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Relatório especial da ONU destaca que países pobres podem ser os mais afetados por mudanças climáticas, com aumento da insegurança alimentar, dos rendimentos e crise na saúde

Mulher no lago Victoria, em Uganda. Imagem: Arne Hoel/Banco Mundial

O relator especial das Nações Unidas sobre pobreza extrema e direitos humanos destacou que a mudança climática ameaça “desfazer os últimos 50 anos” de desenvolvimento, saúde global e redução da pobreza. Philip Alston fez um alerta sobre o que descreve como o risco de uma nova era de “apartheid climático” e fome. A observação foi feita em relatório apresentado na sessão do Conselho de Direitos Humanos, que acontece em Genebra até 12 de julho.

Deslocamento

Para o especialista, mesmo que as atuais metas globais sejam cumpridas, dezenas de milhões de pessoas ficarão mais pobres. Essa situação levará ao deslocamento generalizado e à fome.

Alston destacou ainda que a mudança climática terá o seu maior impacto sobre os mais vulneráveis e pode empurrar mais de 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. O impacto mais severo será sobre os países pobres, regiões e lugares onde pessoas pobres vivem e trabalham.

Considerando a melhor hipótese de um aumento de temperatura de 1,5° C até 2100, as temperaturas extremas em muitas regiões deixarão as populações desfavorecidas enfrentando insegurança alimentar, com baixos níveis de rendimentos e saúde.

Alston afirmou que além disso, muitas pessoas terão que escolher entre a fome e a migração. Ele apontou para o paradoxo de pessoas na pobreza serem responsáveis ​​por apenas uma fração das emissões globais, e que mesmo assim “sofrerão o impacto da mudança climática e terão uma menor capacidade de se proteger.”

Superaquecimento

Ao argumentar sobre o risco de um cenário de “apartheid climático”, Alston apontou para uma situação em que os ricos pagam para escapar do superaquecimento, da fome e do conflito, enquanto o resto do mundo sofre.”

Quanto às implicações da mudança climática sobre os direitos humanos, Alston destacou impactos desse problema em questões como vida, alimentação, moradia e água.

Ele também aponta para consequências sobre a democracia, quando governos tentam lidar com as consequências das alterações do clima e ao mesmo tempo convencem os eleitores a aceitar as grandes transformações sociais e econômicas necessárias. Segundo ele, essa situação fragiliza ​​os direitos civis e políticos.

Indústria

O perito mencionou ainda que Estados deixam de cumprir compromissos de redução de emissões de carbono e de financiamento climático e continuam a subsidiar a indústria de combustíveis fósseis com US$ 5,2 trilhões por ano.

Alston destacou que continuar nesse rumo é uma receita para a catástrofe econômica.

O estudo destaca que “embora a prosperidade econômica e a sustentabilidade ambiental sejam “totalmente compatíveis”, essas questões exigem “desvinculação do bem-estar econômico e redução da pobreza das emissões de combustíveis fósseis”.

O especialista propõe políticas locais para apoiar os trabalhadores deslocados e garantir empregos de qualidade. Outra sugestão é que seja criada uma rede de segurança social robusta como “a melhor resposta aos danos inevitáveis ​​que a mudança climática trará”.

Segurança

Para ele, esta iniciativa pode ser um catalisador “para que os Estados cumpram direitos econômicos e sociais ignorados e negligenciados há muito tempo”. Estes incluem a segurança social e o acesso a alimentos, aos cuidados de saúde, ao abrigo e ao trabalho decente.

O especialista disse ainda que “os alarmes sobre a mudança climática soam, e um aumento nos eventos extremos de proporções bíblicas parece estar finalmente atravessando o ruído, a desinformação e a complacência”. No entanto, ele destaca que “esses sinais positivos não são motivo de alegria”.

Alston conclui o relatório destacando que fazer um cálculo sobre a dimensão da mudança necessária é apenas o primeiro passo para a direção certa.


Fonte: UN News

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