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Aprenda como reduzir a pegada de carbono individual e pressione setores poderosos a fazerem o mesmo

Salvar o planeta da crise ambiental depende muito da iniciativa política e de grandes empresas e corporações. É preciso que o País realize a demarcação de terras indígenas, assuma compromissos públicos e políticas ambientais efetivas. Entretanto, também é necessária a mudança de hábitos de consumo da sociedade civil, que pode pressionar outros setores poderosos por mudanças.

Por isso, saber como reduzir a pegada de carbono individual pode ser um passo inicial para um mundo mais sustentável.

Ser “verde” ou comprar produtos “sustentáveis” é uma preocupação crescente para muitos: uma pesquisa realizada com 3 mil consumidores de oito países revelou que 70% das pessoas ficaram mais conscientes a respeito do impacto ambiental das atividades humanas após a pandemia de coronavírus.

Mas, à medida que muitas empresas apelam para o greenwash, escolher produtos que realmente correspondam aos valores ambientais pode ser difícil. Algumas dicas podem ajudar, confira:

Preste atenção ao seu prato

Reduzir a pegada de carbono vai além de adquirir um produto com uma etiqueta da cor verde e depois de um tempo esquecê-lo no armário. Na verdade, uma atuação socioambientalmente responsável deve ser perene e constante, e não se encerrar em uma compra. Por isso, repensar a forma de alimentação, que é a ação mais simples e recorrente que todos os seres humanos praticam (ou pelo menos deveriam) é o primeiro passo.

Nesse processo, é importante entender que todo alimento, antes de ser consumido, percorreu um longo caminho e, dependendo de sua origem, causou mais ou menos impactos socioambientais.

Evidências mostraram que reduzir o consumo de produtos de origem animal como carne, ovos e leite e dar prioridade a alimentos de origem vegetal produzidos localmente e de modo orgânicoajudam a reduzir a pegada de carbono consideravelmente. Para saber sobre esse tema com mais profundidade, dê uma olhada nas matérias:

Certificação B

Uma empresa B é aquela que possui certificação B. Essa categoria de empreendimentos visa como modelo de negócios o desenvolvimento social e ambiental. O sistema B é um movimento que pretende disseminar um desenvolvimento sustentável e equitativo por meio da certificação de empresas no âmbito global. Toda empresa do sistema B possui como objetivo solucionar problemas socioambientais. Dessa forma, por que não aderir à certificação B (se você tiver um empresa) e incentivar empreendimentos com sistema B? O Portal eCycle é um deles. Para saber mais sobre esse tema, dê uma olhada na matéria: “Empresa B: um sistema de negócio sustentável“.

Lixo zero

Para reduzir o lixo orgânico doméstico é necessário evitar o consumo desnecessário e o desperdício – e praticar compostagem. Da mesma forma, o movimento lixo zero prega que, para reduzir a quantidade de outros tipos de lixo, como o de plástico, o primeiro passo é evitar o consumo. Você precisa mesmo utilizar canudos de plástico? E copos, pratos e talheres descartáveis? Uma opção é carregar com você um kit de alimentação para evitar os descartáveis quando estiver na rua.

Prefira materiais menos danosos. Ao fazer suas compras, prefira embalagens de vidro, papel e papelão. Tome cuidado com algumas embalagens de molho e itens longa vida, que, apesar de parecerem ser apenas papelão, possuem finas camadas de BOPP, um plástico que dificulta a reciclagem. Preste atenção nos rótulos das embalagens e, se não for possível evitar o consumo de embalagens plásticas, procure embalagens recicláveis.

Troque sua escova de dentes de plástico por uma de bambu. Em vez de comprar lâminas de barbear descartáveis, use um barbeador de metal – o produto é durável, compensa financeiramente em bem pouco tempo de uso e você evita o descarte de produtos feitos por plástico e metal, cuja separação para reciclagem dificilmente ocorre.

Evite alguns tipos de plástico biodegradáveis como os plásticos oxibiodegradáveis, que não chegam a se biodegradar completamente e acabam provocando danos ambientais. Saiba mais sobre o tema na matéria: “Plástico oxibiodegradável: problema ou solução ambiental?

