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A poluição plástica oceânica evidencia uma enorme falha nos sistemas de gerenciamento de resíduos e a necessidade de consumir cada vez menos plástico, por todo o mundo

Smog de plástico é um termo usado para descrever a poluição causada por microplásticos nos oceanos.

Todos os tipos de plástico que chegam ao oceano – seja por meio de atividades como a pesca ou ainda carregado pelas chuvas, ventos ou por meio dos rios – se decompõem, em pedaços muito pequenos. 

Segundo o 5 Gyres Institute, uma organização sem fins lucrativos que trabalha com pesquisas voltadas aos problemas causados pela poluição plástica, em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU), os microplásticos encontram dois destinos: ou são consumidos acidentalmente pelos animais marinhos ou acabam depositados no fundo do mar. 

Quanto plástico tem nos oceanos?

Um artigo científico, publicado em 2023, estima que haja de 93 mil a 578 mil toneladas de massa plástica na superfície dos oceanos de todo o planeta. 

A fragmentação de todo esse plástico resulta em micro e nano partículas, que nessa condição saem da superfície e vão para a costa ou o fundo do mar, além de serem ingeridos pela vida marinha, causando mortes.

Os cientistas concluíram que o acúmulo de plástico nos oceanos sofreu um grande aumento a partir de 2005, crescendo de uma forma nunca antes vista.

O resultado da pesquisa estima que uma média de 171 trilhões de partículas de plástico, em sua maioria microplásticos, pesando 2.3 milhões de toneladas, estavam depositadas no oceano, em 2019.

Além disso, a tendência observada pelos cientistas mostra que o smog de plástico atingiu níveis inéditos e que a quantidade de lixo plástico nos oceanos pode aumentar. 

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A (não) reciclagem de resíduos plásticos

O aumento de resíduos plásticos é consequência do crescimento da produção e consumo de plástico e produtos que utilizam essa matéria prima, principalmente em embalagens. Outro problema é o smog de plástico causado pela atividade pesqueira.

Ao mesmo tempo, a reciclagem de todo esse material atinge níveis baixos, mesmo em países com maior desenvolvimento e uma melhor infraestrutura no gerenciamento de resíduos o que, em tese, deveria colaborar para a prática da sustentabilidade.

Uma pesquisa, realizada pela World Wide Fund (WWF), afirma que à medida que a indústria de combustíveis fósseis aumenta os investimentos da produção de plástico, o custo do plástico primário se torna competitivo com o valor do plástico reciclado.

A falta de reciclagem ocorre também por causa do comércio internacional de resíduos plásticos e os plásticos de baixo valor agregado, o Low Value Plastic (LVP).

Além disso, dados da Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla em inglês) mostram que a produção global de plástico aumentou para 380 milhões de toneladas desde a década de 1950. A previsão é que a produção dobre até 2035 e chegue a 1.52 bilhões de toneladas até 2050.

Sendo assim, citando como exemplo a Europa, a falta de capacidade dos países europeus em lidar com os resíduos gerados pela produção de plástico e seu consumo, aplicando economia circular e os conceitos de sustentabilidade, faz com que a opção escolhida seja exportar todo esse lixo plástico.

Ainda de acordo com a EEA, a exportação ocorre para países da Ásia e não há transparência sobre os procedimentos adotados para o gerenciamento desses resíduos, quando chegam no destino.

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O que é o plástico de baixo valor agregado?

Segundo um artigo publicado pela University of Technology Sydney (UTS), o mercado global de reciclagem tem o foco principal em dois tipos de plásticos: o tereftalato de polietileno (o famoso PET, aplicado em garrafas de bebidas e embalagens de alimentos, identificado com o número “1” na embalagem) e o polietileno de alta densidade (PEAD, usado em embalagens de xampu, por exemplo, identificado com o número “2”). 

Juntos, esses dois tipos de plásticos representam quase 90% do mercado de plástico reciclado.

Outros dois tipos de plástico que também têm valor de mercado, mas numa escala bem menor, são o polipropileno (usado em embalagens de iogurte, por exemplo, identificado com o número “5”) e o polietileno de baixa densidade (aplicado em filmes plásticos usados em embalagens, identificado com o número “4”).

Os outros tipos de plásticos – cloreto de polivinilo, poliestireno e plásticos mistos, identificados com os números “3”, “6” e “7”, nessa ordem – têm pouco ou nenhum valor comercial, não são reciclados (apesar de serem recicláveis) e são descartados, por isso são chamados de plástico de baixo valor agregado. 

Alguns exemplos de produtos que utilizam esses tipos de plástico de uso único são: embalagens de salgadinhos, bolachas e biscoitos, além de sachês de molhos (como maionese e ketchup) e caixinhas de leite longa vida, entre outros. 

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Impactos do smog de plástico nos países mais pobres

O relatório publicado pela WWF mostra também que os impactos gerados pelo desequilíbrio ambiental, causado pelo smog de plástico, recaem em países emergentes e ainda, em sua maior parte, nos países mais pobres.

O estudo aponta as três principais desigualdades estruturais entre os países, que fazem com que os países pobres sejam os mais prejudicados no ciclo do plástico.

A primeira desigualdade citada relaciona o fato dos países de baixa renda e emergentes, não serem produtores de plástico. Esses países não têm qualquer influência sobre a produção do plástico, que é produzido sem levar em conta o impacto causado no seu descarte. 

A segunda desigualdade fala sobre a falta de capacidade e infraestrutura dos países no gerenciamento dos resíduos plásticos, que só aumentam ao longo dos anos. 

