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Entenda como a nova tendência global de “vida solo” pode acarretar impactos negativos para o planeta

Imagem de Free-Photos em Pixabay

No mundo todo, as famílias estão diminuindo – cada vez mais pessoas estão morando sozinhas. Em 2016, quase dois terços de todos os agregados familiares na União Europeia já eram compostos por uma ou duas pessoas, uma tendência que se observa também em outras partes do globo. À medida que os países aumentam o índice de desenvolvimento humano, espera-se que as famílias continuem a diminuir.

Conforme as famílias se tornam menores, as casas ficam maiores. Isso aumenta o uso de energia e recursos, lixo doméstico e gases de efeito estufa. Afinal, a maioria dos lares tem aparelhos semelhantes, como fogões e geladeiras, além de espaços refrigerados ou aquecidos, independentemente de quantas pessoas morem ali.

Também há uma tendência de compartilhar menos dentro dos prédios de apartamentos em comparação com as décadas anteriores. Na Suécia, onde antes era o padrão o compartilhamento de uma lavanderia, agora mais de 80% dos apartamentos recém-construídos têm sua própria máquina de lavar.

As famílias menores simplesmente não se beneficiam do potencial de compartilhamento das famílias maiores. Portanto, não é nenhuma surpresa que a redução do tamanho das famílias esteja emergindo como um desafio fundamental para reduzir o consumo de recursos e mitigar as mudanças climáticas.

Então, por que mais e mais pessoas moram sozinhas? Em um estudo publicado recentemente na revista Buildings and Cities, descobrimos que pode haver diferentes razões. No entanto, algumas tendências principais incluem jovens saindo de casa para estudar ou trabalhar, casais vivendo separados por mais tempo antes de irem morar juntos (se esse for o caso), a dissolução de parcerias ou a morte dos parceiros.

Muito cedo, muito tarde

No início da vida adulta, adiar o casamento e/ou a procriação costuma ser o principal fator responsável pelo aumento no índice de pessoas que moram sozinhas. Em toda a Europa, América do Norte e África, os rapazes têm maior probabilidade de viver por conta própria. Esta é uma fase de transição em que a formação de uma parceria é adiada para se concentrar na educação ou na construção de uma carreira.

Morar sozinho também é comum em países onde os jovens das áreas rurais migram para os centros urbanos para trabalhar e formar sua própria família. Entre os jovens adultos, os homens demoram mais para se casar ou morar com companheiras do que as mulheres.

Um pouco mais tarde, a tendência de gênero se inverte dramaticamente: as mulheres vivem sozinhas duas a quatro vezes mais do que os homens em 113 países analisados ​​em um estudo. Isso pode ser explicado pelo fato de as mulheres viverem mais do que os homens em média, resultando em mais viúvas morando sozinhas. O aumento da expectativa de vida, a dissolução de parcerias e a morte de um parceiro tendem a ser os principais fatores por trás das tendências em famílias idosas com uma pessoa.

A vida solitária de adultos de meia-idade é mais complexa. De acordo com uma pesquisa de painel canadense, os homens empregados e aqueles que vivem em comunidades vulneráveis ​​têm menor probabilidade de morar sozinhos, em comparação com os homens desempregados e aqueles que vivem em comunidades menos vulneráveis.

Entre as mulheres, aquelas com saúde precária e nível médio de educação têm maior probabilidade de morar sozinhas, em comparação com mulheres de excelente saúde e baixa escolaridade.

Em países com alto valor atribuído ao indivíduo, morar sozinho é mais comum do que países com alto valor de corresidência familiar. Por exemplo, na Suécia e nos países nórdicos, morar sozinho se tornou uma norma por meio de uma “cultura do individualismo” e um Estado de bem-estar social que permite às pessoas ter acesso a moradias populares e serviços públicos independentes do apoio familiar.

A onda solo

Muitos fatores sociais estão subjacentes às tendências de viver sozinho: cultura, meios econômicos, desenvolvimentos demográficos, saúde, políticas e instituições – todos desempenham seu papel em diferentes fases da vida. À medida que as famílias continuam a encolher, haverá novos desafios para fornecer os serviços necessários, especialmente em países mais pobres, onde as tecnologias de comunicação são menos desenvolvidas e os Estados de bem-estar social são mais fracos, com uma série de desafios ambientais associados.

A onda de vida solo que atualmente está percorrendo diferentes países implica impactos ambientais crescentes que ainda não têm atenção política focada. As políticas públicas poderiam abordar formas de vida solo menos impactantes para o meio ambiente ou maneiras de promover a convivência entre mais pessoas em uma mesma comunidade.

Embora morar sozinho seja uma tendência crescente, isso não significa necessariamente que mais pessoas morem permanentemente sozinhas. Na verdade, isso também pode significar que pessoas em diferentes estágios da vida moram sozinhas. Tipos muito diferentes de compartilhamento ou co-habitação podem, em última análise, ser necessários para fornecer uma alternativa atraente para os jovens adultos.


Este texto foi originalmente escrito por Tullia Jack, Diana Ivanova, Kirsten Gram-Hanssen e Milena Buchs para o The Conversation e traduzido por Isabela Talarico para o Portal eCycle de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original


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