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Onda de calor está entre os mais perigosos desastres naturais

Onda de calor é um fenômeno climático caracterizado por uma sequência de ao menos três dias consecutivos com temperaturas máximas ou mínimas mais altas do que as esperadas para a mesma região e para a mesma época do ano. De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, ela é causada por ar aprisionado. Em vez de circular ao redor do globo, um sistema de alta pressão faz com que o ar quente fique parado e seja forçado para baixo. Ao mesmo tempo, a força evita que o ar próximo ao solo suba. 

Por mais que esse fenômeno possa ser explicado como parte de um sistema atmosférico, a onda de calor é cada vez mais frequente, intensa e perigosa para a saúde humana e para os ecossistemas. Além do ciclo natural que explica como se forma uma onda de calor, o fenômeno também vem sofrendo interferências das mudanças climáticas, impulsionadas pelo aquecimento global.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma onda de calor tem relação direta com o aumento de mortes. Segundo a fundação, o fenômeno está entre os mais perigosos desastres naturais, porém raramente recebe a devida atenção porque os óbitos e a destruição causados por ele nem sempre ficam evidentes.

Esse fenômeno climático deve se intensificar neste século, como indica o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), amplificando o desconforto dos indivíduos e o risco de mortalidade, principalmente de crianças e idosos.

Grupos mais vulneráveis

Dentre os problemas de saúde mais associados à mortalidade em ondas de calor estão a desidratação, a insolação, os problemas musculares e os edemas. Além disso, as altas temperaturas acentuam os problemas cardíacos, pulmonares e circulatórios.

“Crianças e idosos são os grupos mais suscetíveis à variação térmica por causa da baixa capacidade de manter a temperatura corporal”, diz o epidemiologista Nelson Gouveia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). De acordo com ele, pessoas com nível educacional mais baixo e viúvos também parecem estar sob risco mais alto do que a média da população durante uma onda de calor, o que talvez possa ser explicado pela menor probabilidade de procurarem ajuda médica quando necessário.

Onda de calor no Brasil

Onda de calor
Imagem de Luis Villasmil no Unsplash

O mais abrangente estudo já feito sobre o impacto de ondas de calor na taxa de mortalidade humana traz uma notícia ruim para o Brasil: o país está entre aqueles onde o problema mais deve se agravar à medida que a mudança climática avançar.

O trabalho que aponta essa tendência é uma pesquisa conduzida por 39 cientistas no mundo todo; eles analisaram dados de mortalidade em 412 cidades de 20 países diferentes. Quando se considerou o aumento percentual nas mortes relacionadas a ondas de calor, o Brasil teve a terceira previsão mais pessimista, atrás apenas de Colômbia e Filipinas.

“Os resultados mostram que, se não ocorrer adaptação, o incremento na mortalidade relacionada a ondas de calor deve aumentar mais em países e regiões tropicais/subtropicais (mais perto do equador), enquanto países europeus e os EUA terão aumentos menores nessa mortalidade excedente”, afirmam os autores em artigo científico publicado na revista “PLoS Medicine”.

Políticas que possibilitem a adaptação ao calor e promovam conforto térmico são essenciais para contornar os efeitos causados pelas ondas de calor. Um guia dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos recomenda que as pessoas evitem a exposição direta ao sol, hidratem-se, usem roupas leves e de cor clara, não consumam refeições pesadas e quentes e conheçam os sintomas de doenças agravadas pela temperatura elevada.