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Ditado popular com inspiração católica “é dando que se recebe” foi comprovado cientificamente, ao menos em certos contextos

Imagem de Kelly Sikkema no Unsplash

O ditado popular “é dando que se recebe“, com inspiração na oração de São Francisco de Assis, foi comprovado; ao menos em certos contextos apontados por pesquisas científicas.

Empatia se aprende

Um estudo divulgado na Science Daily mostrou que crianças mais empáticas com o sofrimento alheio apresentaram mais tranquilidade após eventos estressantes, e isto estava ligado ao exemplo dado por suas mães.

A pesquisa feita pela Universidade da Califórnia (UC), em Davis, mostrou que crianças de 4 a 6 anos expostas a comportamentos empáticos por parte de suas mães estavam mais dispostas a ser generosas com outras crianças.

O estudo incluiu 74 crianças em idade pré-escolar e suas mães, que foram convidadas a voltar dois anos depois, quando as crianças já tinham 6 anos de idade.

Para o professor de psicologia da UC, as mães com comportamentos empáticos desenvolveram laços mais fortes com seus filhos, ao mesmo tempo que deram exemplo precoce de orientação pró-social em relação às necessidades dos outros.

O estudo foi originalmente publicado na revista Frontiers in Psychology: Emotion Science.

É dando que se recebe

Curiosamente, além de mostrar que a empatia é uma capacidade emocional aprendida pelo exemplo, a pesquisa mostrou que, metaforicamente, é dando que se recebe.

Em outras palavras, o estudo mostrou que as crianças mais empáticas geraram benefícios para si próprias após praticar o bem com outras crianças, em relação às que não praticaram.

Depois de conectar um monitor para registrar a atividade da frequência cardíaca das crianças, um dos pesquisadores disse às crianças que elas ganhariam fichas para uma variedade de atividades e que estas fichas poderiam ser trocadas por um prêmio.

Então, as fichas foram colocadas em uma caixa e cada criança ganhou 20 delas. Antes da sessão terminar, as crianças foram informadas que poderiam doar todas ou parte das fichas para outras crianças. Na primeira instância, elas foram informadas que eram para crianças doentes que não poderiam entrar no jogo e, na segunda instância, disseram-lhes que as crianças estavam passando por dificuldades.

Ao mesmo tempo, as mães responderam a perguntas sobre comportamentos de empatia por seus filhos e pelos outros em geral. As mães selecionaram certas frases como:

  • “Prefiro praticar ações que ajudem meu filho do que realizar ações que me ajudem.”
  • “Aqueles que encontro por meio de meu trabalho e vida pública podem presumir que estarei lá se precisarem de mim.”
  • “Eu prefiro sofrer do que ver alguém (um estranho) sofrer.”

Tomados em conjunto, os resultados mostraram que a generosidade das crianças é apoiada pela combinação de suas experiências de socialização — a empatia de suas mães —e sua regulação fisiológica, e que estes funcionam como “suportes internos e externos para a capacidade de agir pró-socialmente”.

Além de observar a propensão das crianças a doar fichas, os pesquisadores observaram que ter um comportamento generoso também pareceu beneficiar as crianças. Nas idades de 4 e 6 anos, o registro fisiológico mostrou que as crianças que doaram mais fichas ficaram mais calmas após a atividade, em comparação com as crianças que doaram nenhuma ou poucas fichas.

Os pesquisadores concluíram que “comportamentos pró-sociais podem ser intrinsecamente eficazes para acalmar a própria excitação”.

Um outro estudo, realizado por dois biólogos da Universidade da Pensilvânia, demonstrou, matematicamente, como a cooperação e a generosidade obtiveram maior sucesso no processo de desenvolvimento natural em comparação à competição.

Para esses biólogos, as estratégias de extorsão podem até funcionar num jogo a dois, mas pensando em termos de uma população ampla e em desenvolvimento, a falta de cooperação pode não ser tão vantajosa assim.

Acontece que, em longo prazo, as vantagens da generosidade com os oponentes são muito maiores, e os egoístas acabam ganhando menos que os oponentes que cooperaram. Nessa hora, mesmo “o perdão” pode ser uma estratégia, pois, num primeiro momento, você pode até punir aquele que não cooperou, mas após um determinado tempo, é importante cooperar com ele também.

Apesar de parecer abstrato, eles conseguiram provar por equações matemáticas como só as estratégias generosas e de cooperação podem sobreviver. O ato generoso traz uma sensação de felicidade para o ser humano, sendo quase como um instinto, que pode ser encontrado também em muitas outras espécies.

Dessa forma, em um cenário de competição x cooperação, quem ganha é a cooperação. E, mais uma vez, o ditado é comprovado: “é dando que se recebe“.


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