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O movimento body positive luta contra a discriminação de corpos considerados fora do padrão

O termo body positive significa, em uma tradução literal, “corpo positivo”. Ele dá nome a um movimento que visa disseminar a aceitação do próprio corpo. Um dos seus principais objetivos é lutar contra a limitação de padrões de beleza estabelecidos na sociedade. Isso é alcançado por meio do enaltecimento de outros tipos de corpos e características físicas.

A origem desse movimento está associada ao movimento de aceitação do corpo gordo iniciado no fim dos anos 1960. O termo “body positive” foi cunhado por uma terapeuta em 1996 ao fundar o site The Body Positive. O site continua a oferecer materiais educacionais focados no bem-estar associado ao corpo, independentemente do peso. Ele também alerta para a adesão a dietas e exercícios físicos extremos.

Embora muito associado à luta contra a gordofobia (a aversão a pessoas gordas), o movimento body positive é uma resposta contra a discriminação a qualquer tipo de característica considerada “fora do padrão”, como:

  • Deficiências;
  • Condições de pele, como melasma e vitiligo;
  • Cor da pele;
  • Aspectos relacionados ao envelhecimento, como rugas e cabelos brancos;
  • Nariz grande;
  • Estrias, celulite e cicatrizes.

No Brasil, a jornalista e influenciadora Alexandra Gurgel, inspirada pelo body positive, fundou o Movimento Corpo Livre. No perfil do Instagram dedicado ao movimento, é dada ênfase à pluralidade de corpos combinada à questões raciais, capacitistas, de gênero, orientação sexual e saúde mental.

Principais críticas ao body positive

Com a popularização do movimento por meio das redes sociais, algumas pessoas passaram a questionar alguns aspectos do body positive.

Falta de inclusividade

O primeiro é que o movimento pode por vezes ser excludente. Ele é percebido como focado, majoritariamente, em pessoas brancas e cis-heteronormativas (isto é, que não fazem parte da comunidade LGBT+).

No entanto, é importante observar que isso vem mudando. Em uma entrevista, a cantora Lizzo comemorou o fato de ser “a primeira mulher negra grande” a aparecer na capa da revista Vogue. Além disso, ela chamou atenção para a banalização do movimento. Segundo ela, o body positive estava sendo usado por pessoas que não tinham corpos realmente fora do padrão.

Outro ponto a ser ressaltado é a inclusão de pautas ligadas ao universo masculino no movimento. Um estudo mostrou que os homens estão cada vez mais insatisfeitos com seu corpo. Há uma série de razões para isso, como a masculinidade tóxica disseminada em nossa sociedade e a popularização dos filmes de super-heróis. Os homens se sentem pressionados socialmente a ter um certo porte físico. Isso exige dietas e exercícios físicos constantes que podem prejudicar a saúde mental.

A insegurança com o corpo não para apenas no peso. Segundo um estudo, a perda de cabelo está relacionada ao aparecimento de sintomas de depressão entre os homens. Além disso, a altura e a cor da pele também são fatores que influenciam a autoestima masculina.

Obesidade e saúde

Outra crítica ao movimento body positive é o equívoco que ele pode gerar ao defender que pessoas gordas são capazes de serem saudáveis. Muitos médicos acreditam que a mensagem do movimento pode levar a uma despreocupação com a saúde ligada ao peso, já que muitas doenças estão relacionadas à obesidade, como a hipertensão e a diabetes.

No entanto, o que defensores do body positive dizem sobre o movimento é que essa é uma visão distorcida do que ele realmente significa. Inspirado na teoria HAES (Health at Every Size, em português “Saúde em Todos os Tamanhos”), o body positive incentiva as pessoas a se manterem saudáveis dentro de suas condições biológicas próprias, e não tendo em vista um padrão de beleza único.

Desse modo, a ideia de que o movimento body positive é contra dietas para emagrecer e defende que as pessoas comam o que elas quiserem, sem se preocuparem com a saúde, pode ser uma má interpretação.

Como aderir ao movimento body positive

Começar a praticar o amor-próprio traz diversos benefícios, como a diminuição dos níveis de ansiedade e depressão. Embora seja difícil parar de almejar padrões irreais de beleza que estiveram presentes no cotidiano de todos por tanto tempo, mudar pequenos hábitos já pode fazer uma grande diferença.

Uma boa dica é acompanhar as redes sociais de influenciadoras e influenciadores adeptos ao body positive. Nesses perfis, a mensagem de que cada corpo é único pode ser de grande ajuda no caminho para a autoaceitação.

Outra sugestão é evitar se comparar a outras pessoas e exaltar suas próprias qualidades. Pode parecer difícil achar características positivas em si próprio no início. Porém, a valorização das individualidades é um passo importante para a autoaceitação.Vale lembrar que cuidar da saúde também é um ato de amor próprio. Assim, praticar atividades físicas regularmente e manter uma dieta saudável são importantes para o bem-estar físico e mental. Dessa forma, o body positive frisa a necessidade de aderir a hábitos saudáveis, e não uma eterna busca a uma aparência estética inalcançável.