Precisamos falar sobre a eco-ansiedade

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Indivíduos com eco-ansiedade vivem com um medo crônico das consequências das mudanças climáticas

eco ansiedade
Imagem editada e redimensionada de Fernando @dearferdo, está disponível no Unsplash

A eco-ansiedade é um sentimento generalizado de medo crônico ligado às mudanças climáticas. Incêndios florestais, chuvas torrenciais que causam alagamentos e deslizamentos de terra, animais feridos e extinção em massa são alguns eventos que, além de afetar diretamente os envolvidos, trazem a sensação de desamparo, desesperança e tristeza.

A exposição a eventos nocivos relacionados ao clima pode resultar em consequências para a saúde mental, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Uma proporção significativa de pessoas afetadas por esses eventos desenvolve disfunção psicológica crônica. Entretanto, mesmo que não sejamos os diretamente prejudicados, é extenuante ser bombardeado de notícias que nos fazem lembrar que a humanidade está caminhando para um colapso ambiental. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ficar alheios a tudo isso. Qual seria a melhor forma de lidar, sem apelar para o infundado negacionismo climático?

Você não está sozinho

A American Psychological Association define a eco-ansiedade como "um medo crônico da destruição ambiental". Embora a preocupação e a ansiedade em relação às mudanças climáticas sejam normais, a eco-ansiedade é um estado mais intenso, devido a seriedade dos problemas que estamos enfrentando. E pode ser acompanhada de culpa por contribuições pessoais ao problema.

De acordo com artigo publicado na revista The Conversation, a exposição a eventos ambientais nocivos pode ter sido um "choque de realidade" para muitas pessoas que mantiveram uma atitude passiva em relação às mudanças climáticas, e mesmo para muitas que eram ativistas do negacionismo climático. Diante das circunstâncias atuais, a crise ambiental se torna quase impossível de ignorar.

Embora a eco-ansiedade não seja um distúrbio mental diagnosticável, pode ter impactos significativos no bem-estar de uma pessoa. Se você acha que está enfrentando esse sentimento, confira algumas dicas que podem te ajudar:

Procure ajuda profissional

Algumas pessoas, principalmente as que vivem com problemas psicológicos não relacionados às mudanças climáticas, podem ter mais dificuldade em se adaptar ao aumento do estresse causado pelo contexto de crise ambiental. Quando os recursos emocionais já estão esgotados, pode ser mais difícil se adaptar a mudanças.

Embora ainda não tenhamos pesquisas sobre isso, faz sentido que pessoas com problemas de saúde mental pré-existentes sejam mais vulneráveis ​​à eco-ansiedade. Se esse for o seu caso, não exite em procurar ajuda profissional. Se você tem ou não um distúrbio de saúde mental pré-existente, se estiver deprimido ou ansioso, de modo que afete seu trabalho, aprendizado ou vida social, procure aconselhamento de um profissional especializado em saúde mental.

Intervenções psicológicas baseadas em evidências, como terapia cognitivo-comportamental, reduzem os sintomas de ansiedade e depressão, melhorando a saúde mental e o bem-estar.

Você ainda pode aderir à atividades complementares para reduzir a eco-ansiedade, como meditação, pranayama, yoga, entre outras.

Seja parte da solução

Agora estamos convivendo com as consequências ambientais das mudanças climáticas, e isso exige que as pessoas se adaptem. Felizmente, a maioria de nós é naturalmente resiliente e capaz de superar o estresse e as perdas, e viver com a incerteza.

Mas podemos aumentar essa resiliência nos conectando com amigos e familiares e nos engajando positivamente em nossas comunidades. Fazer escolhas saudáveis como se alimentar bem, praticar exercícios e ter o sono em dia pode ajudar. Além disso, apoiar as pessoas vulneráveis ​​traz benefícios tanto para a pessoa que presta quanto para a que recebe assistência. Procurar reduzir sua própria pegada de carbono pode ajudar a aliviar sentimentos de culpa e desamparo - além da diferença positiva que essas pequenas ações podem trazer para o meio ambiente.

Há um série de atitudes ecofriendly que você pode aderir como diminuir o consumo de produtos de origem animal, neutralizar sua emissão de carbono, praticar compostagem, reduzir o consumo de plástico e optar pelo transporte público. Tudo isso faz parte do consumo consciente. Tomar a decisão de ser um consumidor mais consciente é uma forma de ser otimista. E manter o otimismo não é algo bobo, é ter confiança e um comportamento orientado a objetivos e resultados positivos.

Por que me sinto assim?

Os seres humanos têm algo chamado viés de negatividade humana, o que significa que fomos feitos para prestar mais atenção a informações ameaçadoras e assustadoras do que nas positivas. Isso remonta à sobrevivência quando os primeiros seres humanos caçavam comida, água e abrigo. A constante ameaça de ataque manteve os humanos no modo de luta ou fuga.

A ansiedade é uma resposta fisiológica quando o corpo produz muita adrenalina e entra no modo de detecção de ameaças. Embora ela possa ser um exagero do risco de alguma coisa, a intenção é manter o corpo seguro.

A eco-ansiedade não necessariamente é algo ruim, afinal de contas, se preocupar com o futuro, é importante. Mas mais importante do que se preocupar, é tomar atitudes concretas que viabilizem a perspectiva de um futuro melhor. Dessa forma, pare e preste atenção na sua eco-ansiedade, o que ela está te dizendo, é que é preciso agir. Mas você só pode agir se estiver bem, então cuide de si mesmo.

Não desanime

Consumir com uma pegada ambiental reduzida é uma das formas de ser parte da solução, mas você pode expandir sua influência no mundo. Procure formas inteligentes de influenciar as pessoas e concientizá-las politicamente sobre a importância da pauta climática. Muitas não darão a mínima para o que você disser, mas, como sugere a professora, filósofa e ativista Angela Davis: "você tem que agir como se fosse possível transformar radicalmente o mundo. E você tem que fazer isso o tempo todo".



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