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Iniciativa busca aumentar a absorção de CO₂ pela água do mar, mas Alexander Turra alerta para altos custos e riscos ambientais

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Por Simone Lemos – Jornal da USP | Um projeto científico desenvolvido nos Estados Unidos tem chamado a atenção ao propor a modificação da química dos oceanos como forma de combater os efeitos do aquecimento global. A ideia é aumentar a capacidade da água do mar de capturar dióxido de carbono (CO₂), neutralizando sua acidez e permitindo que o carbono seja armazenado de forma estável por milhares de anos, principalmente na forma de bicarbonato.

Segundo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, “a acidificação dos oceanos ocorre quando o CO₂ emitido na atmosfera se dissolve na água do mar. Esse processo desencadeia uma série de reações químicas que resultam na liberação de íons de hidrogênio, responsáveis pela redução do PH da água”.

Essa mudança química traz impactos significativos para a biodiversidade marinha. Organismos que possuem esqueletos ou conchas formados por carbonato de cálcio, como corais, moluscos e até algumas espécies de peixes, têm sua capacidade de formação dessas estruturas prejudicada em ambientes mais ácidos. De acordo com o especialista, a tendência é de agravamento do problema enquanto as emissões de gases de efeito estufa permanecerem elevadas.

“O oceano desempenha um papel central no controle do clima do planeta, mas ao absorver grande parte do CO₂ emitido pelas atividades humanas acaba se tornando mais ácido, o que gera inúmeras consequências ambientais”, explica Turra.

Soluções

Entre as estratégias para enfrentar o problema, o pesquisador destaca que o caminho mais eficaz e estruturante é a mitigação das emissões. Isso envolve a redução do uso de combustíveis fósseis, a transição para fontes de energia de baixo carbono e, no caso do Brasil, o combate ao desmatamento e às emissões associadas à agropecuária.

Além da mitigação, outras alternativas vêm sendo estudadas, como a inoculação de ferro no oceano para estimular a fotossíntese de microrganismos e aumentar o sequestro de carbono. Mais recentemente, surgiu a proposta de lançar hidróxido de sódio, uma substância alcalina, na água do mar, funcionando como um “antiácido” para reverter a acidificação.

Apesar de reconhecer a importância desses estudos para compreender seus potenciais benefícios e limitações, Turra alerta para os desafios de sua aplicação em larga escala. “Os custos são elevados: em experimentos de pequena escala e curta duração, apenas o gasto com o produto pode chegar a cerca de R$ 1,3 milhão. Além disso, seria necessário considerar a pegada energética e ambiental da produção do hidróxido de sódio, o que compromete a viabilidade da proposta.”

Para o ambiente marinho, o especialista defende que uma das medidas mais importantes e viáveis é a criação e a implementação efetiva de áreas marinhas protegidas. A meta estabelecida pela Convenção sobre a Diversidade Biológica é proteger pelo menos 30% dos oceanos até 2030. Essas áreas reduzem outras pressões ambientais e aumentam a resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas. “Esse caminho depende de vontade política, investimento público e do entendimento da sociedade de que a proteção dos oceanos não beneficia apenas a biodiversidade, mas gera serviços ecossistêmicos essenciais para o bem-estar humano e para a prosperidade econômica”, conclui o professor.

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Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.


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