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Imazalil afeta a vida de minhocas presentes no solo e prejudica o equilíbrio ecossistêmico

Imazalil é um fungicida pertencente ao grupo imidazol utilizado nas culturas de banana, citros, maçã, mamão papaia, manga e melão. Ele atua eliminando doenças que surgem nessas espécies vegetais e que podem prejudicar a produtividade agrícola. 

Saúde

O imazalil faz parte do grupo de produtos mais tóxicos, enquadrado na classe I, extremamente tóxico. As vias de exposição desse agrotóxico são dérmica, oral e inalatória. O órgão mais atingido por esse fungicida é o fígado, que pode sofrer com manchas escuras, aumento de peso e obstrução no fluxo de ar. 

Os sintomas provocados pelo agrotóxico são irritação nos olhos e danos como opacidade e inflamação na íris. Se ingerido, o imazalil leva a dificuldades na respiração, perda de reflexo, aumento na salivação, queda da pálpebra, inconsciência, problemas na coordenação motora e à morte.

O contato dérmico com o imazalil provoca manchas vermelhas, denominadas eritemas.  No caso de inalação, os sintomas que podem surgir nas vias respiratórias são vermelhidão e inchaço, além de constipação intestinal e descoloração nos pulmões. Ainda, estudos realizados com roedores indicam que o imazalil pode provocar câncer.

A sua distribuição pelo organismo é rápida, assim como a sua absorção e metabolização, fazendo com que o fungicida atinja o sistema gastrointestinal. Entretanto, grande parte do fungicida que entra em contato com o corpo é excretado, sobretudo, pela urina. 

Risco ambiental

Peixe-zebra. Imagem de Kuznetsov_Peter em Pixabay

Para o meio ambiente, o imazalil pertence ao segundo grupo que oferece maior risco ambiental, classificado como muito perigoso. Isso porque o produto é altamente persistente no ambiente e altamente tóxico para seres aquáticos.

O imazalil pode afetar espécies de formas diferentes. De acordo com um estudo, que analisou a presença de imazalil em corpos d’água e no solo, o imazalil não é letal para as minhocas das espécies E. andrei, mas pode provocar danos à saúde das minhocas se expostas ao agrotóxico a longo prazo. Dessa forma, o imazalil prejudica o desempenho das minhocas no solo. Outro estudo apontou que o agrotóxico não afeta a saúde ou o desempenho de minhocas da espécie E. foetida. 

Já espécies aquáticas como o peixe-zebra são afetadas pelo imazalil de acordo com o grau de exposição e a concentração do agrotóxico na água. De acordo com uma pesquisa, embriões de peixe-zebra são afetados negativamente se expostos à uma concentração de pelo menos 10 micrômetros.

O fungicida pode provocar a morte dos embriões ou impedir a eclosão destes, para que se tornem adultos. Quando o agrotóxico não provoca a morte, pode levar à redução da pigmentação, edema cardíaco e problemas na estrutura, como tronco torto, defeitos na causa e notocorda ondulada. 

Além disso, o imazalil gera anomalias nos cromossomos dos peixes, o que pode provocar mutações, e afeta o sistema reprodutor. Com isso, ocorre um desequilíbrio ecossistêmico, reduzindo a população de peixes dessa espécie em ambientes aquáticos.

Modo de aplicação e medidas de precaução

A aplicação do imazalil deve ser realizada depois do período de colheita dos frutos. Além disso, não deve ser aplicado na presença de ventos e sol intenso. Dessa forma, evita-se que o produto seja deslocado para outro ambiente, contaminando áreas indesejadas.

Para proteger o agricultor que vai aplicar o agrotóxico, deve ser utilizado o equipamento de proteção individual (EPI), que consiste em um macacão com mangas compridas, luvas, máscara com filtro, óculos de proteção e botas. Os filtros da máscara devem ser trocados com frequência, de acordo com a sua validade.

Após a aplicação, o sujeito responsável por manusear o agrotóxico deve tomar banho em seguida e lavar as roupas utilizadas. A lavagem das roupas deve ser feita de forma isolada das demais roupas. A embalagem não deve ser reutilizada, lavada ou descartada no meio ambiente, para evitar contaminações. 

Entretanto, apesar da importância da descontaminação para a saúde, a prática de tomar banho e  lavar as roupas contaminadas contribui para a contaminação de corpos hídricos.

Atuações em acidentes

No caso de acidentes, a área contaminada deve ser isolada e sinalizada, e o sujeito responsável pelo manuseio do produto na área contaminada deve estar usando EPI. Quando o acidente ocorrer no solo, as camadas contaminadas devem ser retiradas, armazenadas, lacradas e identificadas. 

Em seguida, a empresa responsável pela fabricação do produto deve ser acionada para a retirada do material. Em piso pavimentado, o agrotóxico deve ser retirado com auxílio de areia ou serragem. Depois, o material deve ser recolhido e o procedimento acima deve ser repetido.

A contaminação em corpos hídricos exige a interrupção do uso da água para abastecimento humano ou animal, para evitar a contaminação dos organismos e o desenvolvimento de doenças e sintomas. Sabendo da contaminação, a empresa responsável pela fabricação e algum órgão ambiental, como o IBAMA, devem ser informados.