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Diterpenos são compostos orgânicos associados às ações anti-inflamatória e antimicrobiana

Os diterpenos são metabólitos secundários, isto é, compostos orgânicos que não estão envolvidos diretamente no crescimento, desenvolvimento e reprodução dos organismos. Eles são constituintes típicos de plantas e fungos, mas também são sintetizados por certos insetos e organismos marinhos.

Os diterpenos são constituídos de aproximadamente 20 átomos de carbono e fazem parte da classe de terpenos, que são substâncias produzidas naturalmente pelos vegetais, comumente encontradas em óleos essenciais.

Os diterpenos correspondem a quatro unidades de isopreno. Essas unidades se combinam em diferentes formas e dão origem a uma variedade de diterpenos, tais como: abietano, quinonóide e cafestol. Alguns desses são encontrados no café, nos chás e em plantas, como a sálvia.

Os diterpenos exercem diversas atividades biológicas, como ação anti-inflamatória, antimicrobiana e antiespasmódica. Além disso, em pesquisas, eles têm sido associados, por exemplo, a efeitos terapêuticos para doenças, como as cardiovasculares.

Onde os diterpenos estão presentes?

Existem vários tipos de diterpenos, sendo que cada um deles pode ser encontrado em diferentes organismos vegetais e animais. Veja alguns exemplos:

  • Cembrene: encontrados na oleorresina do tronco de pinheiro, nas plantas do gênero Nicotiana e Pinus, nos corais moles e outros organismos marinhos;
  • Ácido abiético: diterpeno irritante encontrado na madeira de pinho e na resina;
  • Caulerpol: encontrado em grande parte das espécies de algas do gênero Caulerpa;
  • Tanshinones: encontradas na Salvia miltiorrhiza;
  • Phorbol: encontrado no óleo de cróton;
  • Cafestol e kahweol: presentes no óleo derivado dos grãos de café;
  • Reteno: presente nos alcatrões obtidos por destilação da madeira resinosa, é um poluente eliminado pelas fábricas de papel;
  • Esteviol: aglicona dos glicosídeos (substâncias formadas pela união de moléculas de glúcido) doces da estévia;
  • Giberelinas: presente nas plantas, importante para o crescimento do caule;
  • Desidroleucodina: isolada da Artemisia douglasiana;
  • Canabinoides: presentes na Cannabis;
  • Andrographolide: isolado do caule e das folhas de Andrographis paniculata.

Utilidades dos diterpenos

Os diterpenos estão presentes em processos naturais dos organismos e atuam de diferentes maneiras dependendo do seu tipo. Em cupins, mais especificamente do gênero Nasutitermes, por exemplo, os diterpenos fazem parte da composição da secreção utilizada como mecanismo de defesa contra inimigos da espécie.

Estudos indicam que as plantas também usam essas substâncias como mecanismo de defesa e as armazenam de maneira atóxica para evitar a autotoxicidade. Dessa forma, elas afastam os herbívoros e se protegem de serem comidas.

Além dos processos naturais, muitos estudos ainda são desenvolvidos buscando entender os efeitos dos diterpenos no corpo humano.

Os cembranoides do tabaco já são conhecidos por suas propriedades antimicrobianas e neuroprotetoras. Por causa disso, eles servem como modelos para o desenvolvimento futuro de medicamentos para tratar a AIDS e doenças neurodegenerativas.

A tansinona I, outro tipo de diterpeno, exibe várias propriedades biológicas anticancerígenas. O andrographolide foi estudado por seus efeitos na sinalização celular, imunomodulação e acidente vascular cerebral.

Além disso, de acordo com estudos, o andrographolide também tem a propriedade de ajudar a recuperar o declínio cognitivo, sugerindo que possa ser usado como uma terapia potencial para a doença de Alzheimer.

De acordo com pesquisas, os diterpenos de alecrim mostraram efeitos antioxidantes e potencial de inibir a morte de células neuronais. Outros estudos científicos demonstram que o cafestol e o kahweol, diterpenos do café, apresentam efeitos quimioprotetores, podendo inibir o crescimento do câncer.

Extratos de frutos de X. aethiopica foram submetidos a estudos fitoquímicos de atividades cardiovasculares e diuréticas, em que constataram uma diminuição da pressão arterial sistólica.

Em outro estudo, diterpenos de X. aethiopica apresentaram propriedades analgésicas e anti-hiperalgésica, ou seja, as substâncias auxiliam na excessiva sensibilidade à dor. Apesar disso, eles também revelaram efeitos citotóxicos e espermatotóxicos, o que significa que podem ser tóxicos para as células e para o esperma.