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Floresta amazônica é a maior floresta equatorial do mundo e tem importância inestimável

Parque Nacional do Juruena. Imagem de Adriano Gambarini para WWF-Brasil

A floresta amazônica é chamada cientificamente de floresta latifoliada equatorial. Ela recebe esse nome por apresentar uma vegetação com folhas grandes e largas; e por estar próxima da região do Equador, sendo densa, perene (não perde as folhas do longo do ano em nenhuma estação) e hidrófila (adaptada à presença de água em abundância).

A floresta amazônica abrange 40% do território brasileiro, além de ocupar porções dos territórios da Venezuela, Colômbia, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

No Brasil, ela ocupa praticamente toda a região norte, principalmente os estados do Amazonas, Amapá, Pará, Acre, Roraima e Rondônia, além do norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão.

A floresta amazônica possui uma composição heterogênea, com fitofisionomias (a primeira impressão causada pela vegetação) que podem ser classificadas de acordo com a proximidade a cursos d’água: matas de igapó, matas de várzea e matas de terra firme.

Matas de igapó

Floresta amazônica
Imagem editada de Roldão Lima Junior está disponível na Wikipedia

As matas de igapó são planícies inundadas permanentemente, com solos alagados. Os principais tipos de espécies encontradas nesse tipo de fisionomia são a vitória-régia, o açaí e o sapo cururu.

Matas de várzea

Floresta Amazônica
Imagem de Nareeta Martin, está disponível no Unsplash

As matas de várzea, ou planícies de inundação, são terrenos que contornam os rios e que costumam alagar na época das cheias. As espécies mais presentes nesse tipo de fitofisionomia são o cacaueiro, a copaíba e a seringueira.

Matas de terra firme

Floresta Amazônica
Imagem de Rosina Kaiser, está disponível no Pixabay

As matas de terra firme são vegetações que se desenvolvem em regiões mais elevadas, que não inundam ao longo do ano. Nessa fitofisionomia são encontradas árvores de grande porte que podem alcançar 50 metros de altura. A copa desse tipo de vegetação é entrelaçada, de modo que dificulta a entrada de luz solar em seu interior, inviabilizando o desenvolvimento de grande quantidade de plantas rasteiras.

Na floresta amazônica do tipo terra firme, as espécies arbóreas mais encontradas são a castanheira, o mogno e o guaraná.

Por ter um clima equatorial, a floresta amazônica apresenta elevadas temperaturas e umidade do ar, que oscilam entre 22 e 28 ºC e 80%, respectivamente. O índice pluviométrico (chuva) também é elevado, variando entre 1.400 a 3.500 mm por ano.

As estações do ano na floresta amazônica se distinguem por dois períodos: o seco e o chuvoso.

Apesar de abrigar uma grande biodiversidade de plantas e animais, a floresta amazônica possui um solo considerado pobre, com uma fina camada de nutrientes. Entretanto, o húmus formado pela decomposição da matéria orgânica (folhas, flores, animais e frutos) é rico em nutrientes utilizados no crescimento da vegetação da floresta. Para saber mais sobre húmus, dê uma olhada na matéria: “Húmus: o que é e quais são suas funções para o solo“.

Bioma amazônico

O bioma amazônico, também chamado de domínio ecológico amazônico ou domínio biogeográfico amazônico, é o conjunto de ecossistemas interligados pela floresta amazônica, situados na Bacia Amazônica. Ele ocupa Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela e se estende por 6,9 milhões de quilômetros quadrados.

O bioma amazônico possui cerca de 30% das espécies existentes no planeta, sendo o mais biodiverso de todos os biomas.

No Brasil, ele abriga mais de 30 mil espécies de plantas, 1,8 mil de peixes continentais, 1,3 mil de aves, 311 de mamíferos e 163 de anfíbios. Boto, harpia, pirarucu, suçuarana, jaguatirica, peixe-boi, jabuti, ariranha, tucano, arara, jiboia, sucuri e onça são algumas espécies de animais amazônicos bastante conhecidos.

Mas diferente do que muitas pessoas pensam, o bioma amazônico não é constituído por um único tipo de floresta. Além da floresta de terra firme, da floresta de igapó e da várzea, há também savana arenosa e campos rupestres.

Saiba mais sobre esse tema na matéria: “O que é o bioma amazônico e suas características“.

Rios voadores

Os rios voadores são imensos volumes de vapor de água que vêm do oceano Atlântico (próximo à linha do Equador), precipitam sob a forma de chuva na floresta amazônica – onde ganham corpo – e seguem até os Andes, encontrando a muralha rochosa presente nessa região que os faz desviarem e flutuarem sobre a Bolívia, o Paraguai e os estados brasileiros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo; às vezes alcançando Paraná, Santa Cantarina e Rio Grande do Sul.

Os rios voadores possuem cerca de três quilômetros de altura, algumas centenas de largura e milhares de extensão, mas não podem ser vistos, pois encontram-se sob a forma de vapor. Entretanto, sua importância na regulação do clima é inegável.

Os estudos a respeito dos rios voadores mostraram que há uma clara colaboração da umidade que evapora da floresta amazônica para as chuvas do Sul e do Sudeste. Nos dias que o rio voador passa sobre a Amazônia – isso acontece apenas em cerca de 35 dias por ano –, mais umidade chega ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul, aumentando a probabilidade de chuvas.

Quando os rios voadores passam sobre a floresta amazônica eles aumentam, em média, em 20% a 30% a umidade do ar em Ribeirão Preto, por exemplo, elevando o potencial de chuvas. Algumas vezes esse aumento de umidade pode chegar a 60%.

