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Substâncias poluentes das atividades industriais estão presentes na indústria têxtil, farmacêutica, agropecuária, na mineração e na produção de eletrônicos

As atividades industriais oferecem insumos e produtos importantes para o cotidiano das pessoas, desde a produção de alimentos e fármacos, até a produção de produtos para o consumo próprio. Entretanto, essas atividades contribuem para a poluição ambiental e provocam efeitos negativos na saúde humana. Entenda quais das substâncias poluentes provêm de atividades industriais:

Indústria Têxtil

Roupas. Imagem editada e redimensionada de Bruno de Souza Leão em Flickr, sob a licença CC BY-NC-SA 2.0

A produção de fibras têxteis e peças de roupas oferece diversos danos ao meio ambiente. Desde o uso de corantes, até o cultivo de algodão ou a produção de fibras sintéticas. As substâncias poluentes que provêm de atividades industriais relacionadas à indústria têxtil são as tintas e corantes, o microplástico liberado por fibras de poliéster e o uso  de agrotóxicos no cultivo de fibras de algodão.

Corantes

O tingimento dos tecidos é uma das etapas que demanda um alto gasto de energia e água e emite efluentes. Os corantes são aplicados em abundância nas fibras, e, mais tarde, são liberados no meio ambiente após a lavagem da peça. Essa prática resulta em contaminação hídrica, afetando ecossistemas aquáticos.

De acordo com um estudo, o esgoto produzido pela indústria têxtil é o mais poluente de setores industriais. Isso porque esses efluentes têm grandes quantidades de corantes, que são compostos por substâncias tóxicas para o meio ambiente. A presença dos corantes no ambiente aquático provoca a morte de peixes, prejudica a fotossíntese e favorece a eutrofização.

Poliéster

As fibras de poliéster são fibras sintéticas, produzidas a partir do plástico. Ao longo da sua vida útil, quando a peça é colocada na máquina de lavar, libera pequenas partículas de plástico. Assim, essas partículas se mantêm na água, contaminando corpos hídricos. 

O microplástico pode se manter no ar e no solo, contribuindo para a poluição ambiental. Além disso, o seu tamanho microscópico facilita a ingestão e inalação do material por pessoas e animais. Outro problema da fibra de poliéster é o alto gasto de energia e a emissão de poluentes durante a sua fabricação, como o monóxido de carbono.

Agrotóxicos

Por último, os agrotóxicos, utilizados no cultivo de algodão, são responsáveis pela contaminação da água e do solo, além de gerar danos na saúde humana, como câncer. Para cada 1 kg de algodão cultivado, são utilizados  aproximadamente 18 g de agrotóxicos. 

Atividade agropecuária

Agropecuária. Imagem editada e redimensionada de domchico em Flickr

A atividade agropecuária é uma atividade que gera diversos impactos ambientais, como o desmatamento e a contaminação do solo e da água. Os poluentes mais abundantes emitidos durante a a atividade agropecuária são os agrotóxicos, os antibióticos e o microplástico oriundo da plasticultura.

Agrotóxicos

O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos. Uma série de agrotóxicos proibidos em outras partes do mundo, como a União Europeia, são permitidos e comercializados no Brasil. Pesquisadores realizaram um estudo com 425 ingredientes ativos presentes na composição de agrotóxicos, no Brasil. 

O estudo visava comparar a restrição do uso desses ingredientes ativos em países da União Europeia e países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A conclusão foi que cerca de 53% dos ingredientes estudados tinham alguma restrição de uso nos países membros da OCDE e da União Europeia.

Os agrotóxicos são utilizados para eliminar pragas e parasitas das plantações, além de contribuir para o desenvolvimento vegetal. Apesar disso, eles oferecem riscos à saúde ambiental e humana, como a perda de biodiversidade e o surgimento de doenças carcinogênicas.

O glifosato é o agrotóxico mais utilizado no mundo, inclusive pela indústria têxtil, para o cultivo de algodão. No meio ambiente, ele pode provocar a morte de espécies aquáticas, contaminando o solo e a água.

Para a saúde humana, esse inseticida provoca danos como infertilidade, doenças carcinogênicas, Alzheimer, Parkinson, microcefalia, depressão, autismo, diabetes, obesidade e doenças gastrointestinais. 

Antibióticos

Os antibióticos são utilizados no setor pecuário, atuando como promotores de crescimento animal. Além disso, são usados para tornar os animais mais aptos à reprodução e reduzir a mortalidade. 

Essas substâncias são ingeridas pelo animal e liberadas em sua excreção e em resto de alimentos. Dessa forma, os antibióticos são lançados no meio ambiente, prejudicando o desempenho de micro-organismos no ambiente, o que afeta negativamente a decomposição da matéria orgânica. 

Além disso, antibióticos favorecem o desenvolvimento de patógenos, parasitas e superbactérias. As superbactérias são aquelas que desenvolvem uma resistência ao antibiótico e, dessa forma, podem provocar doenças e infecções a partir do consumo da carne.

Plasticultura

Plasticultura é o nome dado ao uso do plástico na produção agrícola. Ela aumenta a produtividade por meio do uso de cisternas e cobertura de mudas e fornece matéria-prima para a confecção de equipamentos de proteção individual (EPIs) para o trabalhador.

A plasticultura utiliza canteiros cobertos com plástico, irrigados a partir de gotejamento, visando o aumento da produtividade. Essa técnica oferece várias vantagens para a produção agrícola, como a aceleração do crescimento vegetal. Entretanto, por ser baseada no consumo de plástico, a plasticultura aumenta a quantidade de lixo gerado. 

Esse plástico, por sua vez, pode se tornar microplástico, contaminando o meio ambiente e as pessoas. Os impactos disso são o aumento de doenças como o câncer e a redução de populações de animais.

