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Além de menos agressivos para o meio ambiente, vinhos eco-friendly são mais saborosos que os vinhos comuns

Imagem de Zephyrka em Pixabay

Vinhos eco-friendly não só são mais saudáveis e melhores para o meio ambiente: eles também são mais gostosos. Esta foi a conclusão de um estudo de 2016, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA), que revelou que vinhos com certificação ecológica receberam melhores avaliações de sabor do que os vinhos regulares, em testes cegos feitos com sommeliers.

O estudo, publicado em 2016 no Journal of Wine Economics, analisou as avaliações e pontuações de mais de 74 mil vinhos da Califórnia das revistas Wine Advocate, Wine Enthusiast e Wine Spectator. Em uma escala padronizada de 100 pontos, os vinhos eco-friendly tiveram uma média de 4,1 pontos a mais do que os regulares.

Em 2021, um novo estudo confirmou que os vinhos orgânicos são considerados de qualidade superior por especialistas. Nesta pesquisa, os vinhos certificados como biodinâmicos tiveram um desempenho ainda melhor, com pontuação 11,8% superior.

Os vinhos biodinâmicos levam a agricultura orgânica um passo adiante, usando métodos que cronometram o plantio, poda e colheitas para coincidir com os ciclos sazonais e lunares, além de integrar os animais na produção, para uma harmonia ecossistêmica ainda mais completa.

Conheça os vinhos eco-friendly

Vinhos biodinâmicos

Na produção do vinho biodinâmico, os produtores prezam pela mínima intervenção na bebida, com preparados biodinâmicos no lugar de tratamentos químicos, leveduras selvagens em vez das leveduras selecionadas, e baixíssimo nível de sulfitagem (adição de sulfito ao vinho como conservante).

Pela mínima interferência do homem ou de aditivos sintéticos, os defensores da filosofia biodinâmica alegam que esse tipo de vinho é a expressão máxima do terroir de uma região. Com esse método, o vinho tem suas características ligadas ao terroir, como aromas e sabores maximizados.

O modelo biodinâmico é um tipo de agricultura sustentável, que visa a integração e a harmonia entre as várias atividades de uma propriedade agrícola, como horta, pomar, campo de cereais, criação animal e florestas nativas. Além disso, os agricultores utilizam o calendário astronômico como ferramenta de orientação para os momentos de trabalhar a terra, como o plantio, os tratos naturais, a colheita etc., sempre com respeito ao meio ambiente, aos trabalhadores e aos animais.

Vinhos orgânicos

Os vinhos orgânicos têm um sistema de produção de base ecológica, com o uso de boas práticas agrícolas para manutenção e melhoria da fertilidade do solo. Há o gerenciamento racional da vinha e a interação com a fauna e flora do ambiente em que a planta cresce.

Na cultura orgânica, não são utilizados herbicidas, fungicidas ou pesticidas químicos para eliminar as pragas que prejudicam a uva. Adubos químicos e materiais sintéticos também passam longe dessa produção, já que são absorvidos pela raiz e podem contaminar a planta.

Os métodos biológicos e mecânicos são prioridade, propiciando equilíbrio e diversidade do ecossistema agrícola, com qualidade ambiental, bem-estar animal e saúde humana. Os impactos no meio ambiente e na saúde dos trabalhadores são minimizados ao máximo.

Naturais

Os vinhos naturais não excluem a prática de alguma técnica orgânica ou biodinâmica, pois ele descarta totalmente o uso de químicos e quaisquer atividades tecnológicas. Por isso, este é o tipo mais extremo de vinho eco-friendly, sendo produzido sem maquinário nem controle de temperatura e com métodos bem ancestrais.

Esses vinhos são mais delicados e frágeis, o que demanda transporte cuidadoso e atenção com alterações bruscas de temperatura, além de controle da exposição à luz solar.

Os vinhos naturais e os biodinâmicos são os menos concentrados e alcoólicos e, com isso, exibem um maior frescor, aromas florais, de frutas frescas e da levedura. Diferentemente dos outros vinhos eco-friendly, este tipo de vinho não possui uma certificação específica, porque, geralmente, os trabalhadores contam com um estatuto próprio para as práticas dos vinhos naturais.

Por que optar por vinhos eco-friendly?

Diversos fatores estão incluídos no impacto ambiental da produção do vinho: cultivo de uvas, energia associada ao equipamento das viníferas, utilização da água para irrigação, pesticidas, fertilizantes e produtos químicos, fabricação da bebida, fabricação das garrafas e rótulos, cultivo do carvalho de onde é retirada a cortiça para a rolha, fabricação das rolhas, transporte do vinho até as lojas, refrigeração, destino das garrafas e muitos outros.

Para manter uma monocultura como a viticultura, grandes quantidades de fungicidas sintéticos, herbicidas e fertilizantes são utilizados, a fim de evitar o ataque de fungos e pragas. Essas substâncias vão parar na água e no solo, afetando a fertilização e matando boa parte da flora microbiana do floro.

Para reparar essa perda e aumentar a produção, fertilizantes artificiais são muito utilizados, como o nitrogênio sintético, feito a partir de combustão de petróleo. O uso de fertilizantes de nitrogênio e fósforo contribuem para a eutrofização da água e acidificação do solo.

Na vinha, a aplicação de pesticidas contribui com a maioria de todas as emissões tóxicas.  Outro fator preocupante é que os agroquímicos aplicados no solo ou na matéria-prima podem ser encontrados no produto acabado. Esses componentes químicos colocam em risco não só os trabalhadores que os manipulam, mas também o consumidor, que acaba ingerindo eventuais resíduos presentes nos vinhos.

Os perigos do uso de pesticidas na produção de vinho foram destacados dramaticamente em 2014, quando professores e alunos de uma escola rural em Bordeaux foram hospitalizados devido à exposição aos produtos químicos tóxicos. Seguiram-se protestos e os produtores de vinho enfrentaram forte pressão pública. Depois desse episódio, a indústria do vinho na França evoluiu mais rapidamente em direção aos métodos de agricultura orgânica.


Fontes: Ecological Economies, Journal of Wine Economics, University of California e Phys.org


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