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Fazer compostagem doméstica é fácil, higiênico, reduz o lixo orgânico e a emissão de gases do efeito estufa

Saber como fazer compostagem doméstica é um ótimo começo para ter sucesso no manejo de uma composteira de casa, apartamento ou sítio.

A composteira doméstica, caseira ou residencial funciona basicamente por meio do método da compostagem com minhocas (totalmente higiênicas). Esse método, já utilizado há muitos anos pelos agricultores familiares, é indicado como uma solução para os resíduos urbanos, pois transforma o que seria lixo em um rico húmus e, além de reduzir o lixo que seria destinado a aterros e lixões, ainda diminui a emissão de gases do efeito estufa.

Confira no vídeo do canal do Portal eCycle no YouTube, de maneira resumida, como funciona a compostagem doméstica:

Redução da emissão de gases prejudiciais

Além de diminuir a quantidade de resíduos em aterros e lixões, reduzindo mais da metade da quantidade de lixo, a vantagem de fazer compostagem doméstica é que se evita a emissão de gases contribuintes para o desequilíbrio do efeito estufa.

Quando os resíduos vão parar em aterros sem tratamento nenhum, a decomposição acaba gerando gás metano (CH4), que é 25 vezes mais nocivo para o efeito estufa do que o gás carbônico (CO2). A compostagem, por outro lado, evita a emissão do CH4.

O que é a compostagem doméstica com minhocas?

A vermicompostagem é a compostagem feita com a ajuda do trabalho das minhocas, nesse caso, as minhocas californianas. Entenda mais sobre elas nas matérias:

O termo “vermicompostagem” é usado para denominar o processo de transformação biológica dos resíduos em húmus, ou adubo orgânico, em que as minhocas atuam como aceleradores do processo de compostagem.

O uso do vermicomposto ou húmus, nome dado ao produto gerado pela compostagem doméstica, tem se mostrado uma forma eficiente, relativamente barata e sustentável para a melhora da qualidade e fertilidade do solo, sendo essencial para a manutenção da vida na forma como a conhecemos. Entenda mais sobre o húmus na matéria: “Húmus: o que é e quais são suas funções para o solo“.

As minhocas na compostagem doméstica

Ao contrário do que muitos pensam, as minhocas são limpinhas, não transmitem doenças, e podem ser utilizadas no seu lar sem gerar problemas. Obter uma composteira doméstica para criar minhocas é como cuidar de um animal de estimação qualquer, mas no caso das minhocas ainda há o benefício da decomposição dos resíduos.

Isso porque uma parte importante da compostagem doméstica, que é feita essencialmente por micro-organismos, é acelerada pelas minhocas. Acredita-se que, no mundo todo, existam mais de 8 mil espécies diferentes de minhocas. No Brasil, são conhecidas mais ou menos 260 espécies – em sua maioria nativas. A espécie mais indicada para a produção de húmus é a Eisenia Andrei, mais conhecida como minhoca californiana – isso se deve à sua capacidade de se adaptar facilmente às condições de cativeiro, à grande produção de húmus e à alta velocidade de reprodução; mas não acredite na lenda de que, quando cortada, a minhoca se regenera dando origem a duas minhocas – dependendo do lugar do corte, a minhoca pode até morrer.

A composteira residencial nos centros urbanos

Há diversos tipos de composteira disponíveis, para todos os gostos, bolsos e tamanhos de família, incluindo as urbanas.

Uma boa alternativa que pode ser utilizada na sua casa ou apartamento é composta por uma tampa e três ou mais caixas empilháveis de plástico. A quantidade de caixas e sua dimensão depende da demanda familiar, sendo as duas que ficam no topo, as chamadas de caixas digestoras, com furos no fundo (é nelas em que acontece toda a “mágica” e os furos são exclusivamente voltados para a migração das minhocas e escoamento do líquido); há também uma caixa coletora, a base, que serve para armazenar o chorume produzido no processo. É um método prático e simples de se fazer compostagem doméstica do lixo orgânico. Entenda melhor esse processo na matéria: “Guia: como é feita a compostagem?“.

Este tipo de composteira tem duas modalidades principais, o modelo convencional e o modelo humi.

Modelo convencional de composteira doméstica

Composteira. Imagem: divulgação/Morada da Floresta

Modelo de composteira caseira Humi

Composteira. Imagem: divulgação/Morada da Floresta

Como fazer compostagem doméstica

Nessas modalidades (convencional e humi), as duas primeiras caixas da composteira servem para deposição dos resíduos orgânicos. Com uma porção inicial de cerca de 200 minhocas, de acordo com a quantidade de alimento disponível e do espaço, as minhocas conseguem autorregular sua população. Na caixa do topo, o usuário deve adicionar os restos de comida, como cascas de legumes e frutas, evitando colocar alimentos com muita gordura, lácteos, espinhos de peixe, ossos, excesso de frutas cítricas (que em grande quantidade podem alterar o pH e acidificar o composto – ruim para as minhocas e para as plantas), carnes e frutos do mar.