Mineração

Mineração. Imagem de pixel2013 em Pixabay

A atividade mineradora gera grandes impactos ambientais no local a ser minerado. O desmatamento e a liberação de metais pesados no ar e na água provocam a perda de biodiversidade do ambiente. 

Para coletar os materiais de interesse econômico, é realizada a prática de perfuração e explosão da rocha escolhida. Esse processo contribui para a formação de materiais particulados, que permanecem dispersos na atmosfera. Esses materiais particulados são os maiores poluentes da atividade mineradora, e são compostos pelo material da rocha.  

Outro poluente da mineração é o cianeto, uma substância tóxica usada para a extração de um minério ou rocha. Ele é utilizado para dissolver o minério no interior da rocha. Dessa forma, o minério é coletado líquido, e apresenta em sua composição o cianeto. Em seguida, o mineral passa por um processo de retirada do cianeto.

Durante todo esse processo de extração do mineral e retirada do cianeto, essa substância é liberada no meio ambiente, prejudicando o equilíbrio ecossistêmico. O efeito do cianeto no meio ambiente é a infertilidade do solo e do ambiente aquático, prejudicando a reprodução das espécies. Em seres humanos, o cianeto pode provocar problemas gastrointestinais e de tireoide, dor de cabeça, fraqueza nos músculos e dificuldade na fala. 

Indústria farmacêutica

Cartelas de medicamentos. Imagem de Pexels em Pixabay

A indústria farmacêutica é responsável pela produção de medicamentos utilizados por humanos e animais. Esses medicamentos são importantes para o tratamento de doenças  e a redução de sintomas. 

Entretanto, os medicamentos contêm substâncias nocivas para o meio ambiente, provocando danos em ecossistemas e pessoas. A contaminação por medicamentos ocorre, principalmente, na atividade agropecuária a partir das excreções dos animais. Mas também ocorre pela urina e fezes humanas e descarte incorreto. 

Essas excreções podem ser liberadas no esgoto, em corpos hídricos ou no solo. No caso do esgoto, estudos indicam que o tratamento de esgoto não retira completamente essas substâncias da água. Portanto, mesmo a água tratada contém uma quantidade de substâncias provenientes de medicamentos.

Dessa forma, as substâncias permanecem nos ecossistemas, fazendo parte do grupo de poluentes emergentes – aqueles presentes no cotidiano e encontrados no meio ambiente. Ademais, a degradação de medicamentos é difícil e demorada, fazendo com que eles permaneçam por mais tempo no ambiente.

Danos gerados pelo  dos medicamentos

Além dos antibióticos, utilizados no setor pecuário e no tratamento para humanos, medicamentos como os anti-inflamatórios, quimioterápicos e anticoncepcionais também oferecem danos ambientais. Os medicamentos mais consumidos no mundo, os anti-inflamatórios, podem provocar problemas hematológicos e renais em espécies aquáticas, quando presente em corpos d’água. 

Os quimioterápicos, utilizados na quimioterapia, podem provocar irritações na pele de humanos, náusea, cefaleia e tontura. Além disso, são abortivos e mutagênicos, o que pode gerar o surgimento de outros tumores no corpo humano.

Por último, os anticoncepcionais podem gerar o desenvolvimento de ovário policístico em mulheres e câncer, como o câncer de mama, próstata e testicular. Outro dano na saúde humana é a redução da fertilidade.

No meio ambiente, os anticoncepcionais provocam a feminilização de espécies aquáticas e alteram a sua função reprodutiva. Por serem medicamentos que contêm hormônios sexuais femininos, geram alterações no sistema reprodutor.

Embalagens

As embalagens utilizadas para a comercialização de medicamentos também contribuem para a poluição ambiental. Embalagens primárias, ou seja, embalagens que entram em contato direto com o medicamento, estão contaminadas com substâncias nocivas. Por isso, se descartadas no meio ambiente, podem contaminar o solo e a água.

Para realizar o descarte de medicamentos vencidos e suas embalagens primárias, o ideal é juntar todos os produtos e levá-los a uma drogaria ou um posto de saúde. Nesses locais, os medicamentos, cartelas e frascos serão descartados corretamente, evitando a contaminação do meio ambiente e de pessoas. 

Já as embalagens secundárias, como caixas de remédio e bula, não são contaminadas, pois não entraram em contato direto com o medicamento. Apesar disso, são poluentes, pois são compostas por papel, plástico e outros materiais. Dessa forma, elas devem ser descartadas em postos de reciclagem.

Aparelhos eletrônicos

Aparelhos eletrônicos. Imagem de terimakasih0 em Pixabay

Os aparelhos eletrônicos têm em sua composição uma série de substâncias prejudiciais, como o arsênio, cádmio, cloreto de amônia, chumbo, manganês, mercúrio, zinco e PVC. No corpo humano, essas substâncias provocam problemas de saúde como o câncer, asfixia, insônia e dores musculares.

No meio ambiente, essas substâncias contribuem para a poluição do ar, da água e do solo. Quando entram em combustão, são liberadas em pequenas partículas, que permanecem suspensas na atmosfera. Dessa forma, essas partículas são inaladas por seres vivos, contaminando-os.

Algumas dessas substâncias, como o mercúrio, se acumulam no organismo e, conforme o animal ou vegetal é consumido por níveis tróficos elevados na cadeia alimentar, a sua concentração aumenta. 

Além dos materiais que compõem o aparelho eletrônico, pilhas e baterias também têm em sua composição materiais tóxicos. Esses produtos possuem um material líquido em seu interior, com  a presença de metais pesados como o zinco, dióxido de manganês, chumbo e cádmio. Portanto, se descartados no meio ambiente, os produtos contaminam o solo e o lençol freático.