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Os pesticidas neonicotinoides são substâncias desenvolvidas para prevenir, destruir, repelir ou mitigar qualquer “praga"

Os pesticidas neônicos, ou neonicotinoides, são substâncias desenvolvidas para prevenir, destruir, repelir ou mitigar qualquer “praga”. Dessa forma, eles servem para matar organismos que se proliferam em um ambiente em desequilíbrio, como no caso de monoculturas. De modo geral, os pesticidas neônicos são comumente utilizados em plantações e têm sido apontados por pesquisadores como uns dos principais contribuintes para o declínio das populações de abelhas.

Vale ressaltar que os pesticidas são classificados por diferentes tipos, tais como herbicidas, inseticidas e fungicidas. 

O que são neônicos?

Os neônicos, também conhecidos como neonicotinoides, são um grupo de inseticidas utilizados na agricultura e na veterinária que atuam nos receptores dos insetos, gerando intoxicação neurológica. Geralmente, são utilizados contra pulgões e uma ampla variedade de vermes, besouros e brocas.

Os neônicos agem de maneira semelhante à nicotina, impedindo a transmissão de impulsos nervosos. Mas também podem ser nocivos para humanos, causando possível prejuízo motor, alteração nos sinais vitais e até morte. Os neônicos geralmente são encontrados sob os nomes representantes de:

  • Imidaclopride;
  • Acetamiprida;
  • Nitempiram;
  • Tiametoxam;
  • Clotianidina;
  • Dinotefurano;
  • Tiaclopride.

História de uso

Os pesticidas neônicos foram descobertos no final da década de 1980 e são amplamente utilizados no controle de pragas, tanto nas lavouras quanto nos animais domésticos. Isso se deve ao fato de apresentarem baixa toxicidade relativa em humanos.

Eles possuem determinadas características físico-químicas que fazem com que eles sejam absorvidos pelas raízes das plantas e distribuídos por toda a sua estrutura (caules, folhas, frutas, pólen e néctar), tornando esses vegetais tóxicos por períodos variáveis ​​de tempo. Alguns exemplos de cultivo em que se emprega essa classe de inseticidas são as lavouras de milho, melão, maçã e uva.

Os pesticidas neônicos possuem uma estrutura química semelhante à da nicotina e afetam uma variedade de insetos. Eles mastigam ou sugam uma porção da planta, depois se enrolam e morrem. Dentre os insetos mais afetados estão pulgões, cigarras, mosca-branca, besouros, cochonilha e ácaros.

Toxicidade em seres humanos

Os humanos estão expostos aos pesticidas neônicos inalando-os acidentalmente, tocando superfícies em fazendas e jardins e também consumindo alimentos tratados com essas substâncias. Nos Estados Unidos, por exemplo, quase 100% do milho é tratado com neônicos.

Na Irlanda, pesquisadores da Trinity e da Dublin City University descobriram que o mel continha resíduos de pesticidas neônicos. De 30 amostras analisadas, 70% tinham pelo menos um composto e quase metade continha pelo menos dois. Os níveis de resíduos estavam abaixo dos limites admissíveis para o consumo humano de acordo com o regulamento da União Europeia. No entanto, a exposição prolongada pode causar efeitos que ainda não são totalmente compreendidos por cientistas. Além disso, a concentração média de imidaclopride (um tipo de neonicotinoide) serve de alerta, já que é um composto que pode ter efeitos adversos em abelhas e outros organismos.

Efeitos nas abelhas

Abelha
Imagem de Dmitry Grigoriev no Unsplash

Estudos têm demonstrado que os pesticidas neônicos apresentam efeitos nocivos às abelhas, importantes insetos polinizadores. Um deles descobriu que os pesticidas neônicos afetam diretamente a saúde das abelhas e os efeitos da exposição anterior podem ser transferidos para as gerações futuras. O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que as abelhas podem exigir várias gerações para se recuperar de uma única aplicação.

As abelhas desempenham um papel crítico nos ecossistemas agrícolas, fornecendo polinização para muitas culturas importantes. Na maioria das áreas agrícolas, as abelhas podem ser expostas a pesticidas inúmeras vezes.

No estudo, a abelha do pomar azul foi exposta ao imidaclopride – o neonicotinóide mais comumente usado na Califórnia – de acordo com as quantidades recomendadas no rótulo. As abelhas fêmeas que foram expostas ao inseticida tiveram 20% menos descendentes do que as abelhas não expostas. 

Como os impactos dos inseticidas tendem a ser aditivos ao longo das fases da vida, a exposição repetida tem implicações profundas para o crescimento populacional. A pesquisa mostrou que as abelhas expostas aos neônicos no primeiro e no segundo ano resultaram em uma taxa de crescimento populacional 72% menor em comparação com as abelhas não expostas. Os neônicos também persistem no ambiente por muito tempo após a aplicação.

Efeitos nos mamíferos

Os pesticidas neônicos não são completamente absorvidos pelas plantas e, consequentemente, se acumulam no solo e nos cursos de água, onde há uma grande variedade de animais expostos às substâncias. Com isso, crescem as evidências de que esses compostos também estão prejudicando mamíferos, pássaros e peixes.

Uma equipe de cientistas da South Dakota State University realizou uma pesquisa com cervos, inserindo um tipo de neonicotinoide na água dos animais. Anos mais tarde, os pesquisadores constataram que os animais com níveis mais altos do pesticida em seus baços tinham maxilares mais curtos, peso corporal reduzido e órgãos menores, incluindo os genitais, o que poderia torná-los mais vulneráveis e trazer problemas para procriar. Além disso, mais de um terço dos filhotes morreram prematuramente e tinham níveis de neonicotinoide muito mais altos do que os sobreviventes.

Outro estudo no Canadá constatou que o consumo de apenas quatro sementes de canola tratadas com imidaclopride durante três dias pode interferir na capacidade de migração de um pardal. Outras pesquisas em laboratório relataram uma série de malefícios da exposição dos animais aos neônicos, tais como: redução da produção de esperma e aumento dos abortos e anomalias esqueléticas em ratos; supressão da resposta imune de camundongos; prejuízo à mobilidade dos girinos; aumento do aborto e nascimento prematuro em coelhos.