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Poluentes da indústria farmacêutica podem provocar alteração das funções reprodutivas em animais e humanos

A indústria farmacêutica é responsável pela produção de medicamentos, essenciais para o tratamento de doenças e sintomas. Esses medicamentos são utilizados para o tratamento em humanos, mas também em animais, principalmente na agropecuária.

Apesar da sua importância, os fármacos têm substâncias químicas prejudiciais para o meio ambiente e para os próprios animais. Além disso, eles são poluentes persistentes, portanto não são completamente eliminados da água durante o tratamento de esgoto e efluentes.

Contaminação por medicamentos

Os medicamentos, quando liberados no meio ambiente por meio da urina, por exemplo, contaminam o solo e a água, entram na cadeia alimentar e afetam os ecossistemas e a saúde humana. A presença de medicamentos no ambiente aquático pode alterar as funções dos animais, prejudicando a reprodução e o tempo de vida da espécie.

De acordo com um estudo, os fármacos são encontrados tanto em ambientes aquáticos naturais, como rios e lagos, quanto em Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Essa contaminação acontece por conta do descarte incorreto de medicamentos no ambiente e por substâncias dos medicamentos que são liberadas pelo organismo após o tratamento, por meio da urina e das fezes. Dessa forma, essas substâncias são liberadas na água do esgoto, contaminando-o.

Os medicamentos são de difícil degradação, por isso, quando contaminam o ambiente tendem a permanecer nele por longos períodos. Assim, o ambiente se mantém contaminado, sendo necessário um tratamento específico na água para a retirada dessas substâncias. Entretanto, o tratamento requer uma tecnologia de alto custo e de difícil acesso. Entenda mais no vídeo:

Os fármacos são considerados poluentes emergentes. Poluente emergente é qualquer substância química presente no dia a dia das pessoas, encontrada em ambientes naturais. Esses poluentes não são eliminados pelo sistema de tratamento de água. Confira alguns tipos de medicamentos e seus impactos ao meio ambiente:

Antibióticos

No caso de antibióticos, além da contaminação hídrica, pode ocorrer a resistência de micro-organismos, dando origem a organismos resistentes ao medicamento, como as superbactérias. O antibiótico é amplamente usado para o tratamento de doenças humanas e de animais na agropecuária e em animais domésticos. 

Na medicina veterinária, os antibióticos são utilizados principalmente na criação de gado. Dessa forma, o antibiótico é também um poluente da atividade agropecuária. Os antibióticos são utilizados na criação de aves, porcos e na aquicultura. Esta última atividade contribui para o contato direto do fármaco com a água.

O efeito dos antibióticos no ambiente terrestre é pouco estudado. Entretanto, uma pesquisa indicou que os antibióticos podem estar relacionados com alteração no desenvolvimento de espécies vegetais, além de serem bioacumulados no organismo de animais. No solo, esses medicamentos provocam uma mudança na atividade microbiana, bem como a resistência de bactérias.

Uma forma de reduzir a contaminação de antibióticos no meio ambiente é a redução do consumo de carne. Uma dieta baseada em alimentos veganos é livre de antibióticos, sendo uma opção mais saudável para o corpo humano e para o meio ambiente.

Anticoncepcionais

Os anticoncepcionais são medicamentos que contêm estrogênio, um hormônio sexual feminino. Dessa forma, o medicamento tem a capacidade de alterar a função reprodutiva de animais, como peixes e crustáceos. O estrogênio promove a feminilização desses animais, fazendo com que a espécie tenha um número maior de fêmeas do que de machos, afetando a reprodução da espécie.

Entretanto, os humanos também são prejudicados pela contaminação de medicamentos. Apesar do tratamento de água, os hormônios desses fármacos se mantêm na água tratada. Assim, os estrogênios são consumidos pelas pessoas, quando bebem água ou cozinham alimentos. 

Os efeitos disso na saúde podem ser o desenvolvimento de ovário policístico e de doenças carcinogênicas, como câncer de mama. Em homens, o consumo desses hormônios pode provocar câncer de próstata e testicular, além da diminuição da fertilidade.

