O que são emissões atmosféricas?

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Termo emissões é amplo e atualmente tem nas emissões atmosféricas seu principal uso. Conheça os tipos de emissões e entenda seus impactos


É comum, em ecologia, o termo "emissões" ser usado para falar de lançamento ou liberação de gases na atmosfera. Mas você sabe o que são emissões atmosféricas? O lançamento na atmosfera de qualquer matéria líquida, sólida ou gasosa é definido como emissão. As emissões atmosféricas são divididas entre emissões pontuais (aquelas efetuadas por uma fonte capaz de dirigir ou controlar seu fluxo, como ventiladores, dutos e chaminés) e emissões fugitivas (que correspondem ao lançamento de matéria na atmosfera de forma difusa e desprovida de dispositivos para dirigir ou controlar seu fluxo, como é o caso de vazamentos de conexões e aberturas de recipientes com substâncias voláteis).

Fontes de emissões atmosféricas

Emitir um gás para a atmosfera nada mais é do que liberá-lo, colocando suas partículas em circulação. As emissões de gases podem se dar por fontes naturais ou antropogênicas (criadas pelo homem). Vamos a elas:

  • Fontes naturais: são fontes que naturalmente liberam gases à atmosfera, como as queimadas naturais e as atividades vulcânicas;
  • Fontes antropogênicas: são fontes de emissões criadas pelo homem, como indústrias, carros e criação de gado, entre outras.

Há também uma forma de classificação das fontes emissoras que vai de acordo com a natureza de cada uma. Assim, há dois tipos de fontes emissoras: móveis e estacionárias.

  • Fontes móveis: toda fonte que não se situa em um lugar fixo, podendo locomover-se, ou seja: carros, aeronaves, navios, trens e demais meios de transporte;
  • Fontes estacionárias: o oposto de fonte móveis. Encontram-se em um local fixo, como as refinarias, indústrias químicas e centrais de energia elétrica.
As fontes estacionárias podem ainda se subdividir em fontes pontuais e difusas.
  • Fontes difusas: o conceito de fonte difusa se aproxima do que é chamado de "emissões fugitivas", que são emissões cujas fontes não possuem dispositivos para direcionamento ou controle do fluxo dos gases;
  • Fontes pontuais: são mais restritas, ou seja, as emissões partem de um ponto específico, como determinados processos dentro de indústrias ou plantas de energias, que apresentam dispositivos para controle e direcionamento de fluxo.

Poluentes Atmosféricos

Muitos dos gases lançados à atmosfera são considerados gases poluentes. Mas já se perguntou o que é a poluição do ar?

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) descreve poluentes atmosféricos como quaisquer substâncias que estejam presente no ar em concentrações suficientes para torná-lo impróprio ou nocivo à saúde, causando danos aos materiais, à fauna e à flora.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica poluição do ar como "a contaminação dos ambientes internos ou externos por qualquer composto químico, físico ou agente biológico que modifique as características naturais da atmosfera".

Assim, a emissão de gases poluentes altera a composição química da atmosfera, podendo modificar a temperatura média do planeta, o que pode causa o desequilíbrio do efeito estufa e o aquecimento global, além da possibilidade de prejudicar a saúde humana e ameaçar espécies sensíveis a essas alterações, como líquens, por exemplo.

De acordo com sua origem, os poluentes podem ainda ser classificados em primários ou secundários. Os primários são aqueles diretamente emitidos pelas fontes. Estes podem ainda sofrer reação química com um composto natural da atmosfera ou outro poluente primário, o que pode transformá-lo em um poluente de maior ou menor potencial danoso do que o originalmente emitido. Esses poluentes que se formam posteriormente na atmosfera são denominados poluentes secundários.

Os principais poluentes atmosféricos causadores do efeito estufa são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o ozônio (O3) e os clorofluorcarbonos (CFCs). Outros poluentes igualmente importantes são o material particulado, o monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), os compostos orgânicos voláteis (VOCs), e os óxidos de nitrogênio (NOx).

Inventários

Os inventários de emissões atmosféricas são ferramentas de elaboração de estimativas para as emissões em uma determinada área em um tempo definido. Nestes inventários, primeiramente, identificam-se os poluentes de interesse e as fontes poluidoras, caracterizam-se as emissões e finalmente são propostas estratégias de controle das emissões.

Para garantir a consistência entre os inventários nacionais, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) oferece manuais para a elaboração dos inventários de emissões.

O programa brasileiro GHG Protocol busca, através de um Registro Público de Emissões, estimular a elaboração e publicação destes inventários, além de possuir uma área destinada à divulgação dos inventários publicados. O Registro Público Voluntário pode ser feito por qualquer pessoa, realizando-se o download das planilhas para preenchimento dos inventários através do próprio site da GHG Protocol. Sua publicação no registro é feita sob o pagamento de uma taxa anual.

