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Plastiglomerado, plastitar, plasticrust, antropoquinas e o piroplástico são rochas plásticas que têm surgido nos últimos anos e mostram como o lixo plástico tem modificado profundamente o meio ambiente

O plastistone é mais um exemplo de como o plástico pode interferir no meio ambiente.

Plásticos são feitos a partir de polímeros sintéticos, que por sua vez são feitos à base de petróleo. São amplamente utilizados em todo o planeta, que ainda sofre com a falta de infra-estrutura e a má gestão de resíduos. 

Como consequência da alta produção e consumo de plásticos, além dessa deficiência na gestão dos seus resíduos, existe uma enorme poluição plástica, que atinge o meio ambiente e cada ecossistema.

O que é o plastistone?

Plastistone é um termo, revisado em 2023 por cientistas da Tsinghua University – em Beijing, China – que descreve o conjunto de novas formas de rochas plásticas.

O plastistone é formado quando resíduos plásticos e sedimentos clásticos – que são detritos de rochas sedimentares – são litificados juntos. Litificação é o processo que transforma esses sedimentos soltos em rochas consolidadas.

Esses novos tipos de rochas têm sido encontrados por todo o mundo e são consequência da poluição causada pelo plástico. Apesar de serem encontrados com grande frequência em ambientes marinhos, plastistones também já foram detectados em ambientes terrestres.

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Quais são os tipos de plastistones?

Segundo os cientistas, plastistone é um termo genérico, que inclui rochas plásticas que tiveram seu processo de formação por meio da litificação de resíduos plásticos em rochas naturais.

São eles: plastiglomerado (plastiglomerate), plasticrust, plastitar, plastisandstone e antropoquinas (anthropoquinas).

Outro tipo de rocha plástica é o piroplástico (pyroplastic), que não está incluída dentro do grupo das plastistones pois seu processo de formação é diferente: é derivado da queima do plástico.

plastiglomerado
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Características dos diferentes tipos de plastistones

O plastiglomerado

Plastiglomerados são resíduos plásticos fundidos com conchas, areia e sedimentos de rochas, por exemplo, além de pedaços de madeiras, ligas metálicas e outros resíduos de poluição.

O primeiro relato de plastiglomerado foi realizado no Havaí, quando esse tipo de formação foi encontrado na Kamilo Beach, também conhecida como “plastic beach” (praia de plástico), uma das praias mais poluídas do mundo.

O plastiglomerado também já foi observado em outras praias norte-americanas e também na Indonésia, Portugal e Canadá.

O plasticrust

Já o plasticrust – que não tem tradução para o português, mas pode ser compreendido como “crosta de plástico – são formas plásticas incrustadas em rochas, que ficam nas regiões costeiras.

Uma pesquisa liderada pelo Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha, na Alemanha, mostrou que essas “crostas plásticas” são geradas a partir do atrito de resíduos plásticos com o movimento das ondas, que quebram sobre as superfícies mais angulares e salientes das rochas.

Além disso, o estudo indica que sua formação acontece em apenas um dia, enquanto sua degradação pode levar até 17 dias. De qualquer forma, esse processo contribui para a criação de microplásticos.

A pesquisa, que foi realizada na costa do Japão, encontrou derivados de polietileno (PE) e tintas à base de plástico, nas amostras recolhidas de plasticrust.

O plasticrust foi detectado também na Ilha da Madeira (Portugal), Ilha de Giglio (Itália), Ilha da Trindade (Brasil) e na costa do Peru.

O plastitar

Um estudo realizado pela Universidad de La Laguna, na Espanha, descobriu que o alcatrão, que é um resíduo do petróleo, junto com microplásticos, têm originado um novo tipo de rocha plástica: o plastitar.

O alcatrão é encontrado em costas litorâneas de todo o mundo, graças aos vazamentos causados pela indústria petrolífera.

A formação de plastitar foi encontrada no arquipélago das Ilhas Canárias, na Espanha, e o estudo mostrou que essas novas formações plásticas podem ficar aderidas às rochas de maneira permanente.

Das amostras coletadas pelos pesquisadores, 90.6% eram compostas, principalmente, por alcatrão e polietileno (PE), o restante eram microplásticos de polipropileno (PP). 

Os cientistas também apontam para a alta probabilidade do plastitar estar presente em outras partes do mundo.

O plastisandstone

O plastisandstone é uma rocha formada por grãos minerais, do tamanho de grãos de areia, em sua maior parte de quartzo, combinados com poliéster (PET) e o polietileno de alta densidade (PEAD). 

O quartzo é um mineral natural, mas amplamente utilizado na indústria, com diversas aplicações, tais como porcelanas, tintas, em argamassas e cimentos, vidros, entre outros. 

Esse tipo de rocha plástica foi tema de um estudo liderado pela Universidad del Atlántico, na Colômbia, que detectou que as principais fontes desses sedimentos e dos resíduos plásticos se originam em bacias hidrográficas: os rios Magdalena, Mallorquin e Caribe.

Segundo os pesquisadores o rio Magdalena, que compõe o maior sistema fluvial da Colômbia, despeja 2100 toneladas de microplásticos anualmente no mar do Caribe colombiano.

A segunda causa da formação de plastisandstone é a mistura de resíduos plásticos com sedimentos de rochas, gerados a partir da erosão de falésias da região.

As antropoquinas

Antropoquinas são rochas sedimentares, encontradas em regiões costeiras do hemisfério sul, que são formadas a partir de conchas de moluscos, sedimentos clásticos minerais e resíduos antrópicos, ou seja, de objetos criados pelos seres humanos (ou tecnofósseis).

Uma pesquisa liderada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), colheu amostras de antropoquinas nas praias do Rio do Grande do Sul, a partir da cidade de Torres, até a fronteira com o Uruguai.

Como parte da composição dessas rochas, foram encontradas tampas de garrafa de metal, pregos utilizados na construção de navios antigos, um brinco de plástico, com pérolas de plástico e strass e outros resíduos plásticos.

Os pesquisadores chamam a atenção para a característica “onipresente” da poluição, causada pelo ser humano no ambiente marinho. Além disso, alertam para os riscos e consequências dessa interação e a necessidade de mais pesquisas sobre a distribuição de antropoquinas ao redor do mundo, seus pontos críticos, impactos gerados e formas de mitigação.

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Principais tipos de plásticos encontrados nas plastistones

Segundo os cientistas, os tipos de polímeros mais encontrados nos detritos plásticos dos plastistones são: polietileno tereftalato (PET), polietileno (PE) e polipropileno (PP).

Esses tipos de plásticos são encontrados em resíduos domésticos, industriais e de atividades pesqueiras.

O polietileno tereftalato é um material muito utilizado em garrafas de água ou refrigerantes, que podem levar até 800 anos para se decompor no meio ambiente.

O polietileno é dividido em subgrupos e é aplicado em diversos produtos, principalmente em sacolas plásticas, que podem levar até 450 anos para se decompor.

Imagem de Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0 DEED

O polipropileno tem muitas aplicações, desde peças automotivas até potes de margarina. O PP pode levar de 250 a 400 para se decompor.

Os resíduos plásticos estão sendo encontrados em todos os lugares, inclusive em áreas remotas, nas calotas polares, no alto das montanhas e na vastidão dos oceanos, e já se tornou um grande desafio para o meio ambiente.

Os plastistones são uma demonstração de como o lixo plástico atingiu um nível espantoso de poluição marinha e mostra como a interferência humana impacta de modo negativo o meio ambiente, o ecossistema marinho e toda sua costa.


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