Low Poo e No Poo: o que é e como fazer

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Técnicas "no e low poo" utilizam shampoo com sulfatos leves ou sem essa substância

low poo
Imagem de João Silas disponível no Unsplash

Low poo e No poo são técnicas menos agressivas aos cabelos, principalmente os cacheados, crespos, enrolados e encaracolados.

Mas antes de falarmos sobre low poo e no poo vamos conhecer a história de uma pessoa muito importante, a Lorraine.

Lorraine nunca entendeu que obra do destino fez com que ela, de todos os sete irmãos, fosse a escolhida para ter um cabelo cacheado enquanto os outros corriam com as madeixas lisinhas pela casa. Nas festas de pijama das amigas, ela ia dormir com rolos nos cabelos e uma vez pediu de aniversário pra mãe uma peruca de cabelo liso e uma saia de palha para fingir que era uma dançarina polinésia. Não chega a ser uma surpresa dizer que, quando Lorraine cresceu, tornou-se cabeleireira.

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A trajetória de Lorraine Massey, criadora da marca exclusiva para cabelos cacheados Deva Curl e criadora dos conceitos No Poo e Low Poo, começou com essa relação de amor e ódio com sua cabeleira; era preciso arrumar primeiro a cabeça antes de tentar arrumar os cabelos. Ao ouvir de um pretendente que seu cabelo estava "parecendo as costas de um babuíno", ela deu um basta. Aquela foi a gota d’água que molhou a última escova na sua cabeça.

Após abrir um salão especializado e escrever um livro sobre o assunto, Curly Girl: the Handbook" ("Garota Cacheada: o manual", em tradução livre), montou, com seu parceiro Denis da Silva (sim, brasileiro), a linha de produtos No Poo e Low Poo, que fazem uso da técnica que vamos explicar agora.

O que é?

Os cabelos lisos têm facilidade para distribuir a oleosidade natural do couro cabeludo até as pontas, por esse motivo eles não ressecam muito nem têm o famoso arrepiado (frizz) dos cabelos com cachos. O formato espiralado ou anelado desses cabelos cria uma distância maior para a oleosidade percorrer até chegar à ponta. A indústria cosmética costuma utilizar um agente altamente limpante, chamado sulfato agressivo (como o lauril sulfato de sódio), pois na hora de lavar o cabelo, para a maioria das pessoas, bastante espuma é sinônimo de limpeza. De fato, eles limpam as impurezas do dia a dia, no entanto, também retiram a proteção natural do cabelo, o que pode trazer duas consequências: para os que já têm a oleosidade garantida, o corpo entende como "falta" dela e passa a produzir ainda mais (o chamado efeito rebote); e para os que têm falta dela, como indivíduos de cabelo cacheado, a consequência é um ressecamento fora do normal.

Mas depois não é só passar o condicionador no cabelo e fica tudo certo?

Até ficaria se os cremes usados não tivessem derivados de petróleo. Esses petrolatos são matéria-prima barata para os produtos e, aparentemente, conferem brilho e sedosidade aos cabelos, mas, como são artificiais, eles encapam o fio com uma película impermeável. Como o fio está encoberto, nenhuma substância que trata o cabelo poderá penetrar nas camadas microscópicas internas que o constituem, e o ressecamento que o sulfato causa não é reparado.

No Poo e Low Poo são técnicas em que não se usam sulfatos agressivos, apenas sulfatos mais leves e outros agentes limpantes que retiram as impurezas, mas não afetam a boa oleosidade, cheia de nutrientes e natural do couro cabeludo. Outra premissa básica da técnica é que ela evita o uso de petrolatos presentes nos cremes e condicionadores, deixando o fio livre para que agentes vitais possam agir profundamente, como ceramidas, queratina, hidratantes, entre outros, conferindo um brilho que vem da saúde das madeixas. Todos os tipos de cabelo têm resultados positivos diante do tratamento - os oleosos (e também os que sofrem com caspa) interrompem o efeito rebote do shampoo agressivo, e os ressecados passam a conservar a hidratação que era interrompida.