O site do Sistema de Estimativas de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG) também disponibiliza documentos sobre o perfil de emissões do Brasil e a evolução das emissões de GEE, inclusive aquelas relacionadas a mudanças no tipo de uso do solo (queimadas, desmatamento, agricultura, dentre outros).

Créditos de carbono

Elaborado em 1997, mas entrando em vigor apenas em 2005, o Protocolo de Quioto teve por objetivo estabelecer metas mais específicas de redução de gases de efeito estufa (GEE) por parte dos países que aderiram ao acordo. Ele deveria englobar os países do anexo I (citados na Convenção sobre Mudança do Clima), totalizando no mínimo 55% das emissões mundiais de GEE.

A unidade de medida para o cálculo das emissões e metas é o "crédito de carbono". Um crédito equivale a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2). Os demais gases também são calculados dentro desta unidade, por meio de um método denominado "carbono equivalente", que realiza a equivalência de cada gás de efeito estufa em quilos de CO2.

Com isso, em 1992 foi criado o Mercado de Carbono, durante a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). De acordo com o Comércio de Emissões criado, os países que tivessem limites de emissões sobrando, ou seja, que tivessem reduzido suas emissões além de sua meta, poderiam vender os créditos que sobrassem para Nações do Anexo I que estivessem emitindo GEE além do limite. Dessa maneira, os países poderiam agir em conjunto para obedecer às metas estipuladas, ajudando-se entre si.

No Brasil, os padrões nacionais de qualidade do ar foram estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) e aprovados pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) pela Resolução 003/1990, além da Lei nº 12.187, de 2009, que estabelece a Política Nacional sobre Mudança do Clima. O Centro de Análise de Informações sobre o Dióxido de Carbono (CDIAC) fornece um ranking de emissões totais e CO2 por país.

Neutralização e redução das emissões de CO2

Para reduzir o efeito estufa, uma alternativa que pode ser utilizada é a neutralização (ou compensação) das emissões de gases poluentes. Algumas técnicas que podem ser aplicadas são o reflorestamento, a utilização de fontes de energia mais limpas e a preservação florestal propriamente dita. Se você, como pessoa física, deseja neutralizar suas emissões de CO2, algumas dicas são a utilização de etanol como combustível dos automóveis, que é menos danoso do que a gasolina para o meio ambiente, utilização de transportes coletivos e redução no consumo de energia. Já para as empresas, a neutralização das emissões é um diferencial que vem chamando a atenção. Algumas já têm aderido ao projeto Gesto Verde, que realizam campanhas para a neutralização do CO2 emitido por blogs e sites.

Caso haja a curiosidade de saber qual a sua pegada de carbono, há calculadoras de emissões disponíveis na internet - a partir de algumas perguntas simples, elas estimarão sua produção anual do gás.

No mais, para que sejam reduzidos os níveis de poluição, deve haver não somente uma legislação rigorosa sobre os valores máximos permitidos para a concentração de cada poluente na atmosfera, como também mecanismos de monitoramento adequados e eficientes das fontes poluidoras. Também deve ser incentivado cada vez mais o investimento em fontes de energia menos poluidoras e a utilização de equipamentos que reduzam os níveis de poluição emitida, como catalisadores automotivos e filtros em chaminés de indústrias. Políticas públicas que visem a melhoria e consequente incentivo o uso do transporte coletivo poderiam reduzir grandemente as emissões de poluentes por veículos automotores, assim como o reflorestamento e controle das queimadas.

Em 2014, em um estudo realizado pela Centro Clima em parceria com o Greenpeace, verificou-se que no Brasil há uma crescente preocupação com eficiência energética, o que tem reduzido as emissões por parte de veículos automotores e o desperdício de energia. Também em 2014, o Brasil foi o único país a apresentar resultados positivos para a meta de redução da emissão dos GEE (gases de efeito estufa). Isso só nos leva a crer e esperar que, conforme avançam os conhecimentos a respeito dos gases poluentes e suas consequências para a saúde humana e o meio ambiente, aumentam a conscientização e o interesse da população brasileira em reduzir suas emissões.

O vídeo nos passa lições quanto a ações cotidianas que poluem ou degradam o meio ambiente de alguma maneira, e que podem e devem ser repensadas e modificadas para que possamos reduzir nossas emissões:

Para quem tiver curiosidade, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) disponibiliza uma ferramenta de monitoramento e previsão da qualidade do ar no Brasil, onde se pode manipular o poluente a ser analisado, a data e horário do dia, assim como o nível vertical observado.


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