O que é dióxido de carbono?

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Dióxido de carbono é um composto químico gasoso que provoca desequilíbrio no efeito estufa

Dióxido de carbono
Imagem editada e redimensionada de Pulkit Kamal, está disponível no Unsplash

Dióxido de carbono, também conhecido como gás carbônico ou CO2, é um composto químico gasoso que provoca graves desequilíbrios no efeito estufa do planeta Terra. Em condições normais, esse gás não apresenta cheiro ou sabor, sendo de difícil detecção.

Essencial para a vida no planeta (pois é um dos principais compostos usados na fotossíntese), o carbono é encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono. Por outro lado, vários organismos liberam esse gás para a atmosfera mediante ao processo de respiração, inclusive as plantas e árvores (conhecidas como compensadoras de dióxido de carbono) que, em condições de calor e seca, fecham seus poros para impedir a perda de água e mudam para o processo de respiração noturno, denominado de fotorrespiração, ou seja, consomem oxigênio e produzem dióxido de carbono.

No entanto, o que preocupa não é a presença do dióxido de carbono na atmosfera, mas sim a alta concentração em que se encontra. Isso acontece porque, de acordo com diversos estudos científicos, ele é o gás do efeito estufa que mais contribui para o aquecimento global.

Fontes e usos

  • Respiração de animais, seres humanos e organismos vivos;
  • Decomposição de seres vivos e materiais;
  • Erupção vulcânica;
  • Atividade humana (principalmente agropecuária e industrial);
  • Queima de combustíveis fósseis (carvão, gás de usina de energia, petróleo, veículos);
  • Desmatamento e queimadas;
  • Lavagem de polpa de celulose e papel.

O dióxido de carbono também é muito utilizado para produzir cimento, gerar eletricidade, resfriar dispositivos com gelo seco e efervescer refrigerantes.

Excesso na atmosfera

A atividade agropecuária e o transporte são importantes fontes emissoras de dióxido de carbono na atmosfera. Além disso, as mudanças no uso da terra (desmatamentos e queimadas) afetam os estoques e reservatórios naturais de carbono e, simultaneamente, os sumidouros (ecossistemas com a capacidade de absorver CO2) e os sequestradores de carbono.

A alta da concentração de dióxido de carbono na atmosfera começou no final do século XVIII, com o início da Revolução Industrial, que demandou a utilização de grandes quantidades de carvão mineral e petróleo como fontes de energia. Desde então, a concentração média desse gás vem aumentando e já excedeu as 400 partes por milhão (ppm) em 2016.

Efeitos

A alta concentração de dióxido de carbono leva à poluição do ar, formação de chuva ácida e desequilíbrio do efeito estufa (com consequente elevação da temperatura da Terra), que traz consigo o derretimento de calotas de gelo e a elevação dos níveis oceânicos, resultando em uma grande degradação ambiental de ecossistemas e paisagens.

Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da USP, a convivência do ser humano com a poluição implica em efeitos para a saúde, como alterações clínicas na população, ou seja, aparecimento de doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios. Entre os sintomas e consequências estão maior incidência de asma e bronquite, aumento das crises de asma e dor precordial (desconforto torácico), limitação funcional, maior utilização de medicamentos, aumento do número de consultas em pronto-socorro e internações hospitalares, além de um grande prejuízo para a economia por conta dos gastos com saúde pública.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou que as pessoas, em seus 34 países-membros, estariam dispostas a pagar US $1,7 trilhão para evitar mortes causadas pela poluição do ar.

Milho e outras culturas não são adaptadas para se beneficiar dos níveis elevados de dióxido de carbono

Por meio da fotossíntese, as plantas são capazes de transformar dióxido de carbono em produção. A lógica nos diz que mais quantidade desse gás deve impulsionar a produção da safra, mas uma nova revisão da Universidade de Illinois mostra que algumas safras, incluindo o milho, são adaptadas a um ambiente pré-industrial e não podem distribuir seus recursos de forma eficaz para aproveitar as vantagens de dióxido de carbono extra.

A maioria das plantas (incluindo soja, arroz, canola e todas as árvores) são C3 porque fixam dióxido de carbono primeiro em um carboidrato contendo três átomos de carbono. Milho, sorgo e cana-de-açúcar pertencem a um grupo especial de plantas conhecido como C4, assim chamado porque primeiro fixam esse mesmo gás em um carboidrato de quatro carbonos durante a fotossíntese. Em média, as safras C4 são 60% mais produtivas do que as C3.