É importante não descartar nenhum tipo de medicamento na privada nem no lixo comum. Ainda assim, esses produtos vão parar no esgoto por meio da urina. 

Medicamentos quimioterápicos

Fármacos utilizados no tratamento quimioterápico, como imunossupressores e antineoplásticos, são mutagênicos, o que pode levar à formação de tumores secundários nas pessoas. Além disso, os medicamentos podem afetar células humanas do paciente que ingeriu o medicamento e de futuras gerações. Outros efeitos são irritações na pele, maior chance de aborto, náusea, cefaléia e tontura.

De acordo com um estudo, os medicamentos antineoplásicos são encontrados em efluentes hospitalares, corpos hídricos, esgoto e em águas tratadas. Esses quimioterápicos são de difícil degradação, permanecendo por anos no ambiente.

Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios são os medicamentos mais prescritos e consumidos pelas pessoas, e, portanto, são encontrados em grandes concentrações nas águas residuais. Anti-inflamatórios, como o ibuprofeno e o diclofenaco, podem provocar problemas renais e hematológicos em espécies aquáticas.

Embalagens de medicamentos

As cartelas e frascos que entram em contato com os medicamentos são potenciais poluidoras do meio ambiente. Isso porque essas embalagens são contaminadas com o medicamento e, quando descartadas no lugar errado, vão para o meio ambiente e contaminam corpos hídricos.

As embalagens que entram em contato com o medicamento e, portanto, estão contaminadas, são denominadas de embalagens primárias. Elas devem receber um cuidado redobrado para evitar a contaminação.

Outro problema do descarte incorreto dessas embalagens é a poluição que elas mesmas provocam, ainda que não estivessem em contato com os fármacos. As embalagens são feitas de plástico, alumínio e vidro, por isso seu  descarte incorreto contribui para a poluição ambiental.

As embalagens que não estão em contato direto com o fármaco, também chamadas de embalagens secundárias, não apresentam risco de contaminação por fármacos,  e por isso podem ser destinadas para a reciclagem comum da coleta seletiva.  

Como realizar o descarte correto?

As embalagens secundárias podem ser destinadas a postos de reciclagem para serem recicladas normalmente de acordo com o seu material (vidro, papel, plástico). Entretanto, no caso de medicamentos e embalagens primárias, o descarte é realizado de outra forma.

Para realizar o descarte de medicamentos vencidos e suas embalagens primárias, o ideal é juntar todos os produtos e levá-los a uma drogaria ou um posto de saúde. Nesses locais, os medicamentos, cartelas e frascos serão descartados corretamente, evitando a contaminação do meio ambiente e de pessoas. Saiba mais no vídeo:

Destinação dos medicamentos descartados

A Resolução RDC nº306/04 estabelece critérios de seleção e identificação das embalagens de medicamentos. Assim, é possível dar a atenção necessária para cada embalagem de acordo com o risco de contaminação de cada medicamento. Além disso, o descarte de todos os fármacos e suas embalagens contaminadas é de responsabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como postos de saúde, hospitais e drogarias.

Após levar esses resíduos para o posto de saúde ou drogaria, eles são geralmente destinados à incineração. Um projeto realizado na Europa, que visa aplicar a logística reversa no descarte de fármacos, indica que a incineração pode ser utilizada como fonte de energia para as residências, uma vez que produz calor e iluminação. Além disso, o projeto conta com sistemas de tratamento para as emissões de poluentes liberados pela atividade. 

Entretanto, geralmente a incineração provoca efeitos negativos ao meio ambiente, como a emissão de poluentes atmosféricos. Assim, essa prática contribui para a redução da qualidade do ar e, consequentemente, para o aumento de problemas respiratórios na população.

Outra destinação para os medicamentos e embalagens primárias é o coprocessamento, prática de fabricação do clínquer, matéria-prima para o cimento, a partir desses resíduos. O coprocessamento consiste na desagregação dos resíduos a partir do uso de calor. Uma vez destruídos, a energia gerada nesse processo é recuperada e o produto final é utilizado para a produção de cimento.