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Bambu é uma gramínea de ampla distribuição geográfica que tem sido utilizada como matéria-prima de diversos itens por suas vantagens ecológicas

O bambu é uma gramínea com mais de 200 milhões de anos e 1.300 espécies, sendo 50 domesticadas e 38 estudadas. Do total de florestas do planeta, a planta corresponde a 3%. Esse cenário, traçado pela International Network for Bamboo and Rattan (INBAR), organização não governamental dedicada aos estudos do bambu, mostra, do ponto de vista histórico, entre outros aspectos, o panorama de uma fibra que ainda não alavancou seu potencial no setor desde que vem sendo estudada.

A história evolutiva dos bambus pode ser relacionada à adaptação e diversificação em ambientes florestais. Suas lâminas foliares largas, padrões complexos de ramificação e colmos — tipo de caule encontrado em gramíneas como cana-de-açúcar, milho, arroz e bambu — altos ou apoiantes são adaptações que otimizam a busca por luz em florestas, local onde vive a maioria das espécies.

A Lista das Espécies da Flora do Brasil cita 258 espécies de bambus nativos, distribuídos em duas tribos, Olyreae e Bambuseae, e 35 gêneros. A tribo Olyreae é composta por bambus herbáceos e tem 17 gêneros e 93 espécies, enquanto Bambuseae é composta por bambus lignificados ou lenhosos e apresenta 18 gêneros e 165 espécies. O número de bambus endêmicos no Brasil é alto: são 12 gêneros e 175 espécies.

Vale ressaltar que 23 espécies de bambu estão ameaçadas de extinção no Brasil, um número elevado ainda que o panorama deva se modificar com o acúmulo de conhecimento sobre as espécies.

Propriedades do bambu

Alta resistência à tração

Devido às características genotípicas de formação do bambu, seu arranjo intramolecular e consequente estrutura compositiva, as fibras nele existentes o tornam um material com propriedades de resistência à tração mecânica de níveis comparados à compostos e compósitos sintéticos de alta tecnologia.

Leveza

A densidade dos bambus é outra característica que apresenta grande variação, inclusive em uma mesma espécie. Mas devido à sua composição e geometria, o bambu tem uma relação entre resistência e massa específica altamente vantajosa quando comparado a materiais de resistência similar. A resistência específica do bambu é comparável a do aço, porém com uma densidade quase noventa por cento menor.

Flexibilidade

Associado à sua resistência, a flexibilidade do bambu amplia ainda mais a sua gama de aplicações. Estruturas, peças, componentes submetidos a esforços e movimentações constantes e que necessitam de uma resiliência maior, podem encontrar no bambu uma opção de resultados satisfatórios, com um material leve e de baixo custo.

Material alternativo e ecologicamente correto

O bambu se destaca como um dos principais produtos florestais não madeiráveis e potencial substituto da madeira em função da presença de tecido lenhoso em sua estrutura fisiológica. Os bambus também têm capacidade de sequestrar rapidamente o carbono atmosférico e apresentam excelentes características físicas e mecânicas, configurando, assim, uma alternativa promissora à madeira em atividades que buscam o desenvolvimento sustentável.

Rápido crescimento

O bambu tem o crescimento rápido e não precisa ser replantado, podendo ser colhido ano após ano por cerca de 40 a 70 anos. Em apenas 24 horas, essa planta pode crescer aproximadamente 30 centímetros.

Alta produtividade

O manejo adequado de um bambuzal pode torná-lo altamente produtivo por até um século, uma vez que não são cortados todos os colmos. Estudos afirmam que a energia consumida para se produzir um metro cúbico de bambu é cinquenta vezes menor que a energia gasta para produzir o mesmo volume de aço, e oito vezes menor para produzir o mesmo volume de concreto.

Cultivado sem produtos tóxicos

O bambu apresenta propriedades antibacterianas e antifúngicas, sendo bastante resistente a “pragas”. Dessa forma, ele pode ser cultivado sem o uso de pesticidas ou outro produtos químicos tóxicos que poderiam parar no meio ambiente.

Aplicações do bambu

Em função de suas características, o bambu tem sido cada vez mais utilizado para produzir papéis higiênicos, canudos, xícaras, roupas e escovas de dente. Além disso, há estudos que investigam a possibilidade da planta substituir até mesmo materiais de construção. Ainda assim, é preciso avaliar se as plantações envolvem monocultura, considerar a energia e a água consumidas no processo, verificar o uso de produtos químicos, entre outras características que façam com que de fato seja um produto eco-friendly.

Bambu
Imagem de GLochte por Pixabay 

Bambu no Brasil

O Brasil dispõe de clima favorável e grande extensão de áreas degradadas impróprias para outros cultivos, mas adequadas ao plantio de diversas variedades de bambu. Uma das maiores florestas nativas de bambu do planeta localiza-se na Amazônia Sul-Ocidental e abrange parte do estado do Amazonas e a maior parte do estado do Acre, além de áreas vizinhas em Pando, na Bolívia, e Madre de Dios, no Peru.

Nessa região, ocorrem grandes concentrações de bambus nativos do gênero Guadua. Entretanto, a atividade econômica relacionada ao bambu no Brasil é bastante restrita. Esse cenário deve-se à ausência de tradição no emprego do bambu como matéria-prima e às lacunas de conhecimento e tecnologias locais que permitam usar tanto as espécies de clima temperado, adequadas às regiões Sul e Sudeste do país, quanto às espécies tropicais nativas, que têm ótimas propriedades físicas e mecânicas, além de grande potencial comercial.

Considerando a importância socioeconômica e ambiental do bambu e a demanda reprimida existente no setor, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vêm promovendo ações voltadas à produção de conhecimento sobre algumas espécies nativas e exóticas de bambu e suas diversas aplicações.