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Piscicultura é a ciência que estuda e desenvolve técnicas de cultivo e reprodução de peixes

Piscicultura é a ciência que estuda e desenvolve técnicas de cultivo e reprodução de peixes. Esse cultivo é realizado em condições adequadas, com controle de iluminação e temperatura da água, podendo ocorrer em ambientes de água doce ou salgada (onde recebe o nome de maricultura). Um dos principais objetivos da piscicultura é garantir produtos para o consumo com maior controle e regularidade.

Como é realizada

A principal finalidade da piscicultura é produzir peixes. Embora sejam criados em maior quantidade para a comercialização como recurso alimentício, os peixes também são cultivados para uso esportivo e ornamental. 

Esses animais podem ser cultivados tanto em ambientes naturais, como lagos, lagoas e o próprio oceano, quanto em tanques artificiais construídos pelo ser humano. Entre as metodologias utilizadas para produção aquícola, pode-se citar o uso de viveiros escavados no solo (reservatórios que permitem a entrada e saída de água), tanques-rede ou gaiola flutuante e o cultivo em espinhel e balsas.

Cenário atual

A piscicultura vem ocupando uma posição de destaque na produção mundial de proteína animal. Esse setor encontra-se em expansão desde os anos 90, e apresenta uma taxa de crescimento anual global estimada em torno de 7%. No Brasil, o aumento do consumo per capita de pescado e as condições favoráveis ao desenvolvimento dessa prática têm estimulado a produção aquícola, que alcançou um total de 707 mil toneladas em 2015. Esse número fez com que o país ocupasse o 12º lugar no ranking mundial de aquicultura.

Entre as espécies que são destaque na produção brasileira está a tilápia, uma espécie exótica, porém intensamente cultivada na região sudeste e sul do país; os tambaquis e pirarucus, alvo da piscicultura na região norte brasileira; e as carpas.

Impactos 

Por ser uma atividade agropecuária, a piscicultura tem efeitos negativos. De acordo com estudos, os principais impactos causados por essa prática são:

O salmão é uma espécie muito afetada pela piscicultura. Estudos mostram que grandes criadouros com uma quantidade considerável de salmões são o ambiente propício para o desenvolvimento de parasitas perigosos, como o piolho de peixe.

No Canadá, pesquisas apontam que esse problema se tornou ainda mais sério. A explosão da população de piolhos de peixe causou, em algumas regiões, a diminuição de 80% da população de salmão rosa. Já na Finlândia, pesquisadores afirmam que o problema é o fortalecimento e maior resistência de doenças. Enquanto os peixes dos criadouros são tratados com medicamentos, os salmões selvagens acabam infectados e morrendo.

Além disso, a própria estrutura necessária para a aquicultura pode causar sérios problemas ambientais. De acordo com a Food and Agriculture Organization da ONU (FAO), quando os criadouros são instalados em locais com correntes de água inadequadas, eles podem causar acúmulo de metais pesados, como cobre e zinco.

É fonte de poluição por microplástico

Pesquisas na área de piscicultura revelam preocupações crescentes relacionadas às partículas de microplástico presentes na alimentação dos peixes.

Um estudo publicado na revista Aquaculture analisou 26 produtos de farinha de peixe de 11 países em quatro continentes diferentes. Em quase todas as amostras foram encontrados plásticos, exceto na farinha da Antártica.

A farinha de peixe é um ingrediente que faz parte da alimentação dos peixes. A própria ração utilizada na indústria de criação de peixes inclui a farinha. No entanto, produzir esses alimentos sem microplásticos parece uma missão impossível. Segundo Sedat Gündoğdu, biólogo marinho e autor do estudo publicado na Aquaculture, o oceano é um grande sistema que hospeda toneladas de lixo plástico, logo, os alimentos derivados desse ambiente são contaminados com plástico e seus fragmentos como o micro e o nanoplásticos.

Mesmo os animais criados em outros ambientes estão sendo contaminados com as partículas. E esse problema também chega à alimentação dos seres humanos. Os microplásticos mudam a saúde dos peixes e, consequentemente, podem afetar a nutrição e causar outros efeitos na saúde humana, como piorar a asma, inflamar o sistema imunológico e danificar os órgãos internos.

Ainda que os peixes não consumam as partículas de plástico diretamente, existem outras vias de exposição, como as redes de plástico da pesca fantasma. Em suma, como aponta Gündoğdu, estamos em uma armadilha de plástico em que as partículas voltam ao prato em algum momento.