Active design: como planejar cidades mais ativas e saudáveis?

Cidades que incorporam os conceitos do active design oferecem maior qualidade de vida para seus habitantes, na medida que incentivam a realização de atividades físicas no dia a dia

active design

O que é active design

A forma com que as cidades e os locais são planejados induz um comportamento e uma forma de consumi-los. Locais com acesso facilitado aos pedestres, escadas confortáveis e regiões para estacionamento de bikes ajudam seus frequentadores a ter hábitos mais saudáveis. É nesse conceito que os estudiosos do active design (design ativo) se baseiam.

O movimento pretende promover estilos de vida saudáveis e ativos a partir do desenho das cidades, com estratégias e políticas na área de planejamento, construção e saúde.

A principal publicação sobre o tema, “Active Design Guidelines”, foi desenvolvida pelos departamentos de planejamento, de construção, de transporte e de saúde da cidade de Nova Iorque. O guia aborda o planejamento de edifícios, ruas e bairros com propostas que aumentem a oportunidade de atividade física diária, como a construção de escadas mais visíveis e paisagens urbanas mais convidativas para pedestres e ciclistas.

A prefeitura de Nova Iorque percebeu o urbanismo como ferramenta para a criar uma cidade mais ativa, com impacto na redução de gastos empregados na luta contra doenças causadas pelo sedentarismo e obesidade. A utilização do urbanismo como forma de prevenção de doenças é apoiada no sucesso das reformas sanitaristas que proporcionaram o combate doenças infecciosas por meio da reestruturação urbana realizada no final do século XIX e início do século XX.

Em decorrência do sedentarismo da vida moderna e a crescente má alimentação, a incidência de doenças como obesidade, diabetes, canceres e doenças cardiovasculares tem sido cada vez maior. A obesidade já é considerada uma nova “epidemia” mundial (o termo emprestado das doenças infecciosas, é utilizado muitas vezes em um sentido mais amplo, em referência a explosões de doenças em curto período de tempo). O aumento da obesidade tem íntima relação com o excesso de consumo de calorias somado com baixo gasto energético. Nossa moradia, ambiente de trabalho ou lazer são capazes de moldar hábitos.

active design deseja que cada vez mais projetos arquitetônicos levem em consideração o fomento de estilos de vida mais ativos, pois o nível de atividade física e estilo de vida da população seria resultado direto da forma com que os edifícios e cidades são planejados.

Você já ouviu falar em “cidade democrática”, “cidade inteligente”, “cidade sustentável” ou “cidade verde”? No fundo, todas elas são a mesma cidade. Cidades ativas são mais saudáveis não só na medida em que incentivam atividades físicas, mas também poupam energia, reduzem emissões, etc. A energia física empregada pelo homem muitas vezes pode substituir outras formas de energia. A ideia é que quanto mais energia nós gastamos (em termo de calorias, energia humana) menos energia estamos desperdiçando (em termos de eletricidade, de recursos naturais). Ao optar pela bike ou pela caminhada você deixa o carro em casa e preserva o planeta. Ao subir de escadas você poupa a energia gasta com o elevador, e assim por diante. Esse ciclo saudável se estende e entrelaça diversos aspectos da sustentabilidade da vida em sociedade.

Cidades ativas são mais eficientes, o que as torna mais sustentáveis. O active design se insere também como iniciativa para reduzir o consumo energético de nossos edifícios e cidades. Uma importante questão para o planejamento de cidades ativas é: como pensar cidades que exigem maior gasto energético das pessoas e, ao mesmo tempo, menor das edificações e das infraestruturas urbanas?

Boa parte das cidades foram construídas com o foco nos carros. Sem calçadas e acessibilidade adequada, as pessoas são forçadas a escolher essa forma de transporte pouco sustentável. Mas, o active design quer mudar isso.

