Apoio: Roche

Saiba onde descartar seus resíduos

Verifique o campo
Inserir um CEP válido
Verifique o campo
Lightbulb

Desmatamento impacta biodiversidade de forma devastadora e intensifica efeito estufa

Antes de definirmos e explicarmos o desmatamento florestal, precisamos saber: o que são as florestas?

As florestas são áreas que possuem uma alta densidade de árvores, em que as copas se tocam formando uma espécie de “teto” verde. Elas são fundamentais para a vida do ser humano. De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 1,6 bilhão de pessoas ganham a vida em alguma atividade ligada às florestas, e cerca de 60 milhões de indígenas em todo o mundo dependem exclusivamente delas para sua subsistência, além de serem o habitat de muitas espécies de animais e plantas.

Agora, podemos explicar o que é desmatamento florestal, que pode ser chamado também de desflorestação ou desflorestamento. Podemos dizer que, segundo o dicionário, desmatamento é “o ato que consiste na retirada de mato”, ou seja, a retirada total ou parcial das árvores, florestas e demais vegetações de uma determinada região.

O desmatamento é um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, pois além de devastar as florestas e os recursos naturais, compromete o equilíbrio do planeta em seus diversos elementos, incluindo os ecossistemas, afetando gravemente também a economia e a sociedade. No Brasil, existe uma preocupação crescente quanto ao desmatamento da Amazônia, que bateu recordes em 2019.

Desmatamento
Imagem editada e redimensionada de Marcin Kempa, está disponível no Unsplash

Causas do desmatamento

As causas do desmatamento são diversas e, em sua maior parte, compostas por atividades humanas que provocam ou intensificam a ocorrência desse problema, como: expansão agropecuária (abertura de áreas para agricultura, pastoreio ou áreas rurais à espera de valorização financeira), atividade mineradora (áreas que são devastadas para a instalação de equipamentos e atividades de exploração de ouro, prata, bauxita/alumínio, ferro ou zinco), aumento da exploração dos recursos naturais devido à procura por matéria-prima, intensa urbanização e aumento das queimadas, acidentais ou intencionais.

Consequências e impactos do desmatamento

As consequências provocadas pelo desmatamento são devastadoras. E a primeira afetada é a biodiversidade local, pois uma vez em que há a destruição das florestas, perde-se o habitat natural de muitas espécies, contribuindo para a morte de muitos animais e até mesmo a extinção dos tipos endêmicos, trazendo problemas para a cadeia alimentar e para os ecossistemas locais. Essa perda pode impactar até as atividades econômicas, como a caça e a pesca.

O desmatamento gera consequências negativas também sobre a água e os solos. Como as florestas são responsáveis pela regulação de cerca de 57% das águas doces superficiais do mundo, elas contribuem fornecendo umidade para o ambiente. Ou seja, a retirada delas implica na alteração do equilíbrio climático de muitas regiões, isso sem falar na intensificação do efeito estufa. Além disso, as florestas melhoram a drenagem dos terrenos, e sua ausência intensifica os deslizamentos de terra em áreas de grande inclinação, acentua as inundações, facilita a erosão do solo e a desertificação

O ser humano é outro que sofre as consequências das próprias ações, já que, como dito, 1,6 bilhão de pessoas dependem hoje, direta ou indiretamente, das atividades ligadas às florestas. Ele se priva não só de uma potencial produção contínua de madeira, como também de muitos outros produtos naturais valiosos, como frutos, amêndoas, fibras, resinas, óleos e substâncias medicinais, dos quais a humanidade depende para sua sobrevivência.

Ademais, um artigo publicado na Frontiers in Veterinary Science estabeleceu que há uma conexão entre o desmatamento e a ocorrência de doenças zoonóticas e transmitidas por vetores. O estudo indica que o desmatamento levou ao aumento de surtos de vírus semelhantes ao COVID-19 e também facilita a propagação de doenças transmitidas por vetores, como a malária.

No Brasil, uma das maiores preocupações é com a Amazônia. Com seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados, a floresta sofre com o desmatamento, que, desde 1970, já atingiu 18% de seu território, área que equivale aos territórios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O que fazer para mudar esse paradigma?

Por todos esses motivos, a ONU e outros organismos internacionais, bem como inúmeras entidades regionais, reconhecem e enfatizam sumariamente que a solução deve levar em conta fatores locais e globais em um projeto multidisciplinar articulado em larga escala. Devem estar envolvidos não só cientistas, governos, empresas e instituições, mas também, e principalmente, a população, já que ela é a origem e o fim de todos os processos. O caminho para isso é a educação e incentivos diversos para o esclarecimento a respeito dos benefícios gerados pelas florestas e para a mudança de formas de pensamento e hábitos de produção e consumo que levam ao desflorestamento.

As metas estabelecidas pelas Nações Unidas foram:

  • Reverter a perda de cobertura florestal no mundo através de manejo sustentável, proteção, recomposição e reflorestamento, e reduzir a degradação florestal;
  • Enfatizar os benefícios econômicos, sociais e ambientais gerados pelas florestas, e melhorar as condições de vida das populações dependentes delas;
  • Ampliar significativamente a área mundial de florestas protegidas e das manejadas sustentavelmente, bem como incentivar o consumo de produtos florestais oriundos de florestas bem manejadas;
  • Reverter o declínio na assistência oficial aos projetos sustentáveis e mobilizar recursos significativamente maiores para promover o manejo sustentável.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda ainda as seguintes estratégias principais para a conservação das florestas e seu bom manejo:

  • Criar projetos de reflorestamento bem planejados e investir nos serviços ambientais;
  • Promover projetos de desenvolvimento de pequena e média escala baseados nas florestas, especialmente para as populações mais pobres, as que dependem mais delas;
  • Promover o uso da madeira como fonte de energia e reutilizar ou reciclar os produtos de madeira;
  • Melhorar a comunicação e a cooperação internacional, incentivando a pesquisa e a educação ambiental, facilitando créditos e integrando os projetos florestais na macroeconomia.

A ONU também afirma que aumentar os direitos dos povos indígenas pode ajudar a conter as taxas de desmatamento tropical. Uma revisão de mais de 300 estudos científicos publicados nas últimas décadas, em quase todos os países da América Latina e do Caribe, constatou que as taxas de desmatamento são mais baixas em terras onde os direitos dos povos indígenas são protegidos.

Entre 2000 e 2012, por exemplo, as taxas de desmatamento fora dos territórios indígenas foram 2,8 vezes maiores do que nas áreas protegidas da Bolívia. No Brasil, no mesmo período, as taxas foram 2,5 vezes maiores. Entretanto, os povos indígenas em muitas comunidades sofrem ameaça. Nesse sentido, a ONU define, em um relatório, formas de os governos e outras instituições apoiarem estes povos e reduzirem o desmatamento.

Cerca de 31% da superfície terrestre ainda é coberta por florestas em vários graus de conservação. No entanto, apesar da significativa cobertura sobrevivente, calcula-se que metade das florestas do mundo já tenha desaparecido, dado que precisamos reverter com urgência para o bem do planeta. Para lutar contra o desmatamento, você pode apoiar causas como o movimento Desmatamento Zero, consumir produtos de empresas com responsabilidade ambiental, propagar conhecimento sobre o assunto e estar atento aos posicionamentos políticos relacionados a questões ambientais (tanto em termos de governantes, quanto em termos de ação).

Assista a um vídeo feito pelo Greenpeace sobre o movimento Desmatamento Zero!


Veja também: