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O abolicionismo animal preza pelos direitos de animais não humanos e a preservação do meio ambiente

O abolicionismo animal é um movimento que tem como objetivo acabar com todas as práticas de crueldade animal. Para os adeptos do abolicionismo animal, é preciso que a sociedade reconheça os animais não humanos como seres com direitos, que devem ter a liberdade de estar vivos.

Segundo a pesquisadora Elisiane Azambuja Corá, em artigo sobre o tópico, os seres humanos acreditam que são superiores aos animais não humanos. Por esse motivo, a humanidade criou o hábito de explorar esses seres, causando impactos a essas espécies e ao planeta. 

Por que animais devem ter direitos? 

Todo animal é senciente e tem conhecimento sobre o sofrimento que passa na indústria da carne, do ovo e do leite. Afinal, eles sentem dor quando são condicionados à morte e aos maus tratos da produção. Sendo assim, o movimento do abolicionismo animal prega pela valorização dos direitos desses animais.

Assim como o ser humano — um animal senciente — tem direitos a vida, o animal não humano também deveria ter. Isso porque todos eles sentem dor e sofrem de maneiras parecidas. Além disso, alguns estudos apontam que existem animais mamíferos que têm consciência de si, assim como humanos. Fator que mostra que não existe motivo para a hierarquia criada entre as espécies.  

O abolicionismo animal aponta para a sociedade que a exploração dessas espécies é um tipo de escravidão. Afinal, o ser humano entende que os animais não têm o mesmo valor que eles, e logo, podem sofrer abates e maus tratos livremente em troca dos interesses econômicos ou financeiros de uma camada da sociedade. 

Quando o abolicionismo animal aponta a exploração de espécies não humanas como um tipo de escravidão, ele da destaque a ideia de que os animais não tem seus direitos assegurados. O movimento acredita que os direitos dos animais não humanos devem ser garantidos para evitar problemas como:

O que é especismo e sua relação com abolicionismo animal?

O especismo é uma forma de discriminação contra quem não pertence a uma determinada espécie. A sociedade usa o especismo para tentar provar, sem base científica, que existem espécies que são mais importantes que outras. 

Um exemplo comum é a relação das pessoas com animais domésticos e animais de abate. A sociedade acredita que animais domésticos — como gatos e cachorros — são mais dignos e importantes que vacas, porcos e outros animais que são usados na indústria da carne.  

Isso resulta na exploração de certas espécies, enquanto outras são colocadas em um altar de importância. Para o abolicionismo animal, lutar pelos direitos de animais domésticos e deixar outras espécies de lado não é o suficiente. É preciso abolir todo o tipo de crueldade animal, seja ela contra gatos, cachorros ou bois e bezerros.

Para que o abolicionismo animal consiga chegar a seus objetivos, é preciso primeiro que as pessoas lutem contra seu especismo. Assim, entendendo que todos os animais, humanos e não humanos, têm direitos e valores que devem ser respeitados igualmente.

Por que lutar a favor do abolicionismo animal? 

No Brasil, a pecuária — atividade econômica que explora animais para a indústria da carne e de derivados — é responsável por 75% do desmatamento da Amazônia nos últimos anos. Esses dados são do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), e mostram como a crueldade animal tem impacto nas mudanças climáticas.

O desmatamento é uma das principais causas do aumento de gases de efeito estufa na atmosfera. Esses gases geram mudanças quase irreparáveis no clima da Terra, o que aumenta consideravelmente as temperaturas do planeta. Como resultado das altas temperaturas, as geleiras derretem, o nível do mar sobe e acontecem mais desastres ambientais, como alagamentos e deslizamentos de terra. 

Ou seja, o abolicionismo animal não tem como única premissa o fim da exploração animal, mas também a preservação da natureza e da vida humana. A criação de pastos para a indústria da carne e derivados animais é uma grande inimiga da biodiversidade ambiental de diversos países, incluindo o Brasil. 

Por fim, o consumo inadequado de carne animal também é responsável pela transmissão de zoonoses — doenças transmitidas de animais não humanos para humanos. A caça predatória de animais silvestres para o consumo humano ou a produção de artigos de moda também é uma pauta que é combatida pelo abolicionismo animal. 

Qual a relação do veganismo com o abolicionismo animal? 

O veganismo é um estilo de vida e uma filosofia que prega pelo fim de qualquer tipo de exploração animal. Por isso, é possível notar a relação entre o veganismo e o abolicionismo animal. Ambos tem como objetivo o fim da chamada “escravidão animal”. 

Os dois movimentos andam de mãos dadas, o que pode ser notado quando o veganismo é usado como uma forma de alcançar o abolicionismo animal.

Quando uma pessoa opta por deixar de comer ou utilizar derivados da crueldade animal, ela está de certa forma lutando pelos direitos dessas espécies. Isso porque, se existe uma redução significativa no consumo de animais, a exploração também tende a cair. É com essa premissa que os apoiadores do movimento do abolicionismo animal continuam lutando. 

O veganismo é um dos primeiros passos para adentrar o abolicionismo animal. Depois disso, é possível ajudar a causa se tornando um ativista. Ou seja, você pode advogar pela causa, participar de manifestações, de estudos e de debates a respeito do assunto. Além disso, a melhor forma de ajudar a causa é disseminar as pautas do abolicionismo animal. 

Qual o cenário atual do abolicionismo animal? 

Um grande avanço para o movimento do abolicionismo animal foi a aprovação de uma resolução que introduz o bem-estar animal às preocupações políticas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). 

Em assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente em Nairóbi, no Quênia, 193 países chegaram a um acordo para proteger os animais e seus habitats. Além dessa preocupação, o acordo reforça que a Pnuma será responsável por um estudo sobre a conexão entre o bem-estar animal, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. 

O acordo, que tem participação do Brasil, é resultado de uma mobilização que envolveu mais de um milhão de pessoas e 27 organizações. Entre essas organizações que lutaram pelo abolicionismo animal estão o Greenpeace Brasil, Mercy For Animals e o Instituto Luisa Mell de Assistência aos Animais e Meio Ambiente.