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Seriam os materiais biodegradáveis a solução para a questão do lixo nas cidades? Entenda

Materiais biodegradáveis têm sido apontados como uma das possíveis soluções para minimizar os impactos ambientais causados pela geração de lixo.

Já existem diversas alternativas para diminuir o volume de lixo gerado nas grandes cidades, como reciclagem, compostagem, incineração, reutilização de embalagens e uso dos polêmicos produtos biodegradáveis.

Esse termo vem sendo utilizado em diversos itens, porque agrega um valor “ecologicamente correto” e atrai consumidores mais conscientes. Mas será que os materiais biodegradáveis são tão incríveis como parecem? Entenda!

O que é biodegradação

A biodegradação é definida como o processo de transformação química promovida pela ação de microrganismos sob condições adequadas de temperatura, umidade, luz, oxigênio e nutrientes. Ela pode ser aeróbica ou anaeróbica.

Nesse processo, o material original é alterado e, em geral, transformado em moléculas menores – em alguns casos, em água, CO2 e biomassa. Um parâmetro muito importante para definir se um material é ou não biodegradável é o tempo que ele leva para ser decomposto pela ação de microrganismos.

Normalmente, considera-se que um material é biodegradável quando ele se decompõe em uma escala de tempo de semanas ou meses. Para que a degradação de um material biodegradável seja efetiva, o material deve ser levado, junto com o lixo orgânico, a uma unidade de compostagem. É nesse ambiente que o material encontrará condições adequadas para se decompor.

Tudo depende do tempo

Um material pode até ser decomposto por ação microbiana, mas, se o tempo necessário para que isso ocorra for longo, ele poderá não ser classificado como biodegradável.

Exemplos disso são alguns tipos de plásticos (PVC, polietileno e polipropileno), que podem ser decompostos por ação microbiana, mas demoram de dez a vinte anos para desaparecer – dependendo da espessura, esse período pode ser ainda maior. Assim, eles não são classificados como biodegradáveis.

Como saber se um material é biodegradável ou não?

Para ser considerado biodegradável, um material ou produto deve atender a algumas normas internacionais, como as estadunidenses ASTM 6400, 6868, 6866, a europeia EN 13432, ou a brasileira ABNT NBr 15448 de biodegradação e compostagem, e comprovar suas propriedades por meio de testes em laboratórios certificados. Em seguida, são apresentadas as etapas da certificação biodegradável (compostável) para um plástico e suas respectivas normas:

  1. Caracterização química do material: esta etapa inclui análise de metais pesados e sólidos voláteis na composição do material.
  2. Biodegradação: é aferida por meio da relação entre a quantidade de CO2 emitida pelo plástico compostável com a quantidade emitida por uma amostra padrão, durante sua biodegradação, após um período de tempo (ASTM D5338).
  3. Desintegração: o material deve, fisicamente, desintegrar-se (mais de 90%) em pedaços menores que 2 mm em 90 dias (ISO 16929 e ISO 20200).
  4. Ecotoxicidade: verifica-se se nenhum material tóxico (que prejudicaria o desenvolvimento de plantas) pode ser gerado durante o processo.

Um material que vem sendo substituído por uma variante biodegradável é o plástico derivado do petróleo. A principal justificativa para isso é a alta resistência que esse material apresenta à degradação, sendo que alguns tipos de plástico levam mais de cem anos para serem degradados.

Desse modo, o acúmulo de material em depósitos de lixo e ambientes naturais é cada vez maior. Os plásticos biodegradáveis são classificados, de uma maneira simples, em naturais ou sintéticos.

Plásticos biodegradáveis sintéticos

Neste grupo estão alguns tipos de polímeros sintéticos que são degradados naturalmente ou pela adição de substâncias que podem acelerar sua degradação. Entre estes plásticos destacam-se os oxibiodegradáveis e os poli(ε-caprolactona) (PCL).

Os plásticos oxibiodegradáveis são plásticos sintéticos em que foram incorporados aditivos químicos pró-oxidantes em sua composição, capazes de iniciar ou acelerar o processo de degradação oxidativa, gerando produtos que são biodegradáveis. O PCL é um poliéster termoplástico biodegradável e biocompatível com aplicações médicas.

