Luz azul: o que é, benefícios, danos e como lidar

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Entenda qual é a melhor forma de lidar com a luz azul e como se prevenir de danos à saúde

Luz azul

A luz azul é um intervalo do espectro de luz visível, com comprimento de onda situado entre 400 e 450 nm. Hipoteticamente, se pudéssemos dividir a luz branca em partes, a luz azul seria uma de suas componentes, como na imagem abaixo:

luz azul

Existem fontes de luz azul natural, como o sol, e fontes artificiais, como os equipamentos eletrônicos. A exposição a fontes de luz azul não naturais está se tornando cada vez maior, tendo origem em uma variedade de tecnologias, como computadores, celulares, televisores e lâmpadas.

Grande parte da exposição não natural à luz azul se dá em decorrência da utilização das lâmpadas de LED. Isso porque muitos LEDs brancos são produzidos pelo emparelhamento de um LED azul com um fósforo de energia mais baixa, criando assim a luz de estado sólido (LES). Essa tecnologia tem sido considerada a "iluminação do futuro", pois utiliza pouquíssimos recursos energéticos em comparação às outras tecnologias de lâmpadas e não possui mercúrio.

No entanto, além de causarem poluição luminosa (como acontece com qualquer outro tipo de lâmpada), as lâmpadas LED possuem outros contaminantes em sua composição, como chumbo e arsênio, e têm sido fonte de exposição a luz azul não natural, representando riscos à saúde.

Malefícios da luz azul artificial

Luz azul
Imagem de Hunter Newton/ disponível no Unsplash

Foi demonstrado que a exposição à luz azul artificial afeta a saúde humana. Enquanto a exposição natural à luz azul durante o dia melhora a disposição, o estado de alerta e o humor, a exposição prolongada à luz azul proveniente de tecnologias do cotidiano (principalmente durante a noite) afeta o ritmo circadiano, causando vários efeitos nocivos.

Cientistas acreditam que isso acontece devido à presença de células sensíveis à luz azul na retina, que suprimem a produção de melatonina (importante hormônio que promove o sono).

Efeitos da luz azul na saúde ocular

Em alguns estudos com animais, a luz azul proveniente de fontes de luz LED causou danos nas células fotorreceptoras da retina. A exposição aguda à luz de alta intensidade, como a luz azul, provocou perda de células fotorreceptoras de macacos rhesus e de outras espécies de animais, como ratos, nos quais a iluminação LED causou danos até mesmo em níveis de exposição domésticos.

Entretanto, esses danos variam de acordo com o horário. A intensidade dos efeitos nocivos é de três a quatro vezes maior durante a noite do que durante o dia.

Esses dados levam a uma preocupação significativa sobre o potencial efeito negativo da luz azul nas retinas humanas durante a noite. No entanto, de acordo com o mesmo autor, existem algumas preocupações com relação ao uso de LED azul em práticas como a cromoterapia ou em brinquedos luminosos - nesse último caso porque os olhos de crianças pequenas são mais sensíveis à luz.

Alguns estudos também sugerem que a exposição crônica à luz azul pode aumentar o risco de desenvolvimento de degeneração macular e de outras patologias relacionadas à idade.

Um estudo epidemiológico também mostrou que a exposição à luz solar - uma fonte natural de luz azul - aumenta o risco de alterações maculares precoces. No entanto, essa associação específica dos efeitos da luz azul é difícil de ser avaliada em seres humanos e merece mais estudos.

Além disso, estudos mostraram que a luz azul pode levar à disfunção nas mitocôndrias, que estão presentes em grande concentração nas células ganglionares da retina.

Efeitos no sono e ritmo circadiano

Olhar para uma tela de celular durante a noite pode afetar a capacidade de dormir. Um experimento que avaliou os efeitos da exposição à escuridão, à luz amarela e à luz azul durante a noite, chegou à conclusão de que a luz azul inibe a sonolência, enquanto a luz amarela não apresenta efeitos significativos sobre o sono; e a escuridão promove a sensação de sonolência.

A exposição à luz azul por tempo prolongado, segundo estudo, tem diminuído a média de horas de sono da população nas últimas duas décadas. Adolescentes, que necessitam dormir no mínimo nove horas por noite, têm dormido cada vez menos. Isso pode levá-los a comerem mais, se exercitarem menos e ficarem deprimidos.

Outro estudo concluiu que os adolescentes são mais propensos a apresentar problemas de comportamento e terem dificuldade de concentração durante o dia se passam algum tempo expostos à luz azul de dispositivos eletrônicos.

