbônico

Quanto ao CO2, os planos são igualmente promissores. Um deles consiste no sequestro do gás carbônico que se encontra no ar para injetá-lo, em estado líquido, no fundo do mar. Por ser mais pesado que a água, ele ficaria fora da visão de todos e “desapareceria”.

Para o problema da acidificação dos oceanos, a resolução é através do uso do ferro para “fertilizar” os oceanos. As partículas desse metal estimulam o crescimento dos plânctons que, por sua vez, absorvem o CO2. Ao morrer, o microrganismo levaria o gás carbônico para o fundo do mar (veja mais aqui).

Soluções reais para o mundo real

Tudo é bastante engenhoso, “promissor” e interessante, mas nada é prático ou possível. Em primeiro lugar, o impacto ambiental dessas propostas é desconhecido. O enxofre pode acelerar a degradação da camada de ozônio e a própria ideia de criar um “escudo” feito de espelhos em torno do planeta é absolutamente inviável.

O crescimento dos plânctons pode afetar o equilíbrio do ecossistema marinho. E em ambas as propostas do sequestro de carbono o risco do CO2 voltar à tona é muito grande. Recentemente, um milionário despejou sulfato de enxofre no mar, em território canadense, e foi duramente criticado.

A ideia aqui parece ser criar alternativas, sempre perigosas, para a manutenção do estilo de vida e da atual mentalidade das grandes empresas, ambos baseados no desperdício e contra a sustentabilidade. É um esforço que acaba diminuindo a importância das discussões sobre o futuro do planeta. O total oposto do que é realmente.


Imagem: Wikimedia Commons


Veja também:


 

Comentários  

 
-1 #1 2012-12-13 21:43
Ações humanas são responsáveis por 3,5% das emissões de CO2, portanto é bobagem nos preocuparmos tanto com esse gás. Se o mundo estiver realmente aquecendo será um processo natural e nada poderemos fazer para interferir nesse fenômeno e, sim, nos adaptarmos, como temos feito há milhões de anos. O clima nunca foi e jamais será estático. O que acontece é que existem vários grupos e correntes de pensamento que querem auferir vantagens políticas e financeiras fazendo terrorismo climático.
Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail