Florestas: as grandes provedoras de serviços, matérias-primas e soluções

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Às vezes esquecemos a importância das florestas, mas elas fornecem diversos serviços ecossistêmicos

Serviços ecossistêmicos das florestas

As florestas proporcionam um tipo de riqueza muito importante para a humanidade, os chamados serviços ecossistêmicos, que são diversos benefícios, como alimentos, matéria-prima, belas paisagens, regulação do clima, biodiversidade, turismo e por aí vai.

Um ecossistema indispensável que está interligado com a maioria dos demais é o das florestas. Elas cobrem apenas 30% do planeta Terra, mas cerca de 80% de todos os seres vivos terrestres vivem nesse tipo de ambiente. As áreas verdes, principalmente as matas nativas, realizam um papel fundamental nas quatro categorias dos serviços ecossistêmicos: provisão, regulação, cultural e suporte (saiba mais sobre esse tema na matéria: "O que é Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e como ele funciona?"). As florestas são responsáveis por regular diversos fatores como preservação e controle de sistemas hídricos, erosão, qualidade do solo, controle climático, proteção da biodiversidade, entre outros.

Água

A vegetação das florestas está diretamente relacionada com áreas produtoras de água, como bacias hidrográficas que possuem área vegetada e oferecem maior contribuição para a produção de água de qualidade (entenda mais sobre o tema na matéria: "Florestas são essenciais para o futuro e estabilidade do clima global").

As florestas mantêm o bom funcionamento dos fluxos de água, pois são responsáveis por retornar parte da água da chuva para a atmosfera. Quando chove, uma parcela da água fica retida nas copas e evapora, enquanto outra parte é absorvida pelas raízes e utilizada pelas árvores e também evapora por meio da transpiração das plantas - esse fenômeno é chamado de evapotranspiração. Com esse sistema, as florestas devolvem parte da água para a atmosfera para continuar o ciclo hidrológico.

E o restante da água? O sistema radicular das árvores (suas raízes) e a matéria orgânica depositada no solo aumentam a sua porosidade e, consequentemente, a infiltração do restante da água é facilitada. A água infiltrada é armazenada nas camadas internas do solo e em formações rochosas que agem como uma esponja, liberando a água gradualmente pelo lençol freático. Esse controle feito pelas florestas estabelece uma vazão regular ao longo do ano, evitando enchentes ou secas.

As florestas também controlam a composição química da água pela filtragem física e biológica, melhorando sua qualidade e dispensando altos gastos com tratamento de água.

Solo

Além da interceptação das gotas de chuva pelas copas das árvores, o solo das florestas é coberto por uma camada de folhas e galhos (serrapilheira) que diminui a força de impacto da chuva no solo. Como já citado anteriormente, a vegetação proporciona uma boa infiltração de água no solo, ao passo que em uma área desmatada a água da chuva escoa diretamente pelo solo em uma velocidade maior e sem muita permeabilidade, carregando sedimentos e causando enchentes.

A serrapilheira e a sombra das árvores das florestas mantêm a umidade no local, evitando o ressecamento do solo. A vegetação é um dos principais fatores de estabilização de encostas e de controle de erosão; seu sistema radicular funciona como uma rede, firmando os grãos do solo, evitando movimentos de massa. Mesmo em áreas vegetadas, a erosão ocorre naturalmente, em uma taxa de cerca de 162 kg/ha/ano, mas em cidades como São Paulo, onde há poucas áreas verdes, a taxa de erosão aumenta muito, variando de 6,6 t/ha/ano a 41,5 t/ha/ano! Todos esses fatores auxiliam no controle da erosão e no carregamento de sedimentos para corpos d’água, evitando deslizamentos e assoreamentos.

Controle climático

A interação entre florestas e o clima acontece pela contribuição em temperatura, radiação solar, precipitação e intervenção na composição de gases na atmosfera. A cobertura vegetal influencia em absorção, reflexão e transmissão de luz solar na superfície terrestre. As copas das árvores interceptam a luz do sol, absorvendo ou refletindo, e assim alteram a quantidade e a intensidade da radiação que chega ao solo; isso mantêm a umidade e deixa a temperatura mais amena. É exatamente por esses motivos que, quando estamos dentro de uma área verde, sentimos o clima mais fresquinho.

As florestas têm capacidade de diminuir a temperatura máxima e aumentar a temperatura mínima diariamente, tornando a temperatura mais constante, além de servirem como uma barreira para o vento. Em uma escala menor, as árvores regulam microclima e umidade. Em regiões urbanas, a temperatura cai entre 2°C a 8°C nas áreas vegetadas.

Por meio da fotossíntese, as florestas são capazes de armazenar carbono, que fica retido em seus tecidos. Uma árvore é capaz de absorver 15,6 quilos de carbono e de outros poluentes em um ano (saiba mais sobre o tema na matéria: "Qual é o valor de uma árvore?"). Por outro lado, o desmatamento, principalmente devido a queimadas (método mais comum), causa a liberação do CO2 acumulado na biomassa das árvores e de material particulado, que prejudica a qualidade do ar. Florestas saudáveis capturam gases poluentes em grandes quantidades e contribuem para o controle climático e para a qualidade do ar. Grandes florestas como a Amazônia afetam o clima global, e florestas menores afetam o microclima local.

Biodiversidade

As florestas são o berço da biodiversidade de animais e plantas e são responsáveis por fornecer os subsídios necessários para sua sobrevivência. Elas oferecem abrigo, proteção, alimento para espécies que vivem nela ou que apenas fazem uma parada, como pássaros, por exemplo.

Para nós, a biodiversidade das florestas possui grande valor econômico. Estima-se que cerca de 4% do PIB do Brasil seja oriundo de serviços prestados como obtenção de lenha e carvão, madeira, papel e celulose, entre outros. A biodiversidade também oferece princípios ativos, produção de medicamentos, pesquisas científicas e novas soluções de tecnologia por meio da biologia sintética.

Todos esses serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas variam de acordo com o tipo de espécie, solo, clima, declividade, entre outros fatores. Mas é indiscutível a importância das florestas e vegetação nativa para o planeta e, infelizmente, ainda não sabemos aproveitar o que as florestas oferecem sem destruí-la.

A mudança no uso do solo é a vilã das florestas - 37,7% das terras do mundo todo são destinadas a agricultura. Entre os anos 2000 e 2010, cerca de sete milhões de hectares por ano de vegetação foram perdidos nos países tropicais e cerca de seis milhões de hectares por ano foram convertidos em terras para agricultura. Para barrar esse avanço desenfreado da agricultura sobre as florestas, é necessária a implementação de políticas públicas e mudança no uso do solo, como disposto no acordo de Paris.

Agricultura sustentável, extrativismo sustentável, PSA (pagamentos por serviços ambientais) e reflorestamento com mata nativa são algumas técnicas de serviços ambientais que podem ser prestados para tentar conter a degradação das florestas. O que nós podemos fazer é apoiar a implementação dessas técnicas e consumir conscientemente. Veja o vídeo sobre a importância das florestas:

Confira também um vídeo (em inglês) sobre o Dia Internacional das Florestas.


Veja também:


 

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