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Segundo Marcos Massao Futai, eventos climáticos extremos facilitam acidentes desse tipo, pois as barragens não são preparadas para esse fenômeno

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Por Jornal da USP As barragens servem como reservatório de algum tipo de material. Por não serem um projeto simples e estarem propícias a riscos, precisam de atenção, ainda mais depois dos dados do Relatório de Segurança de Barragens apontarem que, em 2020, o número de acidentes em barragens, sejam hidrelétricas ou de rejeitos de mineração, cresceu 14 vezes em dois anos.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, o professor Marcos Massao Futai, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica (PEF) da Escola Politécnica (Poli) da USP, explica mais sobre o assunto. “As barragens hidrelétricas normalmente são mais seguras, porque quem empreende aquilo ali é o recurso delas [água] e precisam ter a barragem para gerar energia. No caso do rejeito, o material de que já retirei o minério, eu tenho algo que não quero e preciso colocar em algum local, eu faço, então, as barragens de rejeitos.” 

Barragens de rejeitos

Para deixar de oferecer riscos, o professor explica que as barragens de rejeitos a montante — barragens alteadas acima do rejeito — foram proibidas e precisam fazer o descomissionamento, de modo a dar uma destinação correta aos resíduos que ficaram ali. “Esse destino poderia ser uma revitalização, ou seja, o empreendedor teria que preparar aquela barragem para retornar à sociedade num ambiente seguro e que não tivesse risco.”

“Então, a barragem precisa ser planejada e bem executada, desde o projeto da construção à operação, que no caso da barragem de rejeito é a deposição dos rejeitos. Ela precisa estar monitorada, ter manutenção e depois que seja feito o descomissionamento ou a desconstrução. Essas barragens a montante hoje estão na última fase, que é a desconstrução”, complementa Futai.

Sistema Nacional de Informações de Segurança de Barragens, até este mês, registrou 22 mil barragens. O professor chama atenção para aquelas que estão classificadas com “dano potencial alto” e “risco alto de ruptura”. “O problema é quando essas duas coisas se combinam. Você tem uma barragem que está com risco alto e você tem potencial para que ela cause dano, ou seja, tem população, tem infraestrutura, vai ter inundação, pode matar pessoas.” São essas barragens que podem ocasionar acidentes como os ocorridos em Fundão e Brumadinho.  

Por fim, Futai destaca a questão das chuvas. “Tivemos 14 vezes mais acidentes nos últimos dois anos, porque houve um período de estiagem muito grande no Brasil. O último grande desastre foi em 2011, na região serrana do Rio de Janeiro. Desde então, nós não tivemos eventos extremos de chuva.” Ele prossegue explicando que, neste momento, com o aumento das chuvas, acidentes desse tipo são mais propícios, pois as barragens não são preparadas para esse fenômeno.


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