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Lixiviação é a solubilização dos constituintes químicos de um material

Imagem de Matt Seymour em Unsplash

A palavra “lixiviação” possui diversos significados, que variam de acordo com as áreas do conhecimento. No geral, ela quer dizer “lavar”, “carregar” ou “dissolver”. Esse processo pode ocorrer em diversos materiais. Porém, a lixiviação do solo e do plástico são as mais comuns e, consequentemente, preocupantes. Por isso, elas serão abordadas com mais detalhes nessa matéria.

Lixiviação do solo

Em sua definição geológica, a lixiviação é retratada como sendo “a extração ou solubilização dos constituintes químicos de uma rocha, mineral, solo ou depósito sedimentar pela ação de um fluido percolante”, isto é, que faz movimentos descendentes. Em outras palavras, ela está relacionada ao processo de arraste dos sais minerais presentes no solo, caracterizando uma forma inicial de erosão.

O que é solo?

Solo é todo material inconsolidado formado na superfície dos continentes pela ação do intemperismo e pedogênese, e que é capaz de suportar a vida, seja ela em sua forma vegetal ou animal. Em função das condições ambientais, os solos podem apresentar características e propriedades físicas, químicas e físico-químicas diferentes.

O solo é o recurso mais importante de um país, já que ele fornece os recursos necessários para alimentar suas populações. No entanto, diversas atividades antrópicas têm provocado erosão e contaminação do solo, gerando diversos prejuízos. Por isso, é importante que existam políticas públicas que preservem esse recurso e planejem seu uso consciente e sustentável.

Como ocorre a lixiviação do solo?

Como dito anteriormente, a lixiviação do solo é um processo erosivo provocado a partir da lavagem da camada superficial do solo pelo escoamento das águas superficiais. Em geral, ela ocorre em solos que não possuem cobertura vegetal e causa a diminuição da sua fertilidade natural ao longo do tempo.

A lixiviação acontece com maior frequência em solos desmatados de regiões tropicais e equatoriais, já que as chuvas são mais intensas e abundantes nesses locais. As enxurradas causadas pelas precipitações carregam os materiais superficiais do solo para as áreas mais baixas. Por isso, esse processo é mais significativo em regiões de maior declividade.

O empobrecimento do solo e a estagnação do crescimento de plantas são algumas das consequências geradas pela lixiviação. No entanto, vale ressaltar que esses dois fatores abrem espaço para a ocorrência de outros impactos ambientais, como aqueles causados pelo aumento do uso de fertilizantes. Para saber quais são os efeitos provocados por esses produtos, acesse a matéria “O que são fertilizantes?”

Como evitar a lixiviação do solo?

A lixiviação pode ser evitada mantendo o solo sempre coberto com plantas e resíduos de culturas, como a palhada. “Mesmo com a cobertura permanente do solo, tem de fazer o terraceamento da área, inclusive naquelas com baixa declividade. Assim, a água poderá ser retida e infiltrada no solo, abastecendo o lençol freático e garantindo que nascentes e córregos tenham esse recurso o ano todo”, sugere Pedro Freitas, pesquisador da Embrapa Solos.

Lixiviação metalúrgica

Em sua definição metalúrgica, a lixiviação é retratada como sendo “a separação de metais de alto valor agregado de minerais a partir de uma solução aquosa”. Em outras palavras, ela está associada ao processo de beneficiamento mínimo de metais. Além disso, a lixiviação também pode ser usada para a remoção de impurezas. Quando realizada com esse objetivo, ela recebe o nome de lixiviação inversa.

Lixiviação do plástico

As substâncias presentes em plásticos também podem ser lixiviadas pela ação de um fluido percolante. Nesse processo, elas chegam até animais e seres humanos e podem causar diversos danos à saúde, já que algumas delas atuam como disruptoras endócrinas. Bisfenóis, dioxinas, retardantes de chamas, estabilizadores de radiação ultravioleta e metais pesados são exemplos de compostos prejudiciais presentes em plásticos e que sofrem lixiviação.

Nas últimas décadas, a produção de plástico tem aumentado significativamente em função da sua aplicabilidade em itens de diferentes setores. Dentre os polímeros mais comuns, destacam-se o polipropileno, o polietileno, o policloreto de vinila, o poliestireno e o polietileno tereftalato, que correspondem a cerca de 90% da demanda de plástico no mundo.

Essa procura por materiais plásticos está relacionada ao seu baixo custo, alta durabilidade e resistência a produtos químicos, radiação e pressão. Em consequência do consumo de produtos feitos por esses polímeros, são geradas grandes quantidades de resíduos que nem sempre são reciclados ou reutilizados, sendo lançados de forma direta ou indireta no ambiente e causando uma série de danos. Desse modo, as atividades antrópicas e industriais são consideradas altamente impactantes, pois são as principais fontes de inserção de plásticos no ambiente.

Uma vez no ambiente, os plásticos passam por processos de degradação e lixiviação, ambos prejudiciais à saúde de animais e seres humanos, já que liberam substâncias tóxicas e disruptoras endócrinas. Em contato com organismos animais e humano, essas substâncias demonstraram ser capazes de causar câncer, diabetes, infertilidade, feminização (em peixes) e problemas na tireoide.

Após sua fragmentação, o plástico pode obter formatos que o tornam ainda mais nocivo — micro e nanoplásticos — aumentando suas chances de entrada na cadeia alimentar. Entenda melhor esse tema nas matérias: “Plásticos e saúde: o que se sabe a respeito?”, “Entenda o impacto ambiental do lixo plástico para cadeia alimentar” e “Há microplásticos no sal, nos alimentos, no ar e na água”.

Como evitar a lixiviação do plástico?

Durante o ano, pelo menos oito milhões de toneladas de resíduos plásticos que foram descartados incorretamente vão parar nos oceanos, lagos e rios do mundo todo. Esses descartes, se fossem encaminhados corretamente para a reciclagem, poderiam voltar para a cadeia energética. Mas, uma vez no ambiente, se fragmentam ou lixiviam e acabam entrando na cadeia alimentar, participando inclusive da dieta humana.

Por isso, diminuir o consumo de plástico quando possível e evitar o seu descarte incorreto são maneiras do consumidor final evitar que este material sofra lixiviação e cause danos à saúde de animais e seres humanos. Além disso, são necessárias políticas públicas que viabilizem a utilização desse material, além de melhorias em seu design de fábrica que facilitem o retorno para a cadeia de produção. Saiba mais sobre esse tema na matéria: “New Plastics Economy: a iniciativa que repensa o futuro dos plásticos”.



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