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Agente laranja é o nome dado a um herbicida e desfolhante químico utilizado durante a Guerra do Vietnã pelas forças militares dos Estados Unidos da América

Agente laranja é o nome dado a um herbicida e desfolhante químico utilizado durante a Guerra do Vietnã (1965-1975) pelas forças militares dos Estados Unidos da América (EUA). Seu principal constituinte é a dioxina TCDD, uma substância química altamente tóxica e cancerígena para humanos. O agente laranja causou diversos prejuízos ao Vietnã e à população viatnamita. 

O agente laranja foi despejado na região sul do Vietnã para desfolhar a vegetação. Estudos mostraram que, 50 anos depois que as forças militares dos Estados Unidos pararam de pulverizá-lo, ainda existem restos altamente tóxicos desse herbicida no solo e em sedimentos.

Composição do agente laranja

O agente laranja é sintetizado a partir da mistura de dois herbicidas, o n-butil éster do ácido 2,4- diclorofenoxiacético e o n-butil éster do ácido 2,4,5- triclorofenoxiacético. O ácido 2,4- diclorofenoxiacético (2,4–D) é um dos herbicidas de mais largo uso no mundo, principalmente na agricultura para o controle de ervas daninhas. Trata-se de um composto de toxicidade baixa a moderada em roedores, ainda sem evidência que o associe à toxicidade na reprodução humana.

Por outro lado, o ácido 2,4,5-triclorofenoxiacético (2,4,5–T) tem sido amplamente retirado de uso, devido a possível contaminação de algumas de suas formulações pelo composto 2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD), chamado de dioxina. Este contaminante é gerado pela reação entre duas moléculas do herbicida 2,4,5-T, durante sua síntese.

Exposta à ação do Sol, a TCDD se degrada em menos de três anos. Porém, em solos protegidos pela vegetação, demora até 50 anos para se decompor — e, se estiver em sedimentos de corpos hídricos, mais de 100 anos.

Dioxina

Dioxina é um nome genérico usado para designar um grupo de substâncias químicas que são subproduto industrial de alguns processos, como produção de cloro e certas técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas. As dioxinas são consideradas poluentes orgânicos persistentes (POPs), pois se acumulam na cadeia alimentar e no corpo humano. A TCDD é um exemplo de dioxina. 

A dioxina se acumula nos tecidos adiposos, ou seja, nas regiões em que nossos corpos e os de animais têm mais gordura (saiba mais neste artigo, em inglês). Por meio de um processo chamado biomagnificação, as dioxinas também acompanham o desenvolvimento da cadeia alimentar, de acordo com um artigo da Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR), dos EUA. Se você come a carne de um animal que contém muita dioxina, por exemplo, ela ficará acumulada no seu corpo. A partir de então, seu organismo tentará se livrar dessa substância por um bom tempo.

Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã ocorreu entre 1959 e 1975 e foi um conflito entre os dois governos estabelecidos que lutavam pela unificação do país sob sua liderança. 

Durante a sua ocorrência, os Estados Unidos envolveram-se diretamente no conflito e, em 1969, enviaram mais de 500 mil soldados ao país asiático. A participação americana e a motivação ideológica da guerra são consequências das tensões da bipolarização do período da Guerra Fria.

Nesse conflito, as forças militares dos Estados Unidos utilizaram o agente laranja para desfolhar a vegetação da qual os vietnamitas se alimentavam e utilizavam de esconderijo.

Impactos na saúde

A dioxina presente no agente laranja pode afetar a saúde humana de três maneiras:

Má formação fetal

A dioxina é uma substância teratógena (que causa má formação fetal), mutagênica (responsável por mutações genéticas, algumas das quais podem causar câncer) e suspeita-se que seja carcinogênica para humanos (podem causar câncer). Por conta dessas propriedades, as dioxinas interferem no crescimento celular, induzindo ou bloqueando a morte de células.

Câncer

Segundo a ATSDR, a dioxina é comprovadamente causadora de câncer em animais. O mesmo efeito parece ocorrer com humanos. O mais grave é que a dioxina age como carcinogênico completo, ou seja, não precisa de outros elementos químicos para atuar no organismo. A substância pode causar tumores e aumentar o risco de todos os tipos de câncer, de acordo com a OMS e o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), dos EUA.

Outros

A dioxina altera receptores de estrogênio, pode ser tóxica para o crescimento e o desenvolvimento, pode causar danos no fígado, nos nervos e alterações indesejadas em glândulas, de acordo com a ATSDR. Problemas relacionados aos sistemas reprodutivo e imunológico, além de alterações no neurodesenvolvimento, também podem ocorrer devido às dioxinas (saiba mais, em inglês). O composto também é suspeito de causar problemas respiratórios e câncer de próstata, além de dois tipos de diabetes.

Impactos ao meio ambiente

O agente laranja devastou o Vietnã, causando desmatamento, erosão do solo, inundações, perda generalizada de florestas e manguezais, surgimento de plantas e animais invasores, perda da capacidade da região de armazenar carbono e mudanças no clima local.

Ao contrário de florestas densas, pastagens e matagais têm taxas mais baixas de evapotranspiração. A menor absorção de água pelas plantas aumenta o escoamento e a erosão, enviando mais lodo e poluição para os cursos d’água. Menos evaporação significa menos cobertura de nuvens, menos chuva e ar mais seco, o que aumenta a temperatura ambiente e aquece o planeta. E as florestas, incluindo os manguezais, são importantes sumidouros de carbono — e estão entre os ecossistemas mais ameaçados do mundo.

O legado ambiental nocivo do agente laranja é longo. Embora o composto tenha uma meia-vida de apenas algumas semanas após a aplicação, a dioxina que ele contém persiste em solos superficiais por 9 a 15 anos, e em solos subterrâneos por até 100 anos. Sem cobertura adequada de árvores ou sistemas radiculares profundos, a erosão ajuda a distribuir a dioxina nos solos além da fonte inicial de contaminação.

Peixes de lagos e lagoas perto das antigas bases aéreas americanas de Bien Hoa e Da Nang, onde o agente laranja foi armazenado durante a guerra, mostraram conter níveis inseguros de dioxina. 

Populações vietnamitas

Níveis elevados de dioxina foram detectados no leite materno em mulheres nascidas no período pós-guerra. Isso revela a persistência desse agente tóxico no meio ambiente e aponta o leite como uma fonte de exposição do recém-nascido a esse agente. As crianças nascidas com malformações congênitas necessitam de extensivos cuidados médicos e cirúrgicos e podem carregar deficiências por toda a vida. 

As anomalias congênitas também produzem um grande impacto na vida da comunidade, uma vez que impõem a necessidade de estratégias de intervenções locais, nacionais e internacionais para aliviar o sofrimento físico e emocional das vítimas do agente laranja. 

Com relação aos vietnamitas que serviram ou não à guerra e aos veteranos de guerra vindos de outros países, observou-se aumento significativo do risco de ocorrência de leucemia linfocítica crônica, principalmente entre os que permaneceram nas áreas mais afetadas e por período de tempo mais longo.