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Fonte de carboidratos para insetos e parasitas, melada é ameaçada pelo uso de agrotóxicos

Melada, ou honeydew em inglês, é um excremento produzido por algumas espécies de insetos, como abelhas e formigas. Ela atua como a principal fonte de carboidratos para esses insetos, predadores e parasitas na maior parte dos ecossistemas. Ela tem características em comum com o mel convencional, entretanto, apresenta algumas diferenças, como a coloração e o sabor.

A melada desempenha o papel de controle de pragas e estabelece relações de mutualismo entre espécies. Entretanto, o uso de agrotóxicos no setor agrícola resulta em impactos negativos, contaminando e provocando a morte dos insetos produtores de melada.

Apesar de sua importância, a melada não é a melhor fonte de alimentos. De acordo com um estudo, em comparação com o néctar, a melada é de difícil consumo devido a sua viscosidade. Além disso, o néctar é mais perceptível pelos animais e apresenta um maior valor nutricional.

Diferença entre mel de flores e mel de melada

Existem dois tipos de mel, o mel de melada e o de flores. O mel de melada é um alimento produzido por insetos sugadores de seiva e de secreções de plantas vivas ou excreções de insetos. O mel de flores é produzido pelas abelhas a partir do néctar presente em flores.

Mel de melada

Formiga se alimentando de melada. Imagem editada e redimensionada de Wikimedia Commons, sob a licença CC BY-SA 3.0

De acordo com um estudo, o mel de melada apresenta mais propriedades antibacterianas e antioxidantes em comparação ao mel de flores. Ele tem maior condutividade elétrica, presença de cinzas e alto pH. A sua coloração é mais escura e sua composição conta com grande quantidade de oligossacarídeos e baixa quantidade de monossacarídeos.

A presença de oligossacarídeos contribui para o equilíbrio intestinal, já que esses compostos favorecem a permanência de lactobacilos e algumas bactérias benéficas. Por último, a melada tem aroma e sabor mais intensos do que o mel de flores.

Mel de flores

Favo de mel de flores. Imagem editada e redimensionada de Opal em Pixabay

O mel é composto por 70 a 80% de carboidratos que são, em geral, monossacarídeos de glicose e frutose. Os monossacarídeos de glicose correspondem a 31% dos carboidratos do mel, enquanto os de frutose correspondem a 38%.

Além de carboidratos, o mel é composto por 10 a 20% de água e outros componentes, como aminoácidos, ácidos orgânicos, óleos essenciais, sais minerais, enzimas, hormônios, proteínas, lipídios e vitaminas. 

Ele apresenta alto valor nutricional e pode ser usado como cicatrizante e para o tratamento de queimaduras, gastrite e úlcera. Outro uso do mel é como bactericida, devido a sua acidez e a presença de peróxido de hidrogênio

O mel de flores é caracterizado por uma coloração mais clara, um teor maior de monossacarídeos e menor de oligossacarídeos em comparação com a melada. O seu pH é inferior ao da melada, assim como a sua condutividade elétrica e quantidade de cinzas.

Apesar de ter sabor e aroma mais suaves, o mel de flores é mais doce. Entretanto, essas características dependem da espécie vegetal utilizada para a sua fabricação e do inseto produtor.

Papel da melada no ambiente

A disponibilidade de melada contribui com o controle de pragas no ambiente. Alguns parasitas, como as moscas-das-flores, têm o estágio adulto determinado a partir do consumo de melada (ou açúcar).

Outras espécies, como as joaninhas, utilizam a melada como substituição de presas para a sua alimentação. O carboidrato presente na melada é transformado em açúcar pelo organismo, fornecendo uma quantidade alta de energia.

A melada tem um papel importante na relação de mutualismo entre espécies, como formigas e insetos hemípteros produtores dessa excreção. Nesse caso, as formigas se alimentam da melada e, ao mesmo tempo, protegem esses insetos de predadores.

De acordo com um estudo, a interação de formigas e hemípteros interfere negativamente na quantidade de predadores herbívoros. Com isso, as espécies vegetais são beneficiadas. Essa interação também ocorre entre formigas e pulgões, que são produtores de melada.

Meio agrícola

Em terrenos agrícolas, a quantidade de melada é reduzida. Isso porque espécies cultivadas têm menos flores para prover o néctar, que é necessário para a produção de melada.

Pesquisas indicam que inseticidas sistêmicos, como o imidacloprido, promovem a morte de insetos polinizadores, como abelhas e vespas, e a contaminação da melada. Dessa forma, os animais que se alimentam da melada também são contaminados. Esses inseticidas são utilizados em sementes, contaminando toda a planta durante o seu desenvolvimento.

Além de ser letal, o imidacloprido prejudica o aprendizado e a memória das abelhas. Dessa forma, muitas delas se perdem no caminho de volta à colônia. O inseticida pode provocar paralisia e problemas nas funções sensoriais para identificação do pólen.

Um estudo verificou que esses inseticidas são encontrados em maiores concentrações na melada do que no pólen da planta, comprometendo agentes de controle biológico que se alimentam do excremento. Por isso, o uso de inseticidas nas plantações agrícolas promove o desequilíbrio ecossistêmico.

A preservação de agentes de controle biológico pode reduzir os gastos de agricultores em suas plantações. Assim, a melada e os animais desempenham seu papel no ecossistema e a necessidade de agrotóxicos é reduzida.