Quando as safras são cultivadas em elevadas quantidades de dióxido de carbono, que imitam as condições atmosféricas futuras, a pesquisa mostra que as safras C3 podem se tornar mais produtivas, enquanto alguns experimentos demonstram que as safras C4 não seriam mais produtivas em um mundo com mais dióxido de carbono.

Dessa maneira, além de gerar poluição e causar diversos problemas de saúde, esse gás também limita a produção de várias culturas necessárias para a sobrevivência humana, como milho.

Alternativas para controle

No caso do dióxido de carbono, o sequestro de carbono da atmosfera é a principal solução. As atuais técnicas, também chamadas de neutralização de carbono, ou reproduzem ou procuram reforçar as formas naturais de captura desse gás. Exemplos são o reflorestamento, captura por meio de eletrólise e sequestro geológico de carbono, que busca devolver o carbono comprimido para o subsolo por meio de injeções em um reservatório geológico. E por incrível que pareça, os ouriços também têm importante papel na captura de dióxido de carbono, pois podem contribuir com o sequestro de carbono. Conheça técnicas de neutralização de carbono na matéria: "Conheça as técnicas de neutralização de carbono".

Por outro lado, para diminuir as emissões, há possibilidade de se privilegiar fontes de energia renováveis, que substituem combustíveis mais poluentes, como o carvão, por outros menos nocivos, como biomassa, energia solar e eólica. A adoção de políticas governamentais mais rígidas quanto ao controle, padrões de qualidade do ar e emissões também é essencial. A nível do indivíduo, é imprescindível diminuir o consumo de carne e derivados animais, assim como preferir o transporte público e, caso for comprar um carro, escolher veículos que emitem menos dióxido de carbono. (veja algumas medidas sugeridas para a cidade de Nova Iorque).

Além disso, a tecnologia tenta procurar sempre inovações, que ainda estão sendo testadas, mas se mostram promissoras, como a técnica que transforma dióxido de carbono em concreto, ou o bloco de construção que consome esse gás em sua produção e a produção de biocarvão.

Uma outra maneira de compensar as emissões é o mercado de créditos de carbono. Nele, uma tonelada de dióxido de carbono corresponde a um crédito de carbono. Empresas que conseguem diminuir a emissão de gases poluentes obtêm estes créditos, podendo vendê-los nos mercados financeiros nacionais e internacionais. Assim, quem reduz suas emissões lucra com a venda destes créditos de carbono. Países que emitem mais compram créditos no mercado de carbono. No entanto, essa também é uma prática questionável, pois o problema não se resolve apenas com as empresas poluidoras comprando créditos - é necessário que elas reduzam o nível de emissões.

Como saber se produzo emissão de carbono? Preciso neutralizar?

A pegada de carbono (carbon footprint - em inglês) é uma metodologia criada para medir as emissões de gases do efeito estufa - todas elas, independente do tipo de gás emitido, são convertidas em carbono equivalente.

Se você come um prato de arroz e feijão, saiba que houve uma pegada de carbono para essa refeição - se em seu prato contiver alimentos de origem animal, essa pegada é ainda maior (plantação, cultivo e transporte). Conhecer a emissão de dióxido de carbono, direta ou indiretamente, é muito importante para reduzi-la com a finalidade de desacelerar o aquecimento global, melhorar a qualidade de vida do planeta, reduzir a pegada ecológica e evitar o overshoot, conhecido como a sobrecarga da Terra.

Como posso fazer a neutralização de carbono?

Algumas empresas, como a Eccaplan, oferecem o serviço de cálculo e neutralização de carbono para indivíduos e empresas. As emissões inevitáveis podem ser compensadas em projetos ambientais certificados. Dessa forma, a mesma quantidade de dióxido de carbono emitida nas empresas, produtos, eventos ou no dia a dia de cada pessoa, é compensada com incentivo e uso de tecnologias limpas.

A compensação ou neutralização de carbono, além de viabilizar financeiramente projetos ambientais, melhora a qualidade de vida das pessoas e promove o uso sustentável de áreas verdes. Para saber como começar a fazer a neutralização do carbono emitido por você, sua empresa ou evento, assista ao vídeo e preencha o formulário a seguir:



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