O conceito de action design também leva em consideração a walkability dos locais (saiba mais sobre walkability aqui). Quanto melhor os locais forem para os pedestres, mais eles realizarão atividades como o pedestrianismo (saiba mais aqui) e mais ativos eles serão.

Estratégias

A arquitetura e o urbanismo são ferramentas importantes na construção de um futuro mais saudável. Por si só, nenhuma estratégia será a solução. Mas, em conjunto, esses projetos auxiliam que a sociedade caminhe para um desenvolvimento sustentável.

Muitas dessas táticas são simples. Uma pequena intervenção urbana como a melhoria de calçadas já pode ser responsável pela mudança em como a população utiliza aquele espaço. O guia de active design apresenta diversas metodologias que podem ser empregadas no desenho urbano para contribuir com a criação de espaços saudáveis.

O design ativo incentiva as pessoas a subir escadas, caminhar, andar de bicicleta, desenvolver formas de lazer ativo, etc. Ambientes pensados através do active design permitem que seus moradores ou frequentadores incorporem a atividade saudável de forma mais fácil em suas vidas diárias. O objetivo é fazer com as cidades sejam um melhor lugar para viver.

Bairros com uso misto do espaço, um bom sistema de ruas e um sistema de transporte público eficiente tendem a aumentar a atividade física entre os moradores da cidade. Estratégias na concepção de bairros e espaços comunitários incentivam o transporte ativo e a recreação pública, incluindo caminhadas e ciclismo. Parques, playgrounds e praças bem localizados incentivam que a população tenha formas de lazer mais ativo.

A presença de escolas, supermercados, bancas de jornal, papelaria, entre outros, incentiva que os moradores do bairro andem mais. Quando esses locais úteis se encontram a curtas distâncias, as pessoas se locomovem mais a pé e evitam o uso do transporte motorizado. Bairros de uso misto proporcionam melhor qualidade de vida para idosos, mantendo-os ativos e menos presos ao ambiente doméstico. A localização de escolas perto de áreas residenciais incentiva que os alunos andem a pé para a escola, promovendo atividade física diária entre crianças e adolescentes.

Pessoas com acesso próximo a parques são mais propensas a atingir níveis elevados de atividade física. No projeto de parques e espaços abertos, fornecer facilidades como caminhos, pistas de corrida, parques infantis, quadras esportivas, e bebedouros. Na concepção de parques e playgrounds é importante criar uma variedade de ambientes que facilitem atividades físicas em diferentes estações do ano e condições meteorológicas. Por exemplo: áreas protegidas do vento e chuva e zonas sombreadas para uso no verão. Praças e espaços abertos muitas vezes são paradas bem vindas ou lugares de descanso da malha urbana. Eles também oferecem destinos para as pessoas envolvidas no transporte ativo, como caminhar ou andar de bicicleta. A iluminação adequada nas ruas e áreas de lazer é fundamental para aumentar as oportunidades de atividade física de noite.

O desenho urbano pode incentivar a locomoção pé e de bicicleta entre jovens e idosos, com implantação de sistemas seguros, vibrantes, e acessíveis. Ruas seguras encorajam seu uso.

Formas de incorporar a atividade física regular na vida diária podem ser encontradas não apenas ao ar livre, mas no interior dos edifícios também. Escadas bem localizadas, bonitas e confortáveis são uma sinalização motivacional para encorajar seu uso. Edifícios que possuem locais onde é possível realizar exercícios e que contam com chuveiros, vestiários, armazenamento seguro de bicicletas, e bebedouros também incentivam a atividade física.

Outra forma de aumentar a atividade física da população é melhorar o acesso ao transporte público. Uma vez que o uso de transporte público envolve caminhadas até estações de metrô ou pontos de ônibus.

Para desenhar cidades mais ativas é fundamental pensar em um design acessível, ruas feitas para os pedestres com alta conectividade entre si, paisagismo, iluminação, mobiliário urbano. etc.


FontesCidade AtivaNew York City Departments of Design and ConstructionRev. Cult. e Ext. USP


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