Café faz mal à saúde?

eCycle

Na verdade, não é que o café faz mal, mas ele pode apresentar alguns efeitos colaterais

café faz mal
Imagem editada e redimensionada de Ronaldo Arthur Vidal, está disponível no Unsplash

O café é um bebida consumida, ao que se sabe, desde o século VII. Ele é capaz de proporcionar benefícios como melhorar o desempenho cognitivo e físico, fornecer antioxidantes e nutrientes, entre outros que você pode conferir na matéria: "Benefícios do café". Mas será que o café faz mal?

Na verdade, não é que o café faz mal, mas ele pode apresentar alguns efeitos colaterais - principalmente se for consumido em excesso - como o aumento de ansiedade. Entenda:

A cafeína

O principal composto ativo do café é cafeína, que também está presente em outras bebidas como os chás.

A cafeína é um alcaloide psicoestimulante (droga capaz de estimular a atividade, a vigília e a atenção) que pertence ao grupo das xantinas. Os derivados das xantinas são utilizados como estimulantes cerebrais ou estimulantes psicomotores por atuarem no córtex cerebral e nos centros medulares. Por isso, a cafeína tem um efeito acentuado sobre a função mental e comportamental. Ela atua no sistema nervoso autônomo e seu mecanismo de ação inibe os receptores de adenosina.

A adenosina é um neurotransmissor que age no controle da frequência cardíaca, da pressão sanguínea e da temperatura corporal. É ela que induz as sensações de sono e cansaço. Como a cafeína inibe sua ação, acaba provocando os efeitos contrários. É por isso que o consumo de café (com cafeína) está relacionado com o aumento da concentração, melhora do humor, controle de peso, entre outros. No entanto, pessoas que utilizam a substância regularmente acabam observando menos suas sensações.

Uma xícara de café contém entre 60 mg e 150 mg de cafeína - se não for um café descafeinado. O menor valor (60 mg) corresponde a uma xícara de café solúvel instantâneo, enquanto um café coado pode chegar a 150 mg de cafeína por xícara. Saiba mais sobre os diferentes métodos de fazer café na matéria: "Como fazer café do jeito mais sustentável".

Dentre as fontes naturais de cafeína, o café é a mais ingerida. A concentração de cafeína no café depende de diversos fatores, como a variedade da planta, o método de cultivo, as condições de crescimento, e aspectos genéticos e sazonais. Além disso, quando a bebida é preparada, fatores como a quantidade de pó, o modo de produção (se o produto é torrado ou instantâneo, descafeinado ou tradicional), e seu processo de preparo (expresso ou coado, por exemplo) influenciam na quantidade de cafeína.

Cafés mais escuros dão a impressão de possuírem mais cafeína do que os claros, mas isso não é verdade. Por mais que os cafés escuros sejam mais fortes e encorpados, o processo de torrefação queima parte da cafeína. Por esse motivo, o café de torra escura é uma opção melhor para quem deseja apreciar a bebida sentindo com menor intensidade os efeitos da cafeína.

Segundo o European Food Information Council, a média de meia-vida (tempo gasto para que a concentração de um fármaco no organismo se reduza à metade) da cafeína no organismo varia de duas até dez horas. Há grande variação individual e o organismo atinge a concentração máxima uma hora após a ingestão.

De acordo com um relatório publicado pelo comitê científico da European Food Safety Authority (EFSA), o limite de segurança seria, em média, de 400 mg ao dia (cerca de quatro xícaras de café) por indivíduos adultos com cerca de 70 kg. Já para mulheres grávidas ou lactantes, o valor seria de 200 mg ao dia.

Café faz mal?

Em indivíduos adultos, a cafeína presente no café parece proteger o cérebro de danos causados por estresse. Mas, na vida intrauterina, ela pode atrapalhar o desenvolvimento neural do feto e corroborar com fatores de risco para doenças como epilepsia.

Apesar de não ser comprovado que o café faz mal, ele não é considerado seguro para crianças e adolescentes, por isso não deixe os pequeninos ingerirem mais de 100 mg por dia de cafeína.

Diz o ditado que a diferença entre veneno e remédio é a dose. Pessoas que ingerem mais de cinco xícaras de café por dia (mais de 500 mg ou 600 mg) podem sentir efeitos adversos. Entre eles, destacam-se: insônia, nervosismo, agitação, irritabilidade, dor de estômago pelo aumento do suco gástrico, batimentos cardíacos acelerados e tremores musculares. Pessoas que não costumam ingerir café com frequência podem sentir os efeitos negativos mesmo em baixas doses.

Para alguns indivíduos, uma xícara de chá ou café pode ser o suficiente para uma noite com insônia ou agitação. Fatores como peso corporal, idade, uso de medicamentos e problemas de saúde (como transtornos de ansiedade) podem ampliar os efeitos colaterais. Por aumentar o ritmo cardíaco, seu consumo deve ser moderado por indivíduos com hipertensão, doença coronariana e arritmia cardíaca.

A inibição dos receptores de adenosina não traz apenas efeitos positivos. A adenosina é muito importante para o sono profundo. Por esse motivo, a cafeína presente no café pode afetar negativamente o controle motor e a qualidade do sono, privando o consumidor de café dos benefícios do sono profundo. No dia seguinte, você estará cansado e precisará de mais cafeína para se manter disposto. Esse ciclo vicioso não é saudável para seu corpo.

Se com base na sua experiência de vida você acredita que o café faz mal para a sua saúde, que tal experimentar o café descafeinado? Saiba mais sobre ele na matéria: "Café descafeinado faz bem ou mal?".

Se você tem sofrido de insônia por causa do café, dê uma olhada na matéria: "Insônia: o que é, chás, remédios, causas e como acabar com ela", talvez ela possa te ajudar.


Veja também:


 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail