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Embora comumente usada como droga, a ketamina pode ser utilizada na medicina na fabricação de medicamentos para depressão

A ketamina, ou cetamina, é uma substância usada como anestésico animal que teve sua origem na Bélgica na década de 60. A partir de sua descoberta no meio veterinário, pesquisas foram capazes de comprovar seu efeito em seres humanos, transformando-a em um sedativo e anestésico comum no mundo médico. Entretanto, após sua aprovação nos Estados Unidos na década de 70, a substância começou a ser usada como droga recreacional ilícita. 

O boom do uso recreacional da ketamina ocorreu durante os anos 80, como uma “droga de festa” vendida como ecstasy. Ela também foi popularizada como uma droga do estupro, agindo como sedativo. 

O uso medicinal da ketamina além do uso anestésico começou a ser explorado nos anos 2000 a partir de uma pesquisa iniciada na Universidade de Yale. Nesse estudo, pesquisadores analisaram o poder antidepressivo da substância. Desde então, médicos utilizam a ketamina como um tratamento para a depressão e outras condições mentais. 

No Brasil, o uso da ketamina é legal como anestésico e analgésico e em alguns medicamentos para o tratamento de depressão, como regulamentado pela a Anvisa.

A droga

Como droga dissociativa, a ketamina atua em substâncias químicas no cérebro, produzindo distorções auditivas e visuais e reproduzindo efeitos similares a alguns alucinógenos, como o LSD. Por outro lado, ela também pode sedar, incapacitar e causar perda de memória recente em algumas pessoas. 

A droga pode ser injetada, cheirada ou consumida oralmente e pode levar à overdose e até a morte. Além disso, ela pode ser utilizada em conjunto com outras substâncias como a cocaína, MDMA e anfetaminas. 

Não existe uso seguro e controlado da ketamina como droga recreacional. A sua utilização deve ser inteiramente prescrita por especialistas da área de saúde, dentro dos padrões aceitos pela Anvisa — como anestésico, analgésico e outros tipos de medicamentos. 

Efeitos

Contudo, o seu uso recreacional ainda é procurado por seus efeitos, que podem variar de acordo com diversos fatores como saúde, peso, quantidade tomada, força da droga e costume. Entre os possíveis efeitos da ketamina estão: 

  • Alucinações visuais e auditivas
  • Confusão
  • Ansiedade, pânico e violência
  • Sentir-se separado do seu corpo
  • Felicidade e relaxamento
  • Batimentos cardíacos acelerados
  • Pressão arterial alta
  • Vômito
  • Fala arrastada e visão turva
  • Menor sensibilidade à dor

Abuso 

O uso constante e frequente da ketamina como droga ilícita não regulamentada pode contribuir para alguns sintomas, incluindo a síndrome da bexiga de ketamina — uma condição caracterizada pela dificuldade em segurar a urina e incontinência, que pode causar ulceração na bexiga. Além disso, outros problemas derivados do abuso da substância são: 

  • Flashbacks
  • Mau olfato (pela inalação)
  • Mudanças de humor e personalidade, depressão
  • Memórias, pensamentos e concentração fracas
  • Dor abdominal
  • Tolerância à droga
  • Função anormal do fígado ou dos rins

Overdose

Em quantidades altas, a substância pode resultar em overdose. O risco de morte para a overdose de ketamina é pequena, uma vez que ela induz a sedação sem maiores efeitos nas vias aéreas. 

Entretanto, a sua overdose também pode causar sequelas e deve ser tratada com o auxílio médico. Ao conseguir identificar uma overdose de ketamina, ligue para uma ambulância ou procure atendimento médico imediatamente. Alguns sintomas a serem procurados são: 

  • Incapacidade de locomoção
  • Músculos rígidos
  • Batimentos cardíacos acelerados e pressão alta
  • Convulsões 
  • Inconsciência 

Uso médico 

Dentro da medicina, a ketamina é usada em doses regulamentadas como sedativo e anestésico durante alguns procedimentos cirúrgicos. Além disso, ela também pode ser usada como analgésico no tratamento da dor. 

Imagem de Sharon McCutcheon no Unsplash

Tratamento de depressão 

Desde o primeiro ensaio clínico randomizado realizado por Yale, a ketamina é estudada por seus efeitos antidepressivos. Em 2019, por exemplo, seu uso foi reconhecido e regulado pelo Food and Drug Administration dos Estados Unidos. 

Já no Brasil, a regulamentação de antidepressivos à base de ketamina ocorreu em 2020, com um medicamento inalável capaz de ajudar no tratamento da depressão. 

Embora o tratamento com ketamina seja regulamentado, o uso de outros antidepressivos ainda é mais comum. Especialistas recorrem à medicamentos à base dessa substância em poucos casos, preferindo métodos convencionais. 

A Administração de Repressão às Drogas dos Estados Unidos alega que a substância tem um potencial moderado a baixo de dependência física e psicológica.

Tratamento de estado de mal epiléptico (EME)

O estado de mal epiléptico é uma forma do estado epiléptico — convulsões que duram mais de cinco minutos ou mais de uma convulsão em menos de cinco minutos — que não responde à maioria dos medicamentos no mercado. Uma pesquisa de 2015 indicou que a ketamina pode ser usada efetivamente no tratamento do EME.

Efeitos adversos

Em doses prescritas, os efeitos colaterais da ketamina envolvem: 

  • Sonolência
  • Visão turva
  • Confusão
  • Náusea
  • Vômito
  • Tontura
  • Sensação de desconforto

Vício 

Fora do uso clínico, a ketamina é proibida por lei. Seus efeitos, embora, muitas vezes rápidos, podem afetar permanentemente a mente humana, desencadeando problemas maiores e dependência psicológica. 

Se estiver sob o efeito da substância, procure ajuda. Confira o site dos Narcóticos Anônimos para mais informações sobre reuniões ou acesse sua linha de ajuda.