Dióxido de carbono: essencial por um lado, prejudicial por outro

Gás que mais pode contribuir para o efeito estufa está atingindo altas concentrações na atmosfera

O dióxido de carbono (CO2), também conhecido como gás carbônico, é um composto químico gasoso e um do gases que pode desequilibrar o efeito estufa. Ele ainda é de difícil detecção por não ter cheiro ou sabor. Essencial à vida no planeta por ser um dos compostos principais para a fotossíntese, o carbono é encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono. Por outro lado, vários organismos liberam CO2 para a atmosfera mediante o processo de respiração, inclusive as plantas e árvores (conhecidas como compensadoras de CO2) que, em condições de calor e seca, fecham seus poros para impedir a perda de água e mudam para o processo de respiração noturno, denominado de fotorrespiração, ou seja, consomem oxigênio e produzem dióxido de carbono (saiba mais sobre a importância das árvores para o clima aqui).

No entanto, o que preocupa não é a presença do dióxido de carbono na atmosfera e sim a alta concentração em que se encontra, por ser o gás estufa que, de acordo com certas linhas científicas, mais contribui para o aquecimento global.

Fontes e usos

• Respiração de animais, seres humanos e organismos vivos; 
• Decomposição de seres vivos e materiais; 
• Erupções vulcânicas; 
• Atividade humana (principalmente indústrias); 
• Queima de combustíveis fósseis (carvão, gás de usina de energia, petróleo, veículos); 
• Desmatamento e queimadas; 
• Lavagem de polpa de celulose e papel.

O CO2 também é muito utilizado na produção de cimento, geração de eletricidade, em extintores de incêndio, para resfriar dispositivos com gelo-seco e para efervescência de refrigerantes e água gasosa.

Excesso na atmosfera

Os setores industrial e de transporte são os principais vetores do excesso de gás carbônico na atmosfera (saiba mais aqui). Além disso, as mudanças no uso da terra (desmatamentos e queimadas) afetam os estoques e reservatórios naturais de carbono e, simultaneamente, os sumidouros (ecossistemas com a capacidade de absorver CO2) e sequestradores de carbono. A alta da concentração de gás carbônico na atmosfera começou no final do século XVIII, quando ocorreu a revolução industrial, que demandou a utilização de grandes quantidades de carvão mineral e petróleo como fontes de energia. Desde então, a concentração média de CO2 vem aumentando e pode exceder, até 2015, 400 ppm (saiba mais aqui).

Efeitos

Alta concentração de dióxido de carbono leva à poluição do ar, chuva ácida, possível desequilíbrio do efeito estufa com consequente elevação da temperatura da Terra, conjuntamente o derretimento de calotas de gelo e elevação dos níveis oceânicos, resultando em uma grande degradação ambiental de ecossistemas e paisagens.

Segundo estudo, a convivência do ser humano com a poluição implica em efeitos para a saúde, como alterações clínicas na população, ou seja, aparecimento de doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios. Entre os sintomas e consequências estão maior incidência de asma e bronquite, aumento das crises de asma e dor precordial (desconforto torácico), limitação funcional, maior utilização de medicamentos, aumento número de consultas em pronto-socorro e internações hospitalares e ainda grande prejuízo para economia com gastos na saúde pública. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou que as pessoas, em seus 34 países-membros, estariam dispostas a pagar US $ 1,7 trilhão para evitar mortes causadas pela poluição do ar, sendo que esse tipo de poluição mata mais de 3 milhões de pessoas no mundo anualmente.

Alternativas para controle

No caso do CO2, o sequestro de carbono da atmosfera é a principal solução, seja ele natural ou artificial. As atuais técnicas de captura de carbono ou reproduzem ou visam reforçar as formas naturais. As formas artificiais são reflorestamento, captura por meio de eletrólisesequestro geológico de carbono, que visa devolver o carbono comprimido para o subsolo, por meio de injeção em um reservatório geológico. E por incrível que pareça, os ouriços também têm importante papel na captura de CO2.

Por outro lado, para diminuir as emissões, há possibilidade de se privilegiar fontes de energias renováveis, que substituem combustíveis mais poluentes, como o carvão, por outros menos nocivos, como gás natural. A adoção de políticas governamentais mais rígidas quanto ao controle, padrões de qualidade do ar e emissões também é essencial, assim como preferir o transporte público e, caso for comprar um carro, escolher veículos que emitem menos CO2 (veja aqui algumas medidas sugeridas para a cidade de Nova Iorque).

Além disso, a tecnologia tentar procurar sempre inovações, que ainda estão sendo testadas, mas se mostram promissoras, como a técnica que transforma CO2 em concreto, ou o bloco de construção que consome CO2 em sua produção e a produção de biocarvão.

Uma maneira de compensar as emissões é o mercado de crédito de carbono. Nele, uma tonelada de gás carbônico corresponde a um crédito de carbono. Empresas que conseguem diminuir a emissão de gases poluentes obtêm estes créditos, podendo vendê-los nos mercados financeiros nacionais e internacionais. As empresas que conseguem reduzir a emissão dos gases poluentes lucram com a venda destes créditos de carbono. Países que emitem mais compram créditos no mercado de carbono. No entanto, essa também é uma prática questionável, pois o problema não se resolve com as empresas poluidoras apenas comprando créditos - é necessário que elas reduzam o nível de emissões.

Veja também:
-O impacto ambiental do transporte aéreo
-Álcool polui menos? 
-O mundo afogado em CO2 
-Agricultura de baixo carbono: como ela pode contribuir para conter o aquecimento global 
-Site usa mapa-mundi para mostrar emissões de carbono no planeta 


 

Comentários  

 
+2 #1 2015-03-09 00:32
gostei muito do artigo sobre o gás carbonico. Aprendi coo funciona o processo e irá servir muito em meus estudos para as avaliações da fculdade.
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