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Óleo de Lorenzo, desenvolvido por pais de garoto com doença degenerativa, virou tema de filme na década de 1990

Imagem de Kelly Sikkema no Unsplash

O óleo de Lorenzo é uma combinação de uma mistura de trioleato de glicerol (fonte de ácido oleico) e trierucato de glicerol (éster do ácido erúcico). O óleo é extraído de óleo de colza e de azeite de oliva e foi concebido para normalizar o acúmulo de ácidos graxos de cadeia muito longa no cérebro, retardando a progressão de uma doença degenerativa chamada adrenoleucodistrofia (ALD).

A substância deu origem ao filme O óleo de Lorenzo (1992), dirigido por George Miller, que conta a história real de um menino, que, aos seis anos de idade, viu sua vida ser transformada após ser diagnosticado com uma doença rara e sem cura.

Com pouca pesquisa sobre a ADL, uma expectativa de vida estimada pelos médicos em dois anos a partir do diagnóstico e o desconhecimento geral a respeito de um tratamento eficaz para Lorenzo, os pais do garoto, Augusto e Michaela Odone, deram início, por conta própria, a uma saga de estudos e pesquisas. Seus esforços os levaram ao desenvolvimento de um óleo capaz de conter o avanço da doença.

Eles descobriram que, uma vez que o organismo não recebe ácidos graxos da alimentação, ele os produz sozinho, através de um processo chamado biossíntese. Então, decidiram manipular um óleo que pudesse “enganar” o organismo. Embora não tenha sido capaz de curar a doença de Lorenzo, acredita-se que a substância tornou seu desenvolvimento mais lento.

Como funciona o óleo de Lorenzo

Caso seja ministrado logo no início em meninos com adrenoleucodistrofia, que ainda não apresentem sintomas da doença, o óleo de Lorenzo pode impedir a evolução da patologia, além de apresentar benefícios à saúde e maior qualidade de vida. O óleo foi projetado para normalizar o acúmulo de ácidos graxos de cadeia muito longa no cérebro, interrompendo assim a progressão da ALD.

O óleo de Lorenzo é comercializado como suplemento alimentar. É específico para ALD e, por isso, não deve ser utilizado no tratamento de outras leucodistrofias ou esclerose múltipla, exceto sob prescrição médica. Também não repara a mielina e não tem nenhum efeito conhecido em outras doenças desmielinizantes. Em meninos pré-sintomáticos, no entanto, produto pode retardar o início da doença ao impedir o corpo de produzir os ácidos graxos de cadeia muito longa, cujo acúmulo leva à desmielinização.

Riscos à saúde

O óleo de Lorenzo provou ser seguro quando consumido em conjunto com outros tratamentos e sob o monitoramento de profissionais de saúde. Os efeitos colaterais do uso óleo podem incluir hematomas e sangramento.

Os efeitos do suplemento no organismo de mulheres grávidas e lactantes ainda não são conhecidos. Por isso, pessoas nessas condições devem evitar o consumo.

Doenças do sangue que causam uma diminuição das plaquetas sanguíneas necessárias para a coagulação (trombocitopenia) ou uma diminuição dos glóbulos brancos necessários para combater infecções (neutropenia). O o óleo de Lorenzo pode estar associado ao agravamento dessas condições.

História

O neurologista Hugo Moser, falecido em 2007, dedicou dez anos a estudos e pesquisas sobre a eficácia do óleo de Lorenzo no tratamento da doença. Um de seus estudos revelou que o preparado teve o notável efeito bioquímico de normalizar os níveis plasmáticos de ácidos graxos de cadeias muito longas em pacientes com adrenoleucodistrofia (ALD), em apenas quatro semanas, provavelmente inibindo a síntese endógena desses ácidos.

No trabalho, o neurologista relatou que a administração de óleo de Lorenzo para meninos assintomáticos que tinham resultados normais de ressonância magnética cerebral reduziu significativamente seus riscos de desenvolver a doença na infância. Foi recomendado que os pacientes assintomáticos, com menos de oito anos, que apresentassem resultados normais de ressonância magnética do cérebro fossem colocados em um programa supervisionado de óleo de Lorenzo e terapia dietética. A função adrenal e o aspecto da ressonância magnética do cérebro foram monitorados em intervalos de seis meses.

O óleo de Lorenzo não altera significativamente a progressão neurológica em pacientes com a doença já desenvolvida. No entanto, os resultados sugeriram que a substância é capaz de retardar a evolução. A pesquisa de Moser foi corroborada por outros estudos na mesma linha.

Lorenzo morreu em 2008, aos 30 anos, de pneumonia. Ele viveu 22 anos a mais do que previam as estimativas dos médicos responsáveis por seu diagnóstico inicial. Sua mãe, Michaela, interpretada por Susan Sarandon no cinema, morreu em 2000. Já Augusto, o pai, faleceu em 2013, vítima de insuficiência cardíaca.



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