Há uma grande preocupação por parte dos especialistas em rios voadores quanto às consequências do desmatamento da floresta amazônica. Sem ela, os rios voadores vindos do oceano podem chegar mais rápido no continente, em dois ou três dias, ao sul do país, aumentando o risco de tempestades.

A retirada da floresta diminuiria em 15% a 30% as chuvas na floresta amazônica e aumentaria as tempestades no Sul e na bacia do Prata. Para saber mais sobre os rios voadores, dê uma olhada na matéria: “O que são rios voadores?“.

Amazônia legal

Para tentar desenvolver e integrar a região por meio da concessão de incentivos fiscais, nos anos 1950, o governo brasileiro criou o conceito de Amazônia Legal, que abrange uma área com pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados (dois terços do país). A Amazônia Legal se situa nos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e grande parte do Maranhão, sendo um mosaico de habitats com grande variedade de espécies. Além de abranger a floresta amazônica, a Amazônia Legal inclui 37% do bioma cerrado, 40% do bioma pantanal e pequenos trechos de formações vegetais variadas. Saiba mais: “O que é amazônia legal?

Desmatamento

A ocupação da Amazônia Legal incluiu o estabelecimento dos chamados “eixos” e “polos” de desenvolvimento, apropriação de terras para projetos agropecuários e reforma agrária, mineração e produção e exportação de grãos. A partir da década de 1970, o processo de ocupação acelerou-se e milhões de hectares de floresta amazônica foram derrubados para criação de pastos e projetos de colonização e reforma agrária. O desflorestamento leva a alterações no funcionamento dos ecossistemas, gerando impactos sobre a estrutura e fertilidade dos solos e sobre o ciclo hidrológico, além de constituir importante fonte de gases do efeito estufa. Para se aprofundar nesse tema, acesse a matéria “Desmatamento da Amazônia: causas e como combatê-lo“.

Ocupação na floresta amazônica

A diversidade socioambiental da Amazônia e, portanto, de parte da floresta amazônica, é composta por uma complexa interação entre múltiplos segmentos sociais. Entre eles, se destacam os povos indígenas de comércio esporádico, povos indígenas de comércio recorrente, povos indígenas dependentes da produção mercantil, pequenos produtores tradicionais (inclui ribeirinhos, quilombolas e seringueiros), latifúndios tradicionais, latifúndios recentes, migrantes de fronteira, grandes exploradores e exploradores itinerantes.

De acordo com o decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, os grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição são chamados de povos e comunidades tradicionais. Nessa classificação entram os ribeirinhos, indígenas, seringueiros e quilombolas.

Causas e consequências das queimadas na floresta amazônica

A queima de biomassa florestal como prática agropastoril utilizada no meio rural é recorrente no País. A técnica é um dos principais contribuintes mundiais para a emissão de gases do efeito estufa. Nos últimos anos, o crescimento das queimadas na Amazônia despertou grande atenção para o problema. Essa prática afeta o equilíbrio dos ecossistemas presentes na região e a saúde humana.

De acordo com os Relatórios de Ocorrência de Incêndios (ROI) do Núcleo de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Prevfogo, existem inúmeras causas para as queimadas e incêndios florestais. A primeira delas é a falta de informação ambiental, que expressa o desconhecimento sobre os sistemas, as interrelações e interdependências dos processos que asseguram a vida na Terra.

A segunda causa apontada está relacionada à expansão das fronteiras agropastoris. Segundo o relatório, a preparação de áreas desmatadas para atividades agropastoris é a principal causa das queimadas na Amazônia.

Durante essa prática, o desconhecimento das técnicas de prevenção e dos fatores que influenciam o comportamento do fogo é responsável pela dispersão descontrolada das chamas por toda a região. A expansão de fronteiras, causas naturais e comportamentais também são evidenciadas. Porém, a intensidade desses incêndios é menor e eles geram poucos impactos para a Amazônia.

Já segundo o estudo “Esclarecendo a crise das queimadas na Amazônia”, as principais causas dos incêndios florestais ligados ao desmatamento são a falta de governança local e a especulação da terra. A subsistência de agricultores e o manejo do gado de forma extensiva também aparecem como fatores que levam à queima da biomassa.

As queimadas são responsáveis por liberar gás carbônico (CO2) e metano (CH4) na atmosfera. Esses gases contribuem para o aquecimento global e podem mudar o clima da Amazônia, criando o ambiente propício para que outros grandes incêndios ocorram com mais frequência. Trata-se de um ciclo vicioso. A perda da maior reserva de biodiversidade do planeta e a poluição do solo e de ambientes aquáticos também são graves consequências geradas pelas queimadas.

Além disso, o desmatamento é responsável por aumentar o escoamento da água e, consequentemente, a descarga dos rios. Isso acontece porque a redução da cobertura vegetal diminui a infiltração da água no solo e as taxas de evapotranspiração. Esse processo altera as condições morfológicas e biogeoquímicas dos ecossistemas aquáticos, já que causa a exportação de sedimentos terrestres para os córregos.

As queimadas também contribuem para o aumento de casos de doenças respiratórias, já que afetam a qualidade do ar. A Organização Mundial de Saúde (OMS), em documento elaborado para eventos relacionados a incêndios florestais, destaca a saúde como dependente de um ambiente saudável, evidenciando a necessidade em direcionar o problema das queimadas a um contexto global de mudanças.

Além do gás carbônico, outras espécies químicas são produzidas e liberadas para a atmosfera durante as queimadas, como monóxido de carbono (CO), óxidos nitrosos (NO3) e hidrocarbonetos. Esses elementos sofrem reações fotoquímicas que auxiliam na formação de poluentes secundários, os quais atuam como gases do efeito estufa e intensificam o aquecimento global.



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