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Presente em cerca de 15% das mulheres que acabaram de dar à luz, a depressão pós-parto é um distúrbio emocional grave que também afeta pais

Depressão pós-parto é um distúrbio emocional que pode ocorrer após alguém dar à luz a um bebê. Ele é geralmente provocado pela queda considerável dos níveis hormonais nesse período.

Estima-se que cerca de 80% das mulheres tenham pensamentos negativos, fadiga e preocupação excessiva nos primeiros dias com uma criança recém-nascida. No entanto, esse sentimento é comum e costuma desaparecer em poucas semanas. Já a depressão pós-parto pode durar mais tempo e ser muito mais agressiva, atingindo aproximadamente 15% das mulheres.

Embora as mulheres estejam em maior risco de desenvolver depressão pós-parto, o distúrbio também pode ocorrer em homens. Pesquisadores do Hospital Pediátrico de Chicago descobriram que quase 20% dos pais de bebês prematuros apresentaram sintomas de depressão pós-parto. Esse estudo aponta para a necessidade de se implantar mais programas voltados para a saúde mental não só das mães, mas também dos pais, que muitas vezes não percebem ou não admitem precisar de ajuda.

Possíveis causas da depressão pós-parto

A principal causa da depressão pós-parto é a desregulação hormonal. Durante a gravidez, o estrogênio e a progesterona aumentam. Porém, logo após o parto, seus níveis voltam ao normal. Essa mudança brusca pode levar à depressão.

Outras causas possíveis podem ser privação de sono, dieta inadequada, abuso de drogas ou álcool e baixo nível de hormônios da tireoide. Distúrbios emocionais prévios ou histórico de doenças mentais na família também são fatores decisivos.

Estressores emocionais também podem afetar a saúde mental da mãe ou do pai. Um divórcio recente ou o falecimento de alguém próximo, pais ou bebê com problemas de saúde, crise financeira e falta de apoio são todos possíveis motivadores da depressão pós-parto.

Sintomas da depressão pós-parto

Para diferenciar a depressão pós-parto do chamado baby blues, deve-se atentar à duração e intensidade dos sintomas. Também é válido observar se eles interferem nas atividades diárias e impedem a mãe ou o pai de cuidarem de si mesmos e do bebê.

Alguns dos sintomas mais comuns incluem:

  • Sentir-se triste e chorar excessivamente sem motivo;
  • Sentir-se exausto, mas não conseguir dormir;
  • Dormir mais do que o normal;
  • Comer demais ou comer pouco;
  • Ter dores no corpo ou ficar doente sem explicação;
  • Ficar irritado, nervoso ou ansioso sem motivo;
  • Mudar de humor repentinamente;
  • Ter dificuldade para lembrar de coisas;
  • Ter dificuldade para se concentrar;
  • Sentir-se desinteressado em coisas das quais costumava gostar;
  • Sentir-se distante do seu bebê;
  • Sentir que suas emoções negativas são erradas;
  • Ter medo de contar isso a outra pessoa e acharem que você está sendo um pai ou uma mãe irresponsável;
  • Ter pensamentos intrusivos de machucar a si mesmo ou ao seu bebê.

Os sintomas da depressão pós-parto podem aparecer até duas semanas após o nascimento. Em alguns casos, eles só se manifestam depois de um mês. Se não tratada, a depressão pós-parto tende a piorar.

Depressão pós-parto severa e outros distúrbios

É fundamental que a pessoa experienciando depressão pós-parto procure tratamento, pois esse distúrbio pode evoluir para casos mais graves. A depressão pós-parto severa apresenta sintomas perigosos, como:

  • Alucinações, ou ver, cheirar ou ouvir coisas que não são reais;
  • Crenças irracionais, dar importância a coisas insignificantes e se sentir perseguido;
  • Desorientação, confusão e fala desorganizada;
  • Comportamento atípico;
  • Ações violentas;
  • Pensamentos suicidas e tentativas de suicídio;
  • Pensamentos de machucar o bebê.

Além da depressão, algumas pessoas podem desenvolver outros distúrbios:

Psicose pós-parto

A psicose pós-parto é rara e é o caso mais grave de depressão pós-parto. Ela é mais comum em pessoas que já possuem um histórico de distúrbios emocionais. Os sintomas iniciais são inquietação, insônia e irritabilidade. 