Existem outros itens muito comuns em nosso dia a dia que causam um grande impacto ambiental, como é o caso de absorventes e fraldas descartáveis. Mas já existem soluções eco-friendly para esses produtos, como o coletor menstrual, o absorvente de pano, a calcinha absorvente e as biodegradáveis.

Para evitar os descartáveis que costumam vir com os lanches na rua e junk food, que tal fazer suas compras a granel e cozinhar em casa, evitando a geração de tanto lixo? De quebra sua saúde também agradece. Procure lojas em que seja possível levar seus próprios recipientes e saquinhos de pano para comprar grãos e frutas secas, por exemplo. Tome cuidado também na hora de comprar seus utensílios domésticos, preferindo produtos de vidro ou metal aos itens de plástico, que podem liberar bisfenol e outros disruptores endócrinos na sua comida durante o preparo e/ou armazenamento e depois ir parar no meio ambiente.

Se você não puder cozinhar, opte por um restaurante com comida de verdade, servida em pratos de louças, talheres de aço e copos de vidro. Para os lanches rápidos, leve seus próprios utensílios duráveis. Na hora de embalar sua comida, evite também o filme plástico e os saquinhos de plástico, que podem ser substituídos por sacos de pano para pão, potes reutilizáveis ou opções como uma cobertura semelhante ao filme plástico, mas reutilizável e feita de cera de carnaúba.

Zere o consumo de cosméticos com esfoliantes sintéticos, pratique upcycle, troque a esponja de louça de poliuretano pela bucha vegetal, pratique plogging e, se não for possível evitar o consumo ou reutilizar, encaminhe seus descartes para a reciclagem. Confira no mecanismo de busca do Portal eCycle quais são os postos de coleta mais próximos de você.

Se você tem uma empresa, é ainda mais importante ter uma postura eco-friendly com os resíduos gerados pelo empreendimento. Mas cada em empresa é um caso a ser analisado. Para implementar a coleta seletiva na sua empresa, dê uma olhada na matéria: “Instituto Muda: coleta seletiva nas empresas e condomínios“.

Achou que é muita coisa ser eco-friendly com os resíduos? Não se assuste! Comece pelo o que você pode fazer, aos poucos.

Lar e empresa com redução de pegada de carbono

Com a urbanização das cidades, cada vez mais, a população se adensou em condomínios, sejam verticais (prédios) ou horizontais. Isso faz parecer mais difícil morar ou trabalhar em um lugar em que seja possível reduzir a pegada de carbono. Mas é possível realizar algumas mudanças no local onde você já vive. Criar abelhas sem ferrão; reutilizar água com cisternas, compartilhar espaços e bens; praticar compostagem e implementar a coleta seletiva no condomínio ou na empresa são algumas práticas possíveis de serem implementadas, seja dentro da sua casa, empresa ou no condomínio como um todo; nesse último caso, depois de uma conversa com o síndico e os outros moradores.

Se você vive em uma casa térrea, também é possível transformá-la em um lar com redução de pegada de carbono Você já pensou em ter uma composteira, cisternas e painéis solares? E que tal plantar o alimento das abelhas (manjericão, goiaba, orégano, girassol, hortelã e alecrim) e criar abelhas sem ferrão?

Quando um móvel quebrar, que tal consertar ou reutilizar algo que seria descartado para uma nova função? Os paletes são exemplos de upcycle para a mobília que estão bastante na moda. Com o tempo, quem sabe você não estará até usando banheiro seco e praticando peecycling?

Para saber mais sobre esses temas e como dar os primeiros passos, dê uma olhada nas matérias:

Você é o que veste

Suas roupas são um bom ponto de partida para pensar em como viver de forma mais sustentável. Há um número crescente de plataformas onde você pode comprar produtos usados ​​- e também vender suas roupas antigas, aderindo ao estilo slow fashion.

Vote com sua carteira

Qual é a pegada de carbono da empresa cujos produtos e serviços você consome? Como são tratados os funcionários dessa empresa? Se a empresa não se esforçar para transmitir transparência a respeito dessas informações, o melhor que você faz é não se tornar um cliente.