A nomenclatura "poo" provém de "shampoo". "No" quer dizer "não" e "low" quer dizer "pouco". Traduzindo, o significado seria algo como "sem shampoo" e "pouco shampoo". Aqui no Brasil, os nomes se referem à baixa quantidade de detergente usada, porém, em outros lugares do mundo, o método significa uma rotina de nenhum ou pouco shampoo, literalmente.

Se você escolher aderir ao No Poo, não usará shampoo puro na lavagem (já o Low Poo usa), nem silicones insolúveis em água. Como assim, nunca mais lavar a cabeça? Não, pelo contrário, buscar a conservação da leveza dos fios. Um dos principais agentes limpantes do método No Poo é chamado Coco-amidopropil Betaína (presente em alguns shampoos, mas pode ser comprado separadamente como "Anfótero Betaínico"), além do bicarbonato de sódio e do limão. Como não se utilizam silicones que impregnam no fio, apenas os que saem com água, não há acúmulo ou sujeira excessiva. Então, ao invés de shampoo, nas lavagens se utiliza um condicionador de composição leve com uma pequena proporção de shampoo ou do anfótero (um surfactante) citado acima, para limpar e fazer espuma. O nome desse processo é co-wash, do inglês conditioner washing ou "lavagem condicionante", que limpa e hidrata ao mesmo tempo. Existe ainda a opção de não utilizar o anfótero: o próprio condicionador pode possuir agentes limpantes como menta, hortelã ou canela. Esses ingredientes podem ser acrescentados manualmente ao frasco do produto.

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A saúde e o meio ambiente

Usar nos cabelos substâncias derivadas de petróleo, além de não hidratar os cabelos de verdade (pois cria apenas uma impermeabilização nos fios, como já foi dito), pode trazer consequências ruins para a saúde humana e para o meio ambiente.

Alguns dos itens citados são tidos como potencialmente cancerígenos pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc). Passá-los na sua cabeça todos os dias pode não ser uma boa ideia. Saiba mais sobre eles na matéria: "O que são petrolatos e por que é bom você conhecê-los?".

Sem contar que algumas dessas substâncias possuem função detergente. Como o shampoo e o condicionador são despejados em rios e corpos d'água após percorrerem tubulações de esgoto, provocam a eutrofização (aumento de matéria orgânica na superfície), que impede a passagem da luz solar em tais locais, o que prejudica muito a fauna e toda a biodiversidade aquática.

Certo, então como colocar uma dessa técnicas em prática?

Primeiro, lembre-se dos termos repetidos aqui: sulfatos e petrolatos. É preciso ler os rótulos dos produtos e não utilizar essas substâncias. Se você pretende seguir com o tratamento, saiba que é muito provável que seu cabelo tenha petrolatos nos fios, então é necessário lavar uma última vez com shampoo de sulfato agressivo, por ser o único capaz de limpar esse composto, para então passar a fazer uso dos produtos permitidos.

A lista completa com a relação de todos os compostos relevantes, compilada graças a adeptos das técnicas Low Poo e No Poo dedicados a disseminar esse conhecimento para o benefício do maior número de pessoas possível, se encontra aqui.

Não estranhe se, no início, o aspecto do seu cabelo piorar, essa é a real condição em que ele estava, mas que o silicone disfarçava com aquele brilho impermeável, contudo, com os cuidados certos, ele vai se renovar. O uso de óleos vegetais 100% puros também é muito benéfico e você pode encontrá-los na Loja eCycle.


Veja também:


 

Comentários  

 
+2 #1 2015-02-12 00:08
Melhor matéria já feita sobre esse assunto. Parabéns forevermente.
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+5 #2 2015-02-12 00:17
Primeira vez que vejo uma matéria tão completa e esclarecedora sobre a técnica. Muitas pessoas pensam que nós adeptos somos porcos e tudo mais, quando na verdade, só aprendemos a cuidar dos nossos cabelos da maneira que mais o beneficia. Não nos deixamos enganar por propagandas, pra saber se o produto é realmente bom basta ler a composição!
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+2 #3 2015-05-20 13:21
Que texto ótimo!!!
Ficou muito bom mesmo, nada cansativo e bem fácil de entender para quem ainda não tinha ouvido falar das técnicas.
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