Embora facilmente confundidos com baby blues, eles são acompanhados de outros sintomas, como alucinações e sensação de perseguição. Podem acontecer pensamentos intrusivos sobre  o bebê, como colocar a culpa na criança pelos sentimentos resultantes da psicose.

Ao sinal de algum desses sintomas, a intervenção médica é essencial. 

Ansiedade pós-parto

Embora a depressão pós-parto seja mais comum, casos de ansiedade após o nascimento de um bebê afetam uma entre seis mulheres. 

Os sintomas incluem hiperventilação, ataques de pânico, dificuldades para dormir causadas por preocupação excessiva, pensamentos repetitivos, dificuldade para se concentrar e exagero em querer proteger constantemente o bebê de situações variadas. 

TOC pós-parto

A necessidade de proporcionar um ambiente saudável para o crescimento da criança pode levar os pais a desenvolverem transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). 

Entre 1-3% das mães apresentam TOC. O transtorno geralmente está relacionado à segurança do bebê e inclui preocupações como a de que a criança venha a falecer durante a noite ou que o pai ou a mãe deixe a criança acidentalmente cair.

Alguns dos sintomas são organização e limpeza repetitiva; constantes visitas ao berço do bebê durante à noite mesmo sabendo que ele está bem, e compulsões mentais, como rezar diversas vezes pela segurança do bebê.

Além disso, a pessoa pode desenvolver rituais, como contar ou tocar algo um número específico de vezes, achando que, assim, é capaz de prevenir coisas ruins de acontecerem.

Recomenda-se que os distúrbios citados sejam tratados com psicoterapia e/ou uso de medicação. Para casos mais severos, a internação hospitalar pode ser necessária. 

Depressão pós-parto: tratamento, remédios naturais e dicas

A depressão pós-parto requer orientação médica. Seu tratamento inclui psicoterapia e uso de medicação. 

Alguns antidepressivos não podem ser utilizados durante a amamentação, então é recomendável alertar o profissional da saúde antes de utilizar a medicação.

Junto ao tratamento clínico, alguns hábitos e remédios naturais podem contribuir para a melhora dos sintomas da depressão pós-parto, como a prática de atividades físicas e o cuidado com a higiene do sono. Massagem, meditação e uma dieta rica em nutrientes também podem ajudar nesse momento. 

O uso de plantas medicinais deve ser feito com cautela. A interação entre suplementos e medicação pode causar problemas de saúde. Além disso, propriedades das ervas medicinais têm chances de estarem presentes no leite materno. Por isso, recomenda-se sempre alertar o médico ou médica responsável sobre o uso de suplementos.

A seguir, confira dicas que podem auxiliar na luta contra a depressão pós-parto:

Converse com alguém

Como já foi mencionado, muitas mães e pais sentem que seus sentimentos negativos acerca da chegada do bebê são errados e não devem ser comunicados a pessoas de fora. No entanto, é importante que a pessoa que sofre de depressão pós-parto compartilhe seus sentimentos com alguém de confiança. Isso pode ajudá-la a entender que não está sozinha e que outras pessoas querem ouvi-la.

Evite se isolar

A depressão é acentuada quando a pessoa se isola e se distancia das pessoas de seu ciclo social. É recomendável que, dentro do possível, o pai ou a mãe que esteja enfrentando depressão pós-parto tente manter os amigos íntimos e familiares por perto. Outra sugestão é procurar grupos de apoio para pessoas com depressão.

Não se sobrecarregue

As tarefas domésticas devem ficar em segundo plano quando o assunto é saúde mental. Recomenda-se que o pai ou a mãe deem sempre prioridade para as suas próprias necessidades e para as do bebê. Se possível, pedir ajuda a amigos e familiares pode ser uma boa opção.

A mesma coisa vale para a hora de dormir e momentos para relaxar. Uma boa noite de sono é essencial para o bem estar físico e mental. Então, caso o bebê não durma por longos períodos, é recomendável ter alguém disponível para revezar os cuidados com ele à noite.

Meditação e massagens também são ótimas opções para aliviar o estresse durante o dia e ajudam a dormir melhor.