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Rochagem é uma técnica agroecológica de fertilização do solo que tem a vantagem de capturar CO2

Imagem de paul mocan no Unsplash

Rochagem, agromineração, petrofertilização, remineralização ou fonte alternativa de nutriente, é uma técnica desenvolvida para aumentar a fertilidade do solo que permite a captura de CO2 da atmosfera. Basicamente, consiste na adição de pó de diversos tipos de rocha aos solos de cultivo, sendo uma forma de imitação do processo de intemperismo natural. A técnica, também chamada de intemperismo acelerado, antecipa o intemperismo natural em escalas de tempo humanas, transformando as rochas em pó.

Ela pode ser considerada como um método que vai ao encontro dos princípios da agroecologia, e pode ser aplicada em pequenas propriedades familiares e na agricultura orgânica.

O conceito de rochagem foi abordado pela primeira fez pelo francês M. Missoux (1853) e pelo alemão Julius Hensel (1880) em trabalhos sobre utilização de rocha como fonte de nutrientes. A rochagem é praticada há anos, e tem como exemplos as práticas agrícolas da calagem e a fosfatagem.

Rochagem no Brasil

No Brasil, a rochagem começou a ser estudada no ano de 1950 pelos pesquisadores D. Guimarães e Vladimir Ilchenko. A partir dos anos 70, o foco da técnica passou a ser fornercimento de potássio (K) e fósforo (P). Isso se deveu à carência desses nutrientes nos solos nacionais. Hoje, a técnica é recomendada para diversos tipos de agricultura, mas principalmente para pequenos agricultores brasileiros, que não têm acesso a pacotes de insumos internacionais e muitas vezes manejam insumos agrícolas convencionais sem os devidos cuidados.

Reduz vários tipos de poluição

Diferente dos métodos convencionais de agricultura, a técnica da rochagem evita o uso intensivo de insumos industrializados. É um método alternativo que não compromete cursos d’água, solos e atmosfera. Pelo contrário, a técnica ainda permite a captura de grandes quantidades de CO2, um gás do efeito estufa.

O solo do planeta armazena cerca de 2,5 bilhões de toneladas de carbono, mais que a atmosfera (780 bilhões de toneladas) e que a vegetação (560 bilhões de toneladas), sendo um importante reservatório desse gás. Mas é preciso tomar cuidado para não confundir rochagem com outras técnicas de captura de carbono no solo. Enquanto a rochagem se utiliza de minerais, outras técnicas de captura de CO2 no solo podem utilizar matéria orgânica e biocarvão.

Saiba mais sobre o tema na matéria “Técnicas de neutralização de carbono: estoque de carbono no solo“.

Faz bem para economia

O Brasil, com dimensões continentais, tem um potencial agrícola que é relevante para o PIB brasileiro. Isso seria ainda maior se não fosse pelos nossos solos empobrecidos em minerais como fósforo e potássio.

A correção desses solos normalmente é feita nos moldes convencionais de agricultura, que acarretam impactos significativos para o meio ambiente e demandam insumos de correção que são importados, o que faz mal para a soberania e economia do País. Dessa forma, a rochagem é uma alternativa viável ambiental e economicamente, pois permite a utilização de recursos nacionais. Ela ainda pode ser feita utilizando-se resíduos da mineração.

Fornece uma ampla gama de minerais

A técnica da rochagem fornece aos solos vários tipos de nutrientes simultaneamente. Isso se deve à composição variada dos agrominerais e a disponibilização de nutrientes de forma mais gradual. Diferente de fertilizantes químicos que são aplicados praticamente um tipo de cada vez e ainda apresentam alta solubilidade, sendo lixiviados pelas chuvas e acabando por contaminar o ambiente.

Tipos de rochagem

rochagem
Imagem editada e redimensionada de Aomai, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC-BY 3.0

Há muitos tipos de rochas com efeitos diferentes sobre os solos, por isso são necessários mais estudos sobre tipos mais indicados para a rochagem, dosagens, granulometria, desempenho no cultivo de diferentes espécies e solubilidade.

Alguns estudos mostram que materiais de granulometria fina, quando inoculados com bactérias do gênero Acidithiobacillus, reagem quimicamente e liberam nutrientes.

As olivinas, um grupo de minerais de silicato que reagem com o dióxido de carbono, também formam compostos de interesse. O intemperismo acelerado desse tipo de rocha consiste em expor enormes quantidades de olivina ao ar e, em seguida, espalha-la sobre campos agrícolas.

Para se ter uma ideia, na natureza, quando o dióxido de carbono no ar se dissolve nas gotas de chuva, ele reage com as rochas quando cai, e os compostos restantes são levados para os oceanos. Esses compostos são usados ​​para construir conchas e corais. Lentamente e de modo inevitável, isso atrai o CO2 presente no ar e o retém por centenas de milhares de anos.

Desvantagens

A mineração consome grandes quantidades de energia, o que reduz a eficiência do processo de alguns tipos de processos de rochagem em até um terço. Além disso, há quem tema que a aceleração do intemperismo possa reduzir o incentivo para diminuir as emissões de gases do efeito estufa.



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