Uma pesquisa que mediu o efeito de iPads mostrou que, após uma hora de uso do aparelho, não houve mudança notável na melatonina (o hormônio do sono). Entretanto, após duas horas de exposição à luz do iPad, os níveis do hormônio do sono diminuíram drasticamente. Foi constatado que a luz azul afeta mais os adolescentes do que os adultos. Os adolescentes ficaram mais alertas e acordados em comparação aos adultos, mesmo quando expostos a apenas um décimo da luz azul a que os adultos foram expostos. Em outro estudo, um grupo de pessoas passou uma semana acampando ao ar livre sem nenhum dispositivo de luz azul. No final da semana, o ritmo circadiano de todo o grupo acompanhava o nascer e o pôr do sol.

O uso de computadores e celulares nas horas imediatamente anteriores à hora de dormir pode levar a menos horas de sono profundo. Ficar acordado até tarde para estudar para uma prova pode parecer prudente, mas pesquisas descobriram que a prática pode realmente impedir a retenção de memória. Um estudo clínico psicológico descobriu que os alunos que conseguiam dormir mais cedo e dormir mais recebiam notas melhores do que os alunos que dormiam menos.

Como se proteger durante a noite?

Como vimos, a exposição à luz azul natural durante o dia é benéfica para a saúde e ajuda a manter o organismo acordado. Por isso, devemos nos expor a ela durante o dia. Entretanto, conforme vai escurecendo, o ideal é que o corpo seja exposto cada vez menos a esse tipo de iluminação.

Para evitar a exposição à luz azul durante a noite, reduzindo o risco de desenvolvimento de doenças e condições como insônia, tem sido recomendado o uso de óculos amarelos ou com filtro de luz azul; lâmpadas incandescentes; filtros de luz azul para aparelhos eletrônicos; luz do fogo e redução na utilização de dispositivos eletrônicos ao escurecer. Entretanto, é preciso ficar atento à pegada ambiental de cada uma dessas tecnologias, pois o fogo e as lâmpadas incandescentes, por exemplo, consomem muitos recursos energéticos.

Uma forma de evitar muito gasto energético é utilizar lâmpadas LED brancas - que emitem luz azul - durante o dia (mas tentando aproveitar a iluminação natural do dia ao máximo) e à noite ligar versões de lâmpadas com luminosidade mais amarelada. Para isso, planeje a iluminação da sua casa de maneira inteligente.

De acordo com um estudo publicado na plataforma PubMed, outra maneira de aumentar a proteção contra os efeitos danosos da luz azul é consumir alimentos ricos em luteína e zeaxantina, como o agrião, a chlorella, a abóbora e o kiwi.

É preciso repensar a utilização da luz artificial

A poluição luminosa representa uma enorme ameaça à qualidade de vida. Isso porque a vida humana como a conhecemos levou milhares de anos para evoluir e desenvolver um ritmo biológico adaptado à iluminação natural. Durante a noite, a partir do pôr do sol, a temperatura do corpo diminui, assim como o metabolismo e a fome; enquanto a sonolência e o nível de melatonina no sangue aumentam.

A luz azul, de comprimento de onda curto, é a mais eficiente para suprimir a melatonina e retardar a fisiologia noturna; enquanto isso, a luz mais longa e mais escura - amarela, laranja e vermelha, de uma fogueira ou de uma vela, por exemplo - tem pouquíssimo efeito sobre os níveis de melatonina.

A luz brilhante do sol contém luz azul, o que é um benefício de manhã, quando precisamos estar alertas e despertos. Entretanto, se nos expormos à luz azul depois do pôr do sol, enganamos nosso organismo, fazendo ele trabalhar como se fosse dia.

De acordo com o atlas da Nasa, a Via Láctea não pode ser vista à noite por um terço da humanidade. Na Europa, não é visível para 60% das pessoas e, na América do Norte, para 80%. O "pesadelo luminoso" vigente é análogo ao frenesi de construção de estradas, que teve como objetivo resolver o problema do congestionamento nos Estados Unidos.

Mas as estradas acabaram por aumentar o congestionamento e a poluição, incluindo a poluição luminosa. A solução foi construir uma rodovia maior, fazendo com que mais pessoas usassem carros, a ponto de haver mais congestionamentos do que antes da nova estrada.

Para entender o fenômeno, os economistas desenvolveram o conceito de "demanda induzida" - na qual a oferta de uma commodity realmente cria demanda para ela. Assim, quanto mais estradas se constroem, mais pessoas as usam, o que resulta em mais congestionamento. De maneira análoga à utilização de estradas, uma produção e utilização de energia mais eficiente, sem educação, administração e regulação pública eficazes, pode agravar o problema da poluição luminosa.

Para o desenvolvimento da sociedade, é preciso levar a sério o direito à noite e ao escurecer. Assim como deve ser com a poluição da água e do ar, é preciso repensar a poluição luminosa causada pela luz artificial.



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