O que é biodiversidade?

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Termo 'biodiversidade' ainda causa confusão e é mais complexo do que se imagina

Pato

Biodiversidade não é uma expressão incomum, e vem sendo cada vez mais utilizada. A palavra é uma junção de duas outras: "diversidade" e "biológica". Porém, temos que tomar cuidado ao utilizá-la, por ter significado amplo e complexo.

Termo comum em ecologia, "biodiversidade" é geralmente descrita de forma errada (apesar disso, podemos nos orgulhar por saber que os brasileiros a conceituam melhor que norte-americanos e europeus).

Podemos, então, defini-la como a variedade de vida ou a variedade de todas as formas de vida existentes na Terra, sejam elas macro ou microscópicas. Biodiversidade pode ser estudada em diversos níveis, desde o mais alto, onde são consideradas todas as diferentes espécies da Terra; até os mais baixos, como as espécies integrantes do ecossistema de um lago.

Mas… Espécies? Ecossistema?

A ecologia realmente tem uns termos altamente "confundíveis", como "espécie", "população", "comunidade", e "ecossistema". Para que estejamos aptos a ler e aprender um pouco mais sobre biodiversidade, precisamos primeiramente estar cientes das diferenças entre estes conceitos.

Espécie

Uma espécie corresponde a uma subdivisão ou conjunto de indivíduos que apresentam características em comum (como por exemplo sua morfologia, anatomia, e fisiologia), distinguindo-se dos demais por este caráter específico, sendo também capaz de se reproduzir e gerar descendentes férteis. Em biologia, é denominada como a unidade básica das classificações biológicas, ou grupo taxonômico.

População

Uma população representa a dinâmica de relação entre os indivíduos, considerando o conjunto de indivíduos de uma espécie em uma unidade de espaço/tempo.

Comunidade

Já os estudos de comunidades consideram as populações em conjunto em uma unidade de espaço/tempo, enquanto os ecossistemas consideram conjuntamente o meio biótico e abiótico em uma unidade de espaço/tempo.

Medidas de riqueza e abundância de espécies

Uma das formas de se quantificar a biodiversidade é utilizar mecanismos matemáticos chamados "medidas de riqueza", que estima o número de espécies presentes em uma comunidade. Há ainda dois tipos de medidas de riqueza: a riqueza específica e a densidade de espécies.

A Riqueza específica está relacionada ao número de espécies em uma comunidade. Já a densidade de espécies se relaciona ao número de espécies presentes em determinada área ou volume.

Outro método que pode ser utilizado também é o cálculo para "abundância de espécies", que vai determinar quão abundante uma espécie é em relação às outras, dentro de um grupo estabelecido de indivíduos.

Porém, biodiversidade não é um conceito que abrange apenas espécies. Para considerarmos toda a diversidade da vida na Terra, é necessário que reconheçamos a diversidade genética das espécies, além da diversidade de habitats e ecossistemas existentes.

Biodiversidades genética e ecológica

Biodiversidade genética inclui a variação existente nos genes dentro de uma mesma espécie. Um exemplo prático disso são os cães, que apesar de serem todos da mesma espécie, possuem genes diferentes que nos fazem classificá-los em raças, como poodles, labradores e beagles (apesar de tão diferentes entre si, ainda assim são integrantes de uma mesma espécie).

Já a biodiversidade ecológica é toda aquela existente nos ecossistemas, habitats naturais e comunidades. De uma forma mais simples, a biodiversidade ecológica representa as diferentes maneiras de interação das espécies entre si, e destas com o meio ambiente.

Você sabia?

  • São estimadas que mais de 100 milhões de espécies diferentes habitam o planeta Terra;
  • Foram identificadas, até o momento, apenas cerca de 1,7 milhão, e por isso ainda temos um longo caminho até que possamos descobrir todas elas.
  • Foi identificado também que ecossistemas tropicais possuem maior biodiversidade que outros ecossistemas;
  • De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta (cerca de 20% do número total de espécies do mundo), devido à diversidade de biomas que reflete a enorme riqueza de fauna e flora brasileiras;
  • O grupo de animais com maior diversidade de espécies é o dos invertebrados, sendo que mais da metade dos animais já identificados pertence a este grupo.

A biodiversidade também pode ser considerada muito importante para a saúde humana e ecossistêmica, pois ela proporciona a variedade de alimentos que nos são essenciais, além de outros materiais que contribuem para a economia. Além disso, a diversidade de polinizadores também é essencial, pois sem isso não haveria essa variedade de alimentos tão grande que encontramos no mercado.

A maioria das descobertas médicas se deram pela investigação da biologia e genética de animais e plantas (via biomimética). A todo momento alguma espécie entra em extinção, e nunca saberemos se uma investigação dela nos levaria à descoberta de uma nova vacina ou medicamento.

A biodiversidade permite que ecossistemas se ajustem após uma perturbação, como um incêndio ou uma inundação extrema (fenômeno chamado resiliência). Da mesma forma, a diversidade genética previne doenças e permite que espécies se adaptem à mudanças no ambiente.

Ameaças

A extinção, apesar de ser tratada com uma certa repulsa e um grande medo, é natural e faz parte da vida na Terra. Ao longo da história do planeta, a maioria das espécies que já existiram, evoluíram para então se extinguirem gradualmente devido a, por exemplo, mudanças climáticas naturais que ocorrem em longas escalas de tempo (como nas Eras Glaciais).

"Mas então não devemos nos preocupar, não é?" Pois devemos, sim! Principalmente porque nos dias atuais as espécies vêm se extinguindo em um ritmo muito acelerado, graças a mudanças ambientais e climáticas provocadas pela ação do homem, de acordo com boa parte da comunidade científica. Algumas das consequências dessa interferência humana que causa a perda acelerada de biodiversidade são a perda de habitats ou a degradação dos mesmos, a superexploração de recursos naturais e a propagação de espécies e/ou doenças não-nativas.

Atualmente, cerca de um terço do total de espécies conhecidas se encontra ameaçada de extinção, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Este número engloba cerca de 29% dos anfíbios, 21% dos mamíferos e 12% de todas as aves. É estimado que hoje em dia, as espécies têm se extinguido cerca de 100 a 1000 vezes mais rapidamente do que o que era esperado para a taxa natural de extinção.

Áreas protegidas são essenciais para que possamos reduzir estas taxas, ou pelo menos as mantermos estáveis. Estas áreas acabam por funcionar como refúgios para espécies, abrigos para a diversidade genética e para os processos ecológicos. Além disso, elas fornecem espaço para a evolução natural, e por possuírem temperaturas mais amenas, protegem os animais e plantas do aquecimento global acelerado enquanto o resto do mundo busca a solução a longo prazo que é a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2).


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