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A contaminação por mercúrio é uma ameaça tanto para a saúde quanto para os ecossistemas

O mercúrio é um metal líquido e pesado que, sob condições normais, é encontrado em baixas concentrações no ambiente. Ele é naturalmente liberado devido a processos erosivos e erupções vulcânicas.

A contaminação ambiental por mercúrio é, portanto, resultado de ações humanas que envolvem este elemento. As principais fontes antropogênicas de mercúrio são:

  • Queima de carvão, petróleo e madeira: o processo libera o mercúrio contido nesses materiais;
  • Fabricação de produtos que utilizam a substância como matéria-prima, como termômetros e lâmpadas fluorescentes;
  • Descarte inadequado do mercúrio após a sua utilização em processos industriais, como produção de cloro-soda;
  • Descarte incorreto de produtos eletroeletrônicos contendo mercúrio;
  • Mineração do ouro, na qual a substância é usada para facilitar o processo de separação de partículas.

O Brasil não produz mercúrio, pois não tem reservas de cinabre (forma comercialmente explorada de mercúrio). Por isso, o País o importa principalmente dos EUA e da Espanha. Segundo o estudo da Universidade Federal Fluminense, as principais fontes de contaminação ambiental pela substância no Brasil são os efluentes industriais da fabricação de soda cáustica e a mineração do ouro na região Amazônica.

As queimadas de grandes áreas florestais na região Amazônica são apontadas no relatório do Ministério do Meio Ambiente como uma fonte significativa de emissões de mercúrio no País. Além disso, existe a problemática da contaminação do solo devido ao descarte incorreto de produtos que contêm a substância, englobada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Formas em que o mercúrio se apresenta:

Mercúrio elementar, ou metálico (Hgº)

A maior parte das emissões atmosféricas da substância ocorre na forma de mercúrio metálico ou elementar. Essa forma do metal é bastante estável, o que permite que seja transportado por longas distâncias. Além de permanecer no ambiente por um longo período.

Principais usos –  usado como matéria-prima de produtos como:

  • Termômetros
  • Barômetros (aparelhos para medir a pressão) 
  • Esfigmomanômetros (aparelhos para medir a pressão sanguínea)
  • Lâmpadas fluorescentes
  • Interruptores elétricos e eletrônicos
  • Aparelhos industriais (termostatos e pressostatos)
  • Amálgamas para uso odontológico; e em atividades de mineração.

Vias de exposição: a exposição humana ao mercúrio metálico ocorre principalmente por da inalação de vapores em consultórios odontológicos, fundições e locais nos quais houve a liberação de mercúrio. Assim, as pessoas que estão mais expostas a essa forma de mercúrio são os trabalhadores do setor odontológico e de fábricas que fazem uso do mercúrio.

Consequências da contaminação: a inalação de altas concentrações de vapor de mercúrio metálico pode causar dano aos pulmões. E a inalação crônica proporciona distúrbios neurológicos, problemas de memória, erupções cutâneas e insuficiência renal. É possível identificar a intoxicação pela substância elementar via exame de urina.

O mercúrio elementar se liga a outros elementos, originando outras duas formas de mercúrio: os compostos orgânicos e os inorgânicos.

Metilmercúrio [CH₃Hg]⁺ (composto orgânico)

O metilmercúrio é apenas um dos representantes dos compostos orgânicos de mercúrio, no entanto, é considerado o mais importante devido à alta toxicidade para o organismo humano.

Ele é produzido a partir da substância elementar é sintetizado por bactérias presentes em ambientes aquáticos como resultado do processo de detoxificação. Neste evento, o mercúrio (Hg) se liga a um grupo metila (um carbono ligado a três hidrogênios- CH₃).

O metilmercúrio é incorporado ao ecossistema aquático e vai se acumulando no tecido dos organismos. Quanto mais alta for a posição do organismo na cadeia alimentar, maior será a concentração de metilmercúrio em seu organismo.

Portanto, ao consumir peixes que ocupam o topo da cadeia alimentar (salmão, atum, truta e outros), o indivíduo está possivelmente ingerindo um alimento contaminado por metilmercúrio. Como consequência,ele se intoxica.

Principais usos: não existe uso industrial ou comercial para o metilmercúrio.

Vias de exposição: ingestão de água e peixes contaminados por metilmercúrio.Consequências da contaminação: a ingestão de metil-Hg causa danos ao sistema nervoso central. Mas também disfunções neurais, e em casos graves, leva à paralisia e à morte.

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Peixes contaminados por mercúrio: ameaça ao ambiente e à saúde

Mercúrio inorgânico

O mercúrio inorgânico é representado por um conjunto de sais minerais e compostos. Estes são formados pela ligação da substância com elementos como o enxofre e o oxigênio.

Principais usos: 

  • Fabricação de baterias; T
  • Tintas e sementes; 
  • Biocidas na indústria de papel, 
  • Antisséptico; reagentes químicos; 
  • Tintas protetoras de cascos de navio; 
  • Pigmentos e corantes.

Vias de exposição: a principal via de exposição é ocupacional – quando os trabalhadores entram em contato com o mercúrio inorgânico por meio da inalação e do contato dérmico. Outra via de exposição a ser considerada é a ingestão de produtos farmacêuticos e o consumo de alimentos contaminados.

Consequências da contaminação: o contato com a derme causa erupções cutâneas, e a ingestão de alta concentração da substância inorgânica causa irritação e corrosão do sistema digestivo. Assim como o elementar, a intoxicação por mercúrio inorgânico pode ser identificada através do exame de urina.

Sintomas de intoxicação por mercúrio

Nos seres humanos, o contato com mercúrio pode causar desde sintomas leves. Como coceira e vermelhidão na pele e nos olhos, até interferências graves no metabolismo celular, em caso de exposição prolongada. Conheça os principais sintomas de intoxicação por mercúrio:

  • Febre
  • Tremores
  • Reações alérgicas na pele e nos olhos
  • Sonolência
  • Delírios
  • Fraqueza Muscular
  • Náuseas
  • Cefaleia
  • Reflexos Lentos
  • Memória falha
  • Mau funcionamento dos rins, fígado, pulmão e sistema nervoso

Descarte de produtos que contêm mercúrio

De acordo com o Relatório Preliminar sobre Mercúrio no Brasil, o setor eletroeletrônico gera uma quantidade expressiva de resíduos. Principalmente baterias, pilhas e celulares, que normalmente são descartados em aterros sanitários sem o devido tratamento.

Uma medida que visa reduzir este problema é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010. Dentre muitos pontos, define a obrigatoriedade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de pilhas e outros produtos eletroeletrônicos em estruturar e implementar sistemas de logística reversa. Isso mediante o retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, que vão além do serviço público de limpeza urbana e do manejo de resíduos sólidos.

No entanto, cabe ao consumidor colaborar com o processo. O Ministério do Meio Ambiente apresenta em seu relatório dados da ANEEL que afirmam que somente 2% dos brasileiros entregam os aparelhos eletroeletrônicos para reciclagem.

Caso você tenha dificuldade em saber como e onde descartar estes produtos, o Portal eCycle te ajuda. Encontre postos de coleta no mecanismo de busca gratuito do Portal eCycle.

Vídeo do canal Pesquisa Fapesp

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