Para saber o que pode e não pode ir na composteira doméstica, dê uma olhada na matéria “Como alimentar as minhocas na composteira?“.

Umidade

A umidade é um aspecto dos mais importantes, uma vez que o composto muito úmido pode propiciar a formação e retenção de gases e/ou dificultar a mobilidade das minhocas. Equilibrar a matéria orgânica molhada (suas sobras de comida) com matéria orgânica seca (serragem de madeira natural, folhas, etc.) torna o ambiente ideal para que a composteira residencial funcione e suas minhocas entrem em ação. Depositados os resíduos, é necessário cobri-los com o material seco.

Recomenda-se, como em um passo a passo, que os resíduos sejam depositados sucessivamente em fileiras (preferencialmente picados) e, em seguida, em camadas, preservando-se sempre no lado oposto uma camada de composto pronto, húmus livre de resíduos que servirá para o que se chama de “cama”. A “cama” é como um local de segurança, onde as minhocas se sentem confortáveis, devendo existir em ambas caixas digestoras. Elas migrarão por todas as caixas, subindo e descendo, sempre usando os furos.

Algumas minhocas podem ir para a caixa que recolhe o chorume, por isso é importante estar sempre atento para que elas não morram afogadas. Para evitar que isso aconteça, se a sua composteira for do tipo convencional, além da supervisão, coloque um tijolo em um dos cantos da caixa, assim elas poderão utilizá-lo como escada para subir para a caixa superior. Se a sua composteira for o modelo humi, não é necessário colocar o tijolo para as minhocas, pois ela já vem com uma elevação de fabricação.

Para saber mais detalhes da composteira Humi, dê uma olhada na matéria: “Humi: a composteira doméstica que une estilo e praticidade“.

Dicas

Depois que a primeira caixa da composteira doméstica encher, troque de lugar com a caixa que está imediatamente abaixo, de modo que as minhocas possam trabalhar livremente enquanto a outra caixa recebe novos alimentos. Para ampliação da capacidade do sistema, acrescente caixas extras. Trate de proteger sua composteira do sol, colocando-a na sombra, pois o aquecimento excessivo no processo de compostagem pode matar as minhocas.

Simultaneamente à produção de húmus, ocorre a produção do chorume, que escorre das duas primeiras caixas e fica armazenado na última – ela tem uma pequena torneira para facilitar a sua coleta. Esse chorume não é tóxico. Trata-se de um composto líquido rico em nutrientes e sais minerais, que também serve como um adubo orgânico e pesticida. Basta diluí-lo em água, em uma proporção de uma parte de chorume para dez partes de água, se quiser utilizá-lo como fertilizante de solo; e na proporção de meio a meio se quiser utilizá-lo como pesticida natural para borrifar nas folhas. Mas lembre-se de evitar borrifar o chorume durante o sol forte, pois pode queimar as plantas.

À medida que os alimentos são absorvidos no processo de compostagem doméstica, as minhocas migram para a caixa superior em busca de mais comida. Assim que o ciclo de produção estiver completo, o composto está pronto para ser utilizado em jardins, vasos e horta. Uma caixa digestora cheia leva de 30 a 60 dias para que todo o alimento seja decomposto. Após esse período, é possível utilizar o húmus nas plantas e liberar a caixa para uma próxima rodada de compostagem. Não devemos esquecer de deixar sempre uma “cama” para as minhocas na caixa vazia, até porque a decomposição não é feita exclusivamente pelas minhocas, mas por toda uma microfauna associada a elas e cuja presença está garantida nessa “cama”.

Modelo automático de composteira

Composteira. Imagem: divulgação/Trasix

O modelo automático é mais indicado para quem quer fazer a compostagem doméstica sem a utilização de minhocas. Neste modelo a compostagem é feita unicamente por micro-organismos. A grande vantagem da composteira automática é que ela não requer o acréscimo de matéria seca (como a serragem) e, diferente da composteira convencional, que leva dois meses no processo de produção do húmus, ela leva apenas um dia. O único cuidado necessário é não exceder a quantidade de resíduo indicada.

O modelo de composteira automática Decomposer 2 é um aparelho compacto que pode ser instalado em qualquer ambiente doméstico, não traz problemas com insetos e odores indesejados e não requer manutenção.

Gostou da matéria e está a fim de começar a fazer compostagem doméstica? Então adquira sua composteira caseira! Elas estão disponíveis em diversos tamanhos e, se você optar pela composteira com minhocas, é possível ir adicionando outras caixas digestoras caso sua demanda aumente. Boa compostagem!