Entretanto, algumas opiniões são céticas a respeito da real viabilidade do plástico oxibiodegradável. Entre elas está a de Francisco Graziano, engenheiro agrônomo, mestre em economia agrária e ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Ele afirma se tratar de um equívoco a opção pelo consumo dos oxibiodegradáveis e questiona os riscos da fragmentação do composto em partículas invisíveis a olho nu e das emissões de gases de efeito estufa associadas à degradação, além da contaminação do solo por metais e outros compostos:

“A tecnologia permite que o plástico se esfarele em pequenas partículas, até desaparecer ao olho nu, mas continua presente na natureza, agora disfarçado pelo reduzido tamanho. Há ainda um agravante: quando for atacado pela ação dos micro-organismos, ele vai liberar, além de gases de efeito-estufa, como CO2 e metano, metais pesados e outros compostos, inexistentes no plástico comum. Pigmentos de tintas, utilizados nos rótulos, também se misturarão ao solo.”

Plásticos biodegradáveis naturais

Os polímeros biodegradáveis naturais, também chamados de biopolímeros, são todos aqueles produzidos a partir de recursos naturais e renováveis.

Compreendem os polissacarídeos produzidos pelas plantas (amido de milho, mandioca, entre outros), poliésteres produzidos por micro-organismos (principalmente por diversos tipos de bactérias), borrachas naturais, entre outros.

Detergentes

Entretanto, os plásticos não são os primeiros produtos a sofrerem alterações ou substituição em virtude de seu impacto ambiental.

Os detergentes, até 1965, utilizavam como matéria-prima alquilado ramificado (tensoativo, que, por definição, é uma substância sintética usada na fabricação de produtos de limpeza e cosméticos). Esse composto provoca a junção de substâncias, as quais, em seu estado natural, não seriam misturadas, como é o caso da água e do óleo.

No entanto, sua pouca biodegradação gerava um fenômeno de produção de espuma nos cursos de água e nas estações de tratamento. Dessa forma, os alquilados ramificados foram substituídos pelos alquilados lineares, classificados como biodegradáveis.

Em seguida, foram criadas leis que proibiram a utilização de alquilados ramificados. No Brasil, o Ministério da Saúde proibiu, a partir de janeiro de 1981 (Art. 68 do decreto n°79.094, revogado pelo Decreto n°8.077, de 2013), a fabricação, comercialização ou importação de saneantes de qualquer natureza (detergentes) contendo tensoativo aniônico não biodegradável.

A biodegradação de agentes tensoativos lineares pode ser dividida em primária e total (ou mineralização).

Biodegradação primária

A biodegradação primária é aquela que ocorre quando a molécula foi oxidada ou alterada pela ação de uma bactéria, de maneira que tenha perdido as suas características de tensoativo ou que não mais responda a procedimentos analíticos específicos para a detecção do tensoativo original.

Este processo se faz rapidamente na maioria dos casos, uma vez que diversas bactérias especializadas são capazes de metabolizar tensoativos. Inicialmente, a biodegradação primária foi aceita como suficiente; contudo, os resíduos orgânicos são considerados estranhos ao meio ambiente.

Biodegradação total ou mineralização

A biodegradação total, ou mineralização, é aquela definida como a conversão completa da molécula do tensoativo em CO2, H2O, sais inorgânicos e produtos associados com o processo metabólico normal da bactéria.

Biodegradação é a salvação?

Com o aumento da demanda por produtos biodegradáveis, surgem novas alternativas de produtos no mercado. Assim, cresce o número de pesquisas para o desenvolvimento de produtos convencionais, como fraldas, copos, canetas, utensílios de cozinha, roupas, entre outros, em versões biodegradáveis.

Apesar das vantagens propostas pelas embalagens biodegradáveis, alguns pesquisadores não as consideram as melhores alternativas para alguns tipos de resíduos. Segundo o professor doutor José Carlos Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os ecologistas se equivocam quando tratam o material plástico como lixo. Para o pesquisador, o resíduo deve ser tratado como matéria-prima.

Todo material plástico, segundo o pesquisador, é, potencialmente, reciclável e reutilizável. Para José Carlos, as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente deveriam lutar, portanto, pela popularização da educação ambiental e pela implementação de políticas públicas de coleta seletiva e reciclagem de lixo.

Além disso, o governo federal deveria implementar políticas que obrigassem as grandes produtoras de plástico a investir na reciclagem e na reutilização de seus produtos.

A característica de biodegradação de um material pode ser muito vantajosa para o meio ambiente, mas essa não é a única solução para a diminuição da geração de resíduos. É necessário que sejam estudados todos os efeitos que a degradação de um determinado material pode causar ao meio ambiente, e, além disso, ponderar qual é o destino mais eficaz para determinado produto.