Você aplica dinheiro em alguma empresa de capital aberto? Que tal levar em conta empresas que adotam ESG? A sigla vem do inglês “Environmental, Social and Governance”, que em português pode ser traduzido como ambiental, social e governança.

Aproveite o ‘momento da lâmpada’

Embora a maioria dos países ainda dependa de combustíveis fósseis para obter energia, a boa notícia é que uma enorme transição para um futuro mais verde está em andamento, com o mercado de energia renovável estimado em US $ 1,5 trilhão em 2025 .

Fazer algo tão simples como trocar lâmpadas convencionais por lâmpadas LED é uma forma de economizar energia. De acordo com a WWF, esse tipo de lâmpada utiliza apenas um terço da eletricidade das lâmpadas tradicionais.

Tente ir além da neutralização de carbono

A neutralização de carbono é uma prática em que uma empresa ou indivíduo compensa suas emissões com medidas como o plantio de árvores.
Se você realmente quer impactar o clima e mudar a forma de produzir, incentive a redução de emissão de carbono.

Procure rótulos

Ainda é o começo, mas algumas empresas do mundo dos alimentos e da moda estão fornecendo informações sobre as emissões e suas cadeias de suprimentos por meio de etiquetas.

Cosméticos e saúde

A postura eco-friendly se estende para qualquer tipo de consumo, incluindo os de produtos cosméticos e os que envolvem a saúde. Você já parou para pensar que o autocuidado é uma forma de prevenir doenças e evitar o consumo de remédios, muitas vezes testados em animais de modo cruel e que, após o consumo, ainda causarão impactos, como a geração de resíduos e superbactérias? Isso ocorre principalmente se forem descartados de modo incorreto.

O autocuidado pode ser praticado por meio da redução no uso de cosméticos, produtos de limpeza e hábitos nocivos. Além de fazer bem para você, faz bem para o meio ambiente. Mas quando não for possível prevenir uma doença e for necessário o uso de medicamentos, lembre-se de fazer o descarte correto. Saiba como na matéria: “Descarte de medicamentos vencidos: como e onde descartar“.

Saiba mais sobre esse tema nas matérias:

Transporte

Já se sabe que reduzir o consumo de carne vermelha é mais efetivo contra os gases do efeito estufa do que parar de andar de carro. Entretanto, quando uma prática (reduzir o consumo de carne vermelha) se une a outra (deixar de andar de carro), os benefícios aumentam.

A poluição do ar é responsável por danos significativos e muitas vezes irreversíveis, incluindo danos ao meio ambiente e à saúde humana. Ela é responsável, por exemplo, por um em cada sete novos casos de diabetes. Então por que não incluir mais caminhadas ao seu dia a dia? Ou até mesmo usar mais transporte público, bicicleta, patins, skate e patinete?

Viva no modo consciente

Tudo o que você consome é realmente necessário? Toda vez que for comprar algo, repense se vale a pena e o que você financia quanto adquire determinado produto ou serviço. Ele usou trabalho análogo a escravidão? Desvalorizou os trabalhadores da cadeia de produção? Incluiu crueldade animal? Desmatou? Algum item do produto gera resíduos industriais que poluem o ambiente de modo significativo? A empresa que lucra com a venda do produto se preocupa em oferecer logística reversa? A empresa da qual você consome pratica obsolescência programada? Quanto menos consumo, menor a pegada ambiental. O consumo consciente é uma premissa para reduzir a pegada de carbono. Além disso, é importante estender essa ideia para o coletivo, de modo que a redução de emissão de carbono seja uma prática institucionalizada e acessível a todos e não um nicho de mercado de poucos indivíduos.

Pressione por demarcação indígena

A demarcação de terras indígenas reduz o desmatamento e as emissões de carbono. De acordo com estudo, áreas indígenas florestais homologadas evitam anualmente a emissão de 42,8 a 59,7 milhões de toneladas de CO2 no Brasil, na Colômbia e na Bolívia. Especificamente no Brasil, existe potencial para evitar a liberação 31,76 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que equivale a 6.708.778 veículos de passageiros retirados das ruas durante o período.