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Memento mori é uma expressão em latim que nos lembra da mortalidade e nos incentiva a viver melhor a vida

Memento mori é uma expressão em latim que significa “lembre-se de que você irá morrer”. Apesar de parecer algo mórbido, memento mori funciona como um convite à reflexão para que nós pensemos sobre o nosso modo de viver e valorizemos mais a vida, cumprindo nossos deveres e desejos sem perder tempo e estando prontos para o momento em que a morte chegar. 

Como surgiu a expressão “memento mori”

Acredita-se que a expressão memento mori tenha surgido na Roma Antiga, onde os povos tinham a tradição de realizar um desfile de gala em homenagem a um general vitorioso recém-chegado do campo de batalha.

Era uma cerimônia tão surpreendente e admirável que poderia fazer com que o general se sentisse um verdadeiro deus. Por isso, sempre havia um servo que tinha como única função ficar atrás do general dizendo “Respice post te. Hominem te esse memento. Memento mori!” que significa “Olhe para trás. Lembre-se de que você é mortal. Lembre-se de que você deve morrer!”

Esperava-se que a frase fosse um lembrete ao general a respeito de sua natureza mortal, forçando-o a assimilar a cerimônia com sabedoria e razão e fazendo-o se lembrar de que a fama e glória são temporárias.

Em outras culturas e práticas, memento mori permaneceu sendo um convite à reflexão, inspirando artes e estilos de vida diversos.

Um convite à reflexão

A reflexão sobre a morte, de alguma maneira, passou por todas as gerações e diferentes culturas. Os filósofos estoicos, por exemplo, apesar de não usarem diretamente a expressão memento mori, em diversos momentos refletiram sobre a maneira ideal de se viver. 

Marco Aurelio, antigo imperador romano, frequentemente se lembrava de sua morte. Uma de suas frases demonstra isso: “Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom.”

Sêneca, um dos filósofos e escritores estoicos, também refletia sobre o assunto. Em sua carta ao amigo Lucílio, intitulada “Da economia do tempo”, ele diz: “Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte”. 

Assim como esses filósofos, outros pensadores acreditam que, ao se lembrar da morte, pode-se valorizar melhor a vida e aprender a viver melhor. Essa é a ideia e a função da expressão memento mori que, nos tempos modernos, segue sendo um convite à reflexão.

Memento mori na arte

memento mori na arte
“A Dança da Morte” (gravura de Micheal Wolgemut, xilogravura em Crônica de Nuremberg de Hartmann Schedel, 1493) disponível em: Wikipedia.

A ideia do memento mori inspirou diversos artistas a criarem esculturas, pinturas e mosaicos que costumavam levar crânios, esqueletos e outros símbolos da morte. Essas artes eram exibidas para fazer com que os espectadores meditassem sobre a morte e refletissem sobre suas vidas.

Assim, muitas igrejas também optaram por exibir essas artes com o objetivo de lembrar os cristãos de que eles são apenas seres mortais e incentivá-los a se dedicarem à preparação para o encontro com Deus.

Música e dança

Memento mori também foi um gênero de música de réquiem e funeral comum na Europa antiga. O gênero denominado dança macabra ou dança da morte foi uma espécie de memento mori e se tratava de uma peça dramática que destacava a universalidade e inevitabilidade da morte.

Literatura

Na literatura, a reflexão sobre a morte também é extensa. Shakespeare, por exemplo, em diversas peças apresentou a temática. Em uma passagem da obra Hamlet, o personagem de mesmo nome ergue o crânio do bobo da corte e lamenta o que acontece com todas as pessoas após a morte, até mesmo com as mais vivas e vibrantes: todas são reduzidas a um crânio oco.

Em todos esses pensamentos, reflexões, contextos e expressões artísticas, o ideal do memento mori é o mesmo: nos fazer lembrar da nossa mortalidade, livrando-nos de vaidades e futilidades terrenas e incentivando-nos a valorizar e viver melhor a vida.