Além do que, outro fator que atrapalha é o alto custo da construção – ou modernização – de estruturas de gestão de resíduos. Isso faz com que esses países fiquem expostos aos piores níveis de poluição causada pelo plástico. 

O terceiro item desta lista, citado pelo relatório, é a inexistência de mecanismos que possam dividir a responsabilidade pelos custos gerados com a poluição do plástico, uma vez que os países mais pobres são os principais afetados pelas consequências de decisões das quais não participam.

Ainda segundo o relatório, os países pobres consomem, em média, três vezes menos plástico do que países desenvolvidos. Em contrapartida, o custo real do plástico nesses países é até oito vezes maior.

Outro dado preocupante: estima-se que 1 milhão de vidas são ceifadas, por ano, em decorrência da poluição plástica nos países mais pobres.

O relatório ainda reforça a alta quantidade de plástico produzido no mundo, seu consumo desenfreado e consequente poluição a partir do resíduos, além da falta de regulamentação no comércio global de resíduos.

plastistone
Plastistone: lixo plástico que se transforma em rocha

Qual é a contribuição do Brasil para o manejo do smog de plástico?

De acordo com a WWF, em 2023, o Brasil foi considerado o 4º país que mais gera poluição plástica no mundo, consequência do manejo do plástico, reciclando menos de um terço de seu volume, o que corresponde a 1500 garrafas plásticas por habitante, descartadas no meio ambiente.

A ironia é que, de acordo com a publicação, a contribuição do Brasil na produção de plástico mundial é mínima, cerca de 5%. No entanto, cerca de 12 milhões de toneladas de resíduos plásticos são importados pelo País todos os anos, sobrecarregando os aterros sanitários. 

Em agosto de 2023, o governo brasileiro passou a taxar a importação de resíduos de plástico, papel e vidro em 18%, numa tentativa de reduzir os impactos no meio ambiente e fomentar a reciclagem no País. 

Nos últimos anos, o Brasil passou a receber cada vez mais resíduos sólidos, vindos do estrangeiro. Segundo dados do próprio Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a importação dos resíduos de papel aumentou 109,4% e do vidro o aumento foi 73,3%, sem cobrança de taxa de importação.

Já a entrada de resíduos plásticos, mesmo sendo taxados anteriormente em 11,2%, ainda assim aumentou em 7,2%.

Em 2023, apenas 22% das cidades brasileiras tinham serviço de coleta seletiva, que recolhe os resíduos para reciclagem, o que não significa que todo esse material seja reciclado. Não é. 

A maior parte desse trabalho é feita por coletores informais – os “catadores” – que vivem na linha da pobreza e são mais vulneráveis a problemas de saúde, por conta do próprio trabalho.

Um estudo realizado pelo Instituto Oceanográfico da USP (Iousp) em conjunto com o Blue Keepers, mostrou que o Brasil lança cerca de 3.44 milhões de toneladas de resíduos plásticos no mar todos os anos, 67% desse lixo plástico chega ao mar por meio de bacias hidrográficas de alto risco.

A costa litorânea brasileira tem 7367 quilômetros, banhados pelo Oceano Atlântico.

A pesquisa aponta que o Brasil tem aproximadamente 600 grandes rios que desaguam no mar.

Quando o rio Amazonas chega ao mar, leva consigo cerca de 160 mil toneladas de plástico de países que atravessa. 

As águas do rio São Francisco levam 230 mil toneladas de plástico e a Baía de Guanabara, 216 mil toneladas de resíduos plásticos.

O Rio da Prata leva 1 milhão de toneladas de lixo plástico do Brasil para o mar, entre Argentina e Uruguai. Esses valores são anuais.

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A urgência na busca por soluções

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou um relatório em 2022 sobre o plástico, destacando a importância de reduzir custos e investir em tecnologias de reciclagem.

O relatório também sugere que a produção de plástico seja reduzida e reavaliada.

Segundo a publicação, em 2022, apenas 9% de todo o resíduo plástico é reciclado no mundo. O restante se divide entre aterros sanitários, incineração (que é a queima do plástico, contribuindo para emissão de gases de efeito estufa) e oceanos.

Além disso, durante o processo de degradação, as partículas plásticas podem se apresentar de inúmeras formas:

  • em relação à escala (nano, micro, meso e macro partículas) e o formato;
  • de acordo com o tipo de plástico;
  • conforme sua composição química, aditivos e superfícies de reação.

As partículas plásticas são difíceis de controlar e impactam diretamente a saúde humana, dos animais e dos ecossistemas em geral.

Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que há plástico em nossa água, ar e comida, em forma de micro e nanopartículas.

Além disso, partículas plásticas foram detectadas em mais de 800 espécies de animais e aproximadamente 87 mil organismos não humanos, absorvidas por ingestão ou em tecidos.

Foto de MechaOwl em Pixabay

O smog de plástico, além de poluir diferentes ecossistemas e causar o sofrimento e a morte de animais e da vida marinha, também impacta diretamente na saúde humana.

Para além das medidas de governança e políticas públicas, que devem ser adotadas por empresas e governos ao redor do mundo, existem algumas maneiras de contribuir para reduzir a poluição plástica. 

Separar e descartar corretamente os resíduos plásticos é um passo bem importante, mas pesquisar e conhecer os tipos de resíduos gerados – e os impactos causados – por aquilo que consumimos, e de quem consumimos, também é necessário.

Apoiar empresas éticas, que trabalham com diretrizes ambientais sustentáveis, consumir menos e de forma mais consciente, reutilizar materiais e produtos o quanto for possível, substituir produtos descartáveis por reutilizáveis e sempre buscar por alternativas eco-friendly são maneiras de diminuir o impacto ambiental e ajudar a recuperar a saúde planeta.


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