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Ser adepto do negacionismo climático e apoiar populistas de direita são características correlacionadas

Imagem de Kevin Mueller no Unsplash

Negacionismo climático é a postura cética em relação aos argumentos científicos a respeito das mudanças climáticas. E esse comportamento é mais proeminente em seguidores de populistas de direita.

Durante a maior parte de sua história, o negacionismo climático foi uma tendência política de nicho e, onde existia, as formas mais vocais tendiam a ser minoria. Mas um mundo cada vez mais globalizado e uma proliferação de líderes céticos quanto ao clima fizeram dele uma força global.

Isso foi melhor exemplificado pela candidatura e presidência de Donald Trump. Trump descreveu a mudança climática como uma “farsa” e retirou os EUA do Acordo de Paris. Ele conduziu para a corrente principal uma variação populista mais abertamente de direita do negacionismo em que os ambientalistas são enquadrados como parte da “elite corrupta” agindo contra os interesses do povo “puro”.

Tipos de negacionismo

Segundo pesquisadores de um estudo realizado no Reino Unido e publicado na revista Elsevier, há dois tipos de negacionismo climático: o negacionismo epistêmico, relativo às dúvidas sobre o status da mudança do clima como um fenômeno científico e físico; e o negacionismo de resposta, relacionado às dúvidas sobre a eficácia das ações tomadas para enfrentar as mudanças climáticas.

Como o negacionista climático se comporta

De acordo com o estudo mencionado, as eras glaciais são citadas como a principal causa das mudanças climáticas entre os negacionistas epistêmicos. Já os negacionistas de resposta apresentam como principais comportamentos:

Justificação da inação individual

No nível individual, negacionistas climáticos duvidam da eficácia de suas próprias ações comportamentais no combate às mudanças climáticas.

Um dos participantes do estudo, por exemplo, mencionou acreditar que “separar o vidro do papelão não tem muito efeito no derretimento das calotas polares”. O participante, cujo nome não foi divulgado, ainda disse: “Eu sei que, se todo mundo fizesse, seria útil, mas é um símbolo no momento. É mais para nos fazer sentir melhor do que para resolver o problema”.

Da mesma forma, uma segunda pessoa expressou ceticismo sobre a eficácia de fazer reciclagem doméstica:

“Reciclando uma garrafa de vinho, vou mesmo salvar o mundo? Eu não acredito. Se eu não colocar meu papel de fotocópia na reciclagem, isso vai fazer uma grande diferença? Sou cético a respeito disso”.

Além de caracterizar um ceticismo geral em relação ao enquadramento das mudanças climáticas em termos de responsabilidade individual, afirmações como a do segundo participante podem ser usadas para explicar a falta de engajamento pessoal no combate às mudanças do clima. Da mesma forma, na seguinte troca, dois participantes fornecem um contexto em que a inação individual é retratada como justificável:

— “Se você e eu mudarmos o que fazemos realmente não faz nenhuma diferença.”

— “Se eu não comer vacas [referência aos impactos do consumo de carne], não faz grande diferença.”

Um outro adepto do negacionismo climático, também não identificado, afirmou que as mudanças climáticas “são apenas mais uma grande expressão da moda política no momento em relação às eleições”.

Invalidação da mídia

Os participantes da pesquisa também expressaram ceticismo sobre a veiculação de informações a respeito das mudanças climáticas. Os meios de comunicação foram caracterizados como exagerados e sensacionalistas. Os jornais foram mencionados como fontes não confiáveis. E foi enfatizado que as más notícias só servem para “gerar ganho financeiro, servindo de interesse para agendas particulares”.

Preguiça

Em alguns casos, a fadiga com relação às mudanças climáticas foi dada como justificativa para o negacionismo. “Eu coloquei ceticismo [no questionário da pesquisa]. Mas não é que eu não concorde com isso [mudanças climáticas]. Mas vamos ficar bem, os humanos existem há tantos anos e todos nós nos adaptamos para estar onde estamos hoje, então eu tenho certeza de que podemos lidar com isso de novo, é apenas um problema e eu não posso ficar desesperado com isso”. Disse outro participante.

Disseminação de informações falsas

Apesar da preguiça ser uma das justificativas para a adesão ao negacionismo climático, nem todos os negacionistas são preguiçosos. Uma parte deles, inclusive, atua vandalizando páginas como a Wikipedia, importante enciclopédia pública da internet. Um grupo de editores, entretanto, trabalha constantemente para proteger a página de informações falsas a respeito das mudanças climáticas. Saiba mais detalhes na matéria: “Grupo se reúne para proteger a Wikipédia do negacionismo climático“.

Negacionistas são de direita

Curiosamente, um estudo realizado pela Universidade de Oxford e pelo Instituto Leibniz de Ciências Sociais, revelou uma forte ligação entre ser adepto do negacionismo climático e apoiar populistas de direita.

Com base em dados de pesquisa e rastreamento de históricos de navegação na internet de mais de 9 mil participantes em seis países, os pesquisadores Dr. Pu Yan, Professor Ralph Schroeder e Sebastian Stier descobriram que o apoio aos partidos de direita está fortemente relacionado ao negacionismo climático e à oposição às políticas favoráveis ​​ao clima.

O estudo não encontrou uma ligação entre o apoio aos partidos populistas de esquerda e a negação da mudança climática, mas observou que os mais propensos a serem negacionistas são seguidores de partidos políticos de direita, e que esse grupo desconfia mais do consenso científico.


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