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O ozônio é um gás altamente reativo e oxidante. Confira seus usos, aplicações, vantagens e desvantagens

O ozônio é um gás muito instável que possui três moléculas de oxigênio. Isso significa que ele não consegue manter por um longo período de tempo a sua estrutura com essas três moléculas de oxigênio.

Por isso, o ozônio se liga a outras moléculas, formando outros elementos muito facilmente. Mas você sabe quais são os vários papéis que o ozônio desempenha? Confira!

Ozônio estratosférico

Primeiro temos o ozônio presente na estratosfera, que é uma das camadas da atmosfera localizada entre 10 km e 50 km da superfície da Terra.

Esse ozônio é formado por reações fotoquímicas. Basicamente, a radiação solar em comprimentos de onda ultravioleta e infravermelho dissociam as moléculas de oxigênio, formando o oxigênio atômico (O). Por sua vez, este reage com O2, formando o ozônio (O3).

É aí que o ozônio é destruído, reagindo com outras moléculas de oxigênio atômico ou com o O2. Após a sua destruição, o ciclo de formação se inicia novamente.

Como a concentração de ozônio é maior na estratosfera, essa camada fica conhecida também como camada de ozônio. Na verdade, entretanto, ela não é uma camada propriamente dita, mas uma região com alta concentração de ozônio.

Este ozônio estratosférico absorve toda radiação ultravioleta B (UV-B) e uma parte de outros tipos de radiação ultravioleta, protegendo os seres vivos presentes na superfície terrestre.

Quando se fala da destruição da camada de ozônio, isso envolve um processo fora do ciclo normal de formação-destruição do ozônio. Em resumo, gases como os clorofluorcarbonos (CFC) aceleram a destruição do ozônio, facilitando a entrada dos raios ultravioletas na superfície da Terra.

Ozônio troposférico

O segundo papel que o ozônio assume, situa-se em outra camada da atmosfera, a troposfera, que é a camada em que vivemos. Este tipo de ozônio pode ocorrer naturalmente em baixas concentrações. No entanto, o que o torna um poluente altamente tóxico é a presença de outros poluentes que provocam o desequilíbrio dos processos de consumo e formação do ozônio.

Esses poluentes são: os compostos orgânicos voláteis (VOCs) exceto o metano, o monóxido de carbono (CO) e óxidos de nitrogênio (NO e NO2). A partir deles, forma-se o smog fotoquímico (smoke, de fumaça, e fog, de neblina), um tipo de poluição que é desencadeada pela luz solar e que gera ozônio como produto.

Por causa desse desequilíbrio, a concentração de ozônio na troposfera aumenta, tornando-o tóxico para os seres vivos. Os efeitos relacionados ao ozônio como poluente são vastos.

Para os seres humanos e outros animais, o ozônio pode provocar irritação nos olhos e vias respiratórias, diminuir a capacidade pulmonar, intensificar problemas cardiovasculares, além de aumentar a mortalidade infantil por causas respiratórias em dias e locais com altos níveis de poluição.

Ozônio em purificadores de ar

Por ser um gás altamente reativo e oxidante, o ozônio é utilizado como um agente que possivelmente atua contra poluentes que oferecem risco à saúde e que estão presentes no ar de ambientes internos (casa, escritórios).

No entanto, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e o Departamento de Saúde Pública de Connecticut (DPH), testes foram realizados com purificadores de ar, também conhecidos como ozonizadores, e mostraram que a purificação do ar pelo ozônio é ineficaz.

Tanto para as concentrações permitidas por lei quanto para concentrações acima, o ozônio não é um efetivo descontaminante do ar. Porque, para concentrações acima das permitidas por lei, os efeitos negativos que o ozônio causa na saúde são piores do que os efeitos provocados pelos outros poluentes presentes no ar do ambiente interno.

Para questões relacionadas à retirada de odor de carpetes, por exemplo, o ozônio mostra-se aparentemente efetivo. No entanto, ao mascarar o odor, outras reações ocorrem e o ozônio interage com diversas substâncias presentes no ar de ambientes internos, formando compostos como o formaldeído, considerado carcinogênico pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC).

O ozônio também reage facilmente com compostos orgânicos voláteis (VOC, na sigla em inglês) muito presentes em produtos de limpeza doméstica, produtos de higiene pessoal e em aromatizadores de ar, por apresentar fragrância agradável e por ter propriedades antimicrobianas. De acordo com o DHP, o ozônio, quando reage com VOCs, resulta na formação de formaldeído e outros compostos perigosos para a saúde.

Ozonioterapia

Sobre a ozonioterapia, pesquisas revelam o poder antibacteriano do ozônio para ser utilizado em procedimentos da odontologia e em outras áreas da medicina. Apesar dessa propriedade, o ozônio mostrou alto grau de toxicidade para ser usado em tais procedimentos, o que dificulta sua aplicação na área.

Ozônio na água

Até o momento, é possível perceber que o ozônio tem vários usos, e cada aplicação do elemento pode nos beneficiar ou não.

Quando o ozônio é utilizado na água, ele traz muitos benefícios para a nossa saúde. Segundo estudo, por ser altamente oxidante, o ozônio é capaz de romper a parede celular de bactérias e fungos, inativando esses microrganismos e impedindo que possam causar danos à saúde.

Portanto, de acordo com pesquisas, o ozônio pode ser utilizado na desinfecção de utensílios, como galões de água, na água para desinfecção por meio da oxidação de compostos orgânicos e inorgânicos.

Existe também a aplicação do ozônio para tratamento de água em piscinas, em substituição ao cloro que causa danos à saúde, no tratamento de águas residuais e para tratar águas subterrâneas, que muitas vezes possuem altos níveis de ferro e o ozônio atua na precipitação de metais e metais pesados.

Nos tratamentos convencionais realizados em Estações de Tratamento de Água (ETA), ainda não é possível remover compostos que provocam disfunções endócrinas, como os pesticidas e hormônios. Porém, pesquisa aponta para a utilização do ozônio nesses tratamentos.

Mas como o ozônio presente na troposfera e no ar de ambientes internos causa danos à saúde e o ozônio utilizado como desinfetante na água, alimentos e objetos é benéfico?

O ozônio, segundo análises químicas, decompõe-se rapidamente na água. Ou seja, ao romper a parede celular de um fungo ou bactéria, ele origina o oxigênio e outra substância, dependendo da matéria que ele interagiu antes da reação começar. Por isso, ele não gera nenhum produto que possa causar dano à saúde quando utilizado para esses propósitos.