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Conceito de felicidade variou com o tempo; hoje a ideia está relacionada com a capacidade de bem-estar

A felicidade pode ser definida como uma sensação em que prevalece o bem-estar, prazer ou gozo, e não a dor, a angústia e o desprazer. Esse estado é conhecido por sua finitude. Quando achamos que conquistamos a felicidade, no momento seguinte ela escapa, e surge novamente na hora mais inesperada.

Os compositores Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ilustraram bem a efemeridade do sentimento de felicidade com a passagem:

“A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve”

A ideia de felicidade varia de acordo com época e culturas

De acordo com o doutor em psicologia e um dos principais tradutores da obra do psicanalista Sigmund Freud no Brasil Luiz Alberto Hanns, o conceito de felicidade começou a se estruturar de maneira mais proeminente a partir da década de 60.

Nos anos 60 — época dos baby boomers, um período histórico de fartura —, eram valorizadas as ideias de gozo, quebra de tabus, culto à alegria de viver; e a felicidade não estava mais ligada aos deveres familiares, como era nos 50, ressalta Hanns em sua aula na Casa do Saber. Mais tarde, já nos anos 80, os yuppies — termo derivado de  “Young Urban Professional — ligavam a felicidade ao sucesso financeiro.

Psicologia positiva

Na psicologia positiva  — ramo da psicologia  —, após diversos estudos, notou-se que as capacidades de perdoar, se dedicar a um trabalho e ter amigos estavam ligadas a maiores níveis de bem-estar. Dessa forma, dentro dessa área do conhecimento, parte-se do pressuposto que, para a maior parte da população, o bem-estar é uma aprendizagem. Em outras palavras, isso significa que ser feliz pode depender em boa medida de habilidades, e não somente sorte ou genética.

Ocidente x Oriente

No ocidente, prevalece a ideia de felicidade como um estado de bem-estar ligado à condição interna de uma pessoa se tornar capaz de gerar a própria satisfação — uma capacidade de usufruir das coisas e estar praticamente imune às vicissitudes da vida.

Já para algumas correntes orientais, como o budismo, o segredo da felicidade é abrir mão do desejo.

Sócrates e Aristóteles, em contrapartida, defendiam a ideia de que o segredo da felicidade é o percurso que se escolhe fazer na vida. Para os filósofos, é preciso de um investimento no desejo sem imediatismos e pequenez, importando mais o percurso até a realização do projeto do que o projeto em si.

Dinheiro não traz felicidade

Em um estudo, cientistas descobriram que a felicidade não está relacionada a altas rendas e riqueza material. Eles descobriram que as pessoas que passavam mais  tempo com a família e em contato com a natureza eram mais felizes.

Para o professor universitário Chris Barrington-Leigh, “…quando as pessoas estão confortáveis, seguras e livres para aproveitar a vida em uma comunidade forte, elas ficam felizes — independente de estarem ganhando dinheiro ou não.”

Esterco de vaca pode ajudar

Outro estudo mostrou que uma bactéria presente no esterco de vaca estimula um “hormônio da felicidade”. Participantes que foram avaliados apresentaram menores taxas de depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo após entrarem em contato com a bactéria Mycobacterium vaccae.

Bons relacionamentos 

Uma outra pesquisa com duração de 75 anos tentou desvendar o segredo da felicidade, e os resultados mostraram que a felicidade depende, basicamente, de conexões sociais e relacionamentos de qualidade. O estudo ainda concluiu que bons relacionamentos ajudam a proteger a memória. 

Vegetais na dieta

Um terceiro estudo realizado na Universidade de Queensland, na Austrália, revelou que consumir dez porções de frutas e legumes todos os dias ajuda a melhorar a saúde física e mental e aumenta o sentimento de felicidade.

O segredo

Pessoas que são mais socialmente conectadas a amigos, família e comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais do que as pessoas que são menos conectadas. A “solidão acaba se tornando tóxica”. Pessoas isoladas apresentam declínio de saúde e nas funções cerebrais, são menos felizes e vivem menos do que aquelas que não são solitárias.

A qualidade das relações próximas importa mais do que o número de amigos que se tem ou o fato de estar em um relacionamento sério. Relações muito conflituosas são tidas como ruins para a saúde, com o estudo de Harvard descobrindo que as pessoas mais satisfeitas com seus relacionamentos aos 50 anos eram as mais saudáveis aos 80 anos. Os participantes que eram os mais felizes em seus relacionamentos aos 80 anos descobriram que, nos dias em que experienciavam mais dor física, eles continuavam felizes; quando aqueles que não eram felizes em seus relacionamentos reportaram experienciar dor física, ela se mostrou impulsionada pela dor emocional.

A lição final de Waldinger é a de que a conexão entre relacionamentos e a saúde não é apenas física. Estar em um relacionamento seguro durante a idade avançada pode ajudar a proteger contra a perda de memória. Participantes que sentiam que podiam contar com seus parceiros em momentos de necessidade tinham memória mais afiada por mais tempo.

O resumo das lições de Waldinger é que relacionamentos bons e próximos são ótimos para a saúde e para a felicidade. Aqueles que tiveram vidas felizes focaram em relacionamentos com família, amigos e com suas comunidades.

O estudo de Harvard está agora seguindo apenas um pequeno grupo de homens que cresceu nos Estados Unidos, mas há diversos estudos do tipo em outros países que tentam medir o nível de felicidade, levando em conta outros tipos de clivagens, já que o estudo citado tentou extrair algo em comum de diversos grupos de homens, sem especificar diferenças entre eles.

Confira, a seguir, um vídeo do  canal Portal eCycle sobre hábitos